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Verônica Martucci Verônica Martucci Author
Title: [C. NERD] CRÍTICA #36 - MEDIANERAS: BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL
Author: Verônica Martucci
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Discutir sobre o mundo tecnológico e suas consequências na sociedade e no comportamento humano atual vem sendo um tema cada vez mais exp...


Discutir sobre o mundo tecnológico e suas consequências na sociedade e no comportamento humano atual vem sendo um tema cada vez mais explorado pelo cinema. Antes mesmo do belíssimo “Her” (Spike Jonze, 2013), esse aspecto fora discutido também pelo argentino Gustavo Taretto através de “Medianeras” (2011).

Buenos Aires é o pano de fundo e sua arquitetura é referência para o desenrolar da história e das narrações em off dos protagonistas, fazendo paralelos sobre as descrições da capital argentina e de como vivemos e agimos atualmente. Aqui, acompanhamos a vida de um homem e uma mulher. Ambos vivem sozinhos em pequenos apartamentos, e, por mero acaso, vivem em prédios que ficam de frente um para o outro.

Assim acompanhamos o cotidiano dessas duas pessoas, tão próximas e que nem fazem ideia da existência um do outro. Martín é um rapaz que se descreve com inúmeros problemas psicológicos, é criador de websites e passa mais tempo em frente ao computador do que deveria. Mariana é uma mulher que acabou de voltar para seu antigo apartamento, já que acabou de terminar um relacionamento de quatro anos. É formada em arquitetura, mas trabalha como vitrinista de uma loja e tem claustrofobia.



Em diversos momentos a vida dessas duas pessoas se encontra, mas seguem imperceptíveis um ao outro. Enquanto isso, Mariana e Martín vivem seus dramas pessoais e vemos o quão frustradas são suas tentativas de se relacionar com outras pessoas, como se sempre houvesse um problema que não os permitisse esse tipo de felicidade. 

O vazio na vida de ambos chega a ser facilmente sentido, pois a direção acertou em cheio em deixar o filme com um visual tão simples e em manter sua realidade tangível, como um retrato de nosso próprio cotidiano solitário no centro urbano. E claro, tudo isso acontecendo com uma trilha sonora excelente de fundo. 

Além da solidão, o uso da tecnologia é percebido no incômodo do uso de um celular quando duas pessoas estão juntas, em como usamos as ferramentas do mundo digital para nos poupar de sair de casa e de manter contato com as pessoas tamanha a sua quantidade de funções, ou como acabamos ficando isolados sem ao menos notar que esse processo já está em andamento.


Apesar da carga melancólica dos personagens e do olhar perdido que cada um possui, “Medianeras” não tem o objetivo de se manter apenas na crítica ao nosso modo de viver. Temos o choro sincero ao assistir a cena final de “Manhattan” (Woody Allen, 1979), uma conversa que é interrompida e mostra a beleza do acaso ao comprar velas e o fim da procura pelo que se buscara há tanto tempo. Um filme marcante pela sua simplicidade e pela sinceridade de seus personagens.
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