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Title: [C.NERD] CRÍTICA #33 - ROBOCOP
Author: Gabriel martins
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O Robocop de Padilha pode não ter a violência gráfica, mas, sem dúvidas, tem a violência ideológica e ácida de seu original. Situad...

O Robocop de Padilha pode não ter a violência gráfica, mas, sem dúvidas, tem a violência ideológica e ácida de seu original.

Situado em um futuro não muito distante ao nosso, a empresa Omnicorp tenta colocar nas ruas dos EUA seus robôs que já dominam zonas de guerra pelo restante do mundo. Porém, para que a lei vigente que impede que isto aconteça seja revogada, Raymond Sellars, (Michael Keaton) o CEO da empresa, precisa humanizar seu robô e assim customiza-lo a fim de agradar o seu público alvo.

Muito do estilo de Padilha pode ser vista ao longo de todo o filme, seja na pegada documental com sua câmera inquieta, por exemplo, mas a marca maior de sua filmografia é, sem sombra de dúvidas, a crítica que aqui se dirige aqui a vários pontos, a começar pela mídia reacionária comandada pelo icônico Pat Novak(Samuel L. Jackson), representando o apresentador que se assemelha ao Fortunato (André Matos) de Tropa 2, Novak é responsável por enfiar goela a baixo os ideais empresariais, justificando as ações da OMNI Corporation, manipulando as informações e não hesitando em criar fatos ou derramando baboseiras como chamar os americanos de Robofóbicos.

Por outro lado, Gary Oldman com o seu Dr. Norton é talvez o personagem mais rico, em uma primeira análise o engenheiro responsável pelo Robocop é uma pessoa preocupada com as questões humanitárias que envolvem o projeto, porém é invariavelmente levado a mudar de ideia sempre quando vê o seu projeto saindo de suas mãos ou sua reputação sendo colocada em jogo, como no momento que não hesita em retirar a consciência de Alex Murphy ao ser ameaçado. Não seria exagero, contudo, imaginar que sua ação ao “desligamento” final de sua criação seja movida pelo seu ego e não por um ato de heroísmo.

Já Murphy, que aqui é interpretado por Joel Kinnaman, consegue dar ao seu Robocop a dimensão que aquela experiência seria para um ser humano que se vê vítima e propriedade de uma organização, porém a diferença fundamental deste Robocop de Padilha para o de Paul Verhoeven é que o atual tem desde o início consciência, porém a vai perdendo durante o longa.

É admirável também o cuidado do Desing de Som ao homenagear o original mantendo os barulhos dos passos assim como nos momentos em que mexem sua armadura para alguma direção.


Já uma cena bastante marcante é a de quando Alex se observa no espelho sendo desmontado peça por peça e se vê ao final com apenas alguns órgãos, o que é uma mensagem existencialista do quanto de humano sobrou dele, afinal, vale a pena viver ou sobreviver daquela forma, o que ele é afinal?

Respostas estas que o filme dá de forma apenas satisfatória ao lançar a luz para somente a resistência do homem contra a máquina, um outro subtexto interessante, se visto pela ótica de Padilha, que obviamente ecoa nas relações americanas com seus exércitos, desumanizando-os (de novo como visto em BOPE),  também a crítica ao consumismo que usa a política como uma máquina de fazer dinheiro regado a muito marketing a fim de promover o Robocop como um case de sucesso. Não a toa o Diretor brasileiro coloca na boca do CEO da OMNI Corporation a frase em determinada parte do filme “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a ela” dita pelo talvez maior ícone tecnológico atual, Steve Jobs.

Dirigido por: José Padilha
Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. jackson
Roteirista: Nick Schenk
Diretor de fotografia: Lula Carvalho


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