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Lucas Duarte Lucas Duarte Author
Title: [REVIEW] MAD MEN - S07E02: A DAY'S WORK
Author: Lucas Duarte
Rating 5 of 5 Des:
É Dia dos Namorados e o escritório da SC&P vive um momento de felicidade e estresse. Esse episódio de Mad Men foi para mim um dos m...

É Dia dos Namorados e o escritório da SC&P vive um momento de felicidade e estresse. Esse episódio de Mad Men foi para mim um dos mais prazerosos de se assistir. Ao mesmo tempo em que teve um clima ''leve'' este também estava carregado de vários significados. 

Na agência tivemos várias situações interessantes, e até engraçadas em alguns pontos, que refletem o momento vivido tanto na esfera social de algumas personagens como na sociedade em seu todo. Começando por Peggy, a vemos totalmente paranóica com a questão das flores que não recebeu em um dia tão especial. Essas cenas proporcionaram momentos mistos de risada e pena. Como já evidenciado no episódio passado, a vida pessoal (incluindo aí a amorosa) de Peggy é um completo desastre. Mas o pior disso é sabermos que se a vida dela é assim foi porque ela a sacrificou pelo seu trabalho. A verdade é que ela nunca teria chegado aonde está agora se não tivesse posto sua vida pessoal para segundo plano durante todos esses anos. Por mais que sua atitude em relação a sua secretária fosse inadmissível há de se compreender a situação de Olsen, que se encontra perdida principalmente no lado pessoal e amoroso, mas também no profissional, com a ausência de Don e a presença irritante de Lou.

Do outro lado, Joan cresce cada vez mais dentro da SC&P. Esse, assim como o de Peggy, é outro caso muito interessante que representa a ascensão da mulher no mercado de trabalho e na sociedade como um todo (e olha que, como vemos no século XXI, ainda há muito para avançar). Em um escritório dominado por velhos brancos patéticos é muito legal vermos o trabalho de Joan ser notado e recompensado. Porém, é igualmente triste ver que essa promoção, da qual Cooper e Cutler foram responsáveis, foi dada em grande parte (pra não dizer toda) por motivos políticos de dento da empresa. Mesmo assim, ela finalmente deixará de supervisionar as secretárias e terá um escritório seu para trabalhar somente com suas contas.


E quem ficará no lugar de Joan como ''chefe'' das secretárias é Dawn. Aqui é outro exemplo, e até mais forte, desse crescimento da mulher, pois além de ser do sexo feminino Dawn também é negra. Nessa nova sociedade que surge ao final da década de 60, mulheres e negros ganham mais espaço. No entanto, assim como no caso de Joan, há um porém. Além do fato de Dawn (assim como as outras secretárias negras) sofrerem no dia a dia, como mostra a conversa entre ela e Shirley em que brincam sobre serem confundidas, obviamente, pela cor de suas peles; a sua promoção vem de forma indireta e pelo desrespeito e preconceito de seus patrões. Mesmo mostrando que ao se impor sobre o patético Lou ela conseguiu uma posição melhor, o fato é que se não fosse o desrespeito dele e o racismo de Cooper ela não teria sido promovida. A parte disso, a subida de posição de Dawn na SC&P pode indiretamente ajudar Don, que se mantém a par do que acontece lá através dela.

Ainda sobre a agência, também vale ressaltar as cenas de Pete. Se na review passada tinha estranhado sua felicidade, esse episódio veio para dar razão a estranheza. Campbell não mudou, continua sempre infeliz e estressado. Mesmo sabendo que ele é mau caráter, as vezes sinto uma certa pena do rapaz. Além dele, o destaque também vai para Bob Benson. O misterioso homem está em Detroit e poderá aparecer nos próximos episódios. Aguardemos.


Dentro desse episódio, as cenas de Sally e Don foram o ponto alto. É incrível como a garota evoluiu e amadureceu em todas essas temporadas, fazendo com que a personagem se tornasse uma das minhas favoritas e um elemento essencial da série. Aqui, vemos como apesar de Don estar em um estado deplorável por causa de seu afastamento da agência, seu Dia dos Namorados foi bastante agradável e surpreendente. Pode ser que haja esperança para Don de reparar sua relação com Sally. O relacionamento entre eles sempre foi baseado em mentiras e é evidente o quanto isso prejudicou a forma como eles se enxergam. Mas ele finalmente foi franco e verdadeiro com ela, e isso resultou em uma aproximação. Reparem como, inicialmente, com as mentiras contadas por Draper ela se sente incomodada e quer se afastar. No entanto, quando ele passa a ser franco ela se aproxima. E tudo isso resulta numa cena memorável para a série, onde Sally mostra que apesar de tudo ela ainda ama seu pai. Ao terminar o ''encontro'' com a mulher da sua vida, Don (e nós também) somos surpreendidos por um: ''Happy Valentine's Day, I love you''. O maravilhoso episódio então se encerra com Draper boquiaberto ao som de ''This Will Be Our Year'' do The Zombies.

A Day's Work mostra que, mesmo sendo remota, ainda há esperança para Donald Draper. Resta saber se Matthew Weiner vai nos enganar novamente e Draper afundará ainda mais em sua sujeira.

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