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Title: [REVIEW] HOUSE OF CARDS - S02E04: CHAPTER 17
Author: Lucas Faria
Rating 5 of 5 Des:
Esse foi o episódio das mulheres. House of Cards mostra mais uma vez que as personagens femininas, em especial Claire, não são meras co...

Esse foi o episódio das mulheres. House of Cards mostra mais uma vez que as personagens femininas, em especial Claire, não são meras coadjuvantes, e além de independentes, são inteligentes e possuem personalidades fortes.

Em Chapter 17 vemos que Frank não seria vice-presidente sem Claire. Ela conseguiu superar seu marido e utilizar sabiamente de sua entrevista para alavancar a imagem dos Underwood ante a opinião pública.

Mas antes de debruçar sobre o plot de Claire, vamos nos voltar para Frank. O protagonista, que nesse episódio virou coadjuvante, se viu preso em vários sentidos. Com a missão de conseguir votos para a aprovação da emenda sobre a aposentadoria, ele, a líder da maioria Jackie Sharp, e o lobista Remy pressionam tanto democratas quanto republicanos. É nesse cenário em que Frank, tentando negociar com seu velho conhecido Donald Blythe, fica preso dentro de seu escritório na Casa Branca devido a uma possível ameaça terrorista. Aliás, a conversa entre Underwood e Blythe é excelente. E nela, é interessante observar que a velha tática de Frank, de conseguir o que quer apelando para o lado emocional de seu adversário, não funciona. Blythe mostra que nem todos ali são tão suscetíveis ao jogo de Frank, mesmo que este já tenha sido manipulado na questão sobre a reforma educacional na primeira temporada. 

Com Frank enclausurado, as mulheres da série despontaram. Jackie assumiu a responsabilidade como líder da maioria e, utilizando de uma tática contrária a de seu predecessor Frank, conseguiu mostrar sua força e trazer os votos necessários para a aprovação da reforma da previdência. É notável o desempenho de Jackie, e mostra que ela, apesar de seu pragmatismo, não é igual a Frank. Não seria loucura pensar em um possível desalinhamento de suas ideias com as de Underwood no futuro, mesmo isso  pareça improvável.


Mas quem, com todos os méritos, rouba o episódio, é a Claire de Robin Wright. Não é por acaso que ela ganhou o Globo de Ouro. Devido a quarentena de Frank, ela acaba por ser entrevistada sozinha por Ashleigh Banfield, da CNN. Nessa entrevista Claire é alvejada por perguntas polêmicas referentes ao fato de não possuir filhos e de ter feito um possível aborto. Porém, ela consegue lidar magistralmente com a situação, provando que não é uma Underwood por acaso. Aliás, nem sei se Frank conseguiria se sair tão bem. Claire, ao revelar que foi estuprada pelo General Dalton McGuinnis conseguiu amenizar o fato de ter abortado, revertendo o jogo e trazendo a opinião pública para seu lado. Foi uma jogada política sensacional. Mesmo tendo omitido seus outros dois abortos e mentido em relação à gravidez fruto do estupro, é impressionante como Robin Wright consegue passar toda a sensibilidade da personagem na entrevista. Resta saber agora a repercussão desse feito de Claire, pois com certeza investigarão essa história a fundo.

Por fim, também tivemos o desenrolar do plot de Lucas. Arriscando tudo ao se envolver com um hacker desconhecido, o jornalista pode estar comprometendo sua vida. A não ser que alguma reviravolta aconteça, é bem provável que Lucas acabe sendo preso por cyber-terrorismo pelos lacaios de Underwood e não consiga nenhuma prova real de que Frank assassinou Zoe e Peter. Será interessante ver como esse plot se desenrolará, pois se mal desenvolvido poderá acabar sendo o ponto fraco dessa segunda temporada.

Assim, Chapter 17 ajudou no desenvolvimento dos plots, mas mais do que isso mostrou a força das mulheres na série, em especial Claire, e evidenciou mais uma vez de que Frank, apesar de sua genialidade, não é onipotente.

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