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Mariana Ribeiro Mariana Ribeiro Author
Title: [TEMÁTICA DDS] FUTURO(S)
Author: Mariana Ribeiro
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Futuro. Um tema muito interessante e até mesmo muito incômodo se formos refletir profundamente sobre o assunto. Começaríamos questiona...

Futuro. Um tema muito interessante e até mesmo muito incômodo se formos refletir profundamente sobre o assunto. Começaríamos questionando o que faremos amanhã e chegaríamos a pensamentos sobre o que será daqui a trinta, quarenta anos, daqui a um século, qual o mundo que deixaremos para nossos descendentes. São pensamentos que passam por nossa cabeça e podem nos deixar loucos. Aliás, não é a toa que pensando no futuro acabamos por abraçar o presente e deixarmos aquele para quando chegarmos lá. É basicamente daí que vemos algo como “carpe diem”, aproveite o momento, pois amanhã não seremos o que somos hoje. Mas seremos o que então? Cabe aqui pensarmos algumas possibilidades acerca do nosso futuro, partindo de filmes, livros e séries, que nos mostram  sociedades futuras fantásticas e ao mesmo tempo assustadoras.

Pessoalmente, e acredito que todos possam concordar, há dois grandes movimentos dentro do tema futuro: um futuro perdido, ameaçado por nossos instintos primários, e um futuro no qual a tecnologia impera. O futuro que vemos representado na televisão está quase sempre ligado à segunda opção. Claro que isso não é a toa, sabemos muito bem que nossa vida hoje depende muito de aparatos tecnológicos, o que não acontecia há alguns anos, mas o mais interessante é que essa evolução, porque certamente é isso, ocorreu de maneira intensa e em curto espaço de tempo. As 1ª, 2ª e 3ª Revoluções Industriais trouxeram o uso de várias fontes de energia e vários recursos tecnológicos na produção em massa, na medicina, e em artefatos pessoais, dentro de um espaço de tempo que vai do final do século XVIII até o início do XXI, o que, considerando a idade do mundo e do homem mesmo, é muito pouco tempo, e muito recente. Isso nos mostra que a evolução tecnológica é rápida e eficaz, e não seria total loucura considerar, daqui a pouco tempo, por exemplo, robôs vivendo em sociedade. É assim que filmes como O Homem Bicentenário de Chris Columbus e o tão conhecido O Exterminador do Futuro de James Cameron nos mostram a convivência de robôs com seres humanos, que pode ser pacífica ou destrutiva. No primeiro filme é contada a história de Andrew, um robô adotado por uma família para pequenos serviços domésticos, que, com o passar do tempo, começa a se comportar como humano, tem sentimentos humanos, entre eles, o desejo de liberdade, e apesar de tudo, deseja somente ser como um humano e conviver ao lado destes. Aqui o robô é dócil, e bem diferente do segundo filme, em que robôs e humanos estão em guerra declarada, e um desses dois lados deve ser exterminado, não há acordo entre eles. Em ambos os filmes o robô tem características humanas e é independente em seus anseios, que podem ser a convivência amigável ou o domínio do mundo. Assim já começamos a ver a influência da tecnologia em outros âmbitos do cotidiano, e os extremos em que o futuro da humanidade pode chegar: a extinção. Ainda cito mais alguns filmes dessas duas vertentes, sendo da primeira o comovente A.I.-Inteligência Artificial de Steven Spielberg, e, da segunda, Blade Runner, O Caçador de Andróides de Ridley Scott. Filmes como Wall-E de Andrew Stanton e Eu, Robô de Alex Proyas mostram a quase extinção da humanidade e a difícil convivência desta com robôs. 

Assim como é possível pensar em robôs, abro um parêntesis para pensar naqueles filmes que vão mais longe e nos trazem alienígenas ou seres e acontecimentos fora de nossa realidade, que também me parece muito interessante. Esses seres são bem mais evoluídos e conhecem os segredos para uma convivência pacífica na terra. Porém querem algo em troca, o que gera muita confusão, como no filme A Hospedeira de Andrew Niccol, em que almas dominam e se aproveitam de seres humanos para manter o controle conquistado sobre a terra, e ao mesmo tempo criam um mundo onde todos gostariam de viver. Assim, é trazida a questão do valor de um mundo perfeito, o que seria, obviamente, a dominação mesmo que indireta, já que os humanos acabam dependendo desses seres para se manter, o que também ocorre em Minority Report – A Nova Lei de Steven Spielberg, em que os precogs praticamente definem toda a maneira de agir da polícia, que não pensa duas vezes antes de caçar John Anderton, que se vê assassinando alguém no futuro através desses seres paranormais, que embora não sejam exatamente aliens, têm algo de especial. Assim, vemos várias tentativas dos alienígenas de chegar até a terra, seja em missão de paz, seja em algo que vai além disso, trazendo um mistério bem mais profundo, como na série V. Claro que também temos aqueles aliens que só vem para...não sabemos ao certo, mas que invadem e vivem na terra causando o caos como em Homens de Preto de Barry Sonnenfeld e outros que incluem essa invasão muitas vezes em busca de domínio imediato, diferente dos alienígenas citados anteriormente, que chegam com uma aparente mensagem de paz.

Voltando para o tema tecnologia imperando sobre o homem, temos filmes e textos que, de maneira muito interessante e por vezes chocante, nos apresentam um futuro alterado pela tecnologia em todos os sentidos. Um exemplo nítido disso é Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, que nos apresenta um mundo totalmente artificial, em que nossos instintos e sentimentos, ou seja, tudo o que nos faz humanos é controlado. A princípio isso realmente funciona se quisermos uma sociedade pacífica, sem grandes atribulações. Porém, é questionado a duração disso tudo, dado o quão limitador isso é, e o quanto nos reprimiria uma sociedade assim, já que as artes e literatura, extremamente importantes para o ser humano, foram totalmente banidas, tanto que nem mesmo chegam a fazer sentido para os indivíduos que compõe essa sociedade. Nessa mesma linha da literatura distópica, temos o famoso 1984 de George Orwell e Fahrenheit 451 Ray Bradbury, em que esse avanço tecnológico se torna invasor, e não se sabe mais se a privacidade realmente existe. Assim, há alguns filmes que também chegam a essas questões, como A Ilha de Michael Bay e Gattaca – Experiência Genética de Andrew Niccol. O primeiro trata de uma sociedade futurística em que toda a população não passa de clones, feitos para satisfazer pessoas reais, e o segundo lida mais com a questão dos genes, e como esses se tornam a identidade das pessoas, que são perfeitas quando criadas em laboratório, enquanto os nascidos da maneira usual são seres imperfeitos e que não merecem uma vida digna. Principalmente em Admirável Mundo Novo e Gattaca – Experiência Genética vemos como a sociedade busca a perfeição pela homogeneidade, em que todos devem ser perfeitos e fabricados em laboratório, ou seja, seres quase que idênticos, sem desejos, sonhos, pensamentos e sentimentos próprios. 


Ainda nessa caminhada para um futuro tecnológico, temos a série britânica Black Mirror, que de certa maneira está mais próxima de nós do que os outros filmes e textos. Com duas temporadas muito bem elaboradas, essa série nos traz questões que envolvem os efeitos negativos de algo que deveria nos ajudar, como, por exemplo, a internet, a televisão, o telefone e qualquer outra tecnologia que temos em nosso cotidiano. A série revela qual precisamente são os efeitos desses objetos em nossas vidas, e acaba nos mostrando um lado do ser humano nada agradável. Há vários textos interessantes na internet sobre Black Mirror, vale a pena utilizar um pouquinho dessa nossa trágica tecnologia para conferir. Outros filmes, como Idiocracia de Mike Judge já partem para um lado mais extremo, mostrando como a sociedade pode emburrecer no futuro. Também podemos lembrar aqui do recente Ela de Spike Jonze, que mostra também essa dependência do homem pela tecnologia. Por dependência, também lembro de A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz, tão temido por jovens vestibulandos, e que mostra a relação de Jacinto com as coisas inovadoras e tecnológicas, como se o personagem necessitasse disso para viver. Porém, tudo não passa de uma pilha de lixo, pois somente satisfaz alegrias imediatas, e não nos oferece um preenchimento por completo e duradouro.

Nos resta agora abordar o lado um pouco diferente do futuro, aquele em que, até mesmo por esse abuso do que a tecnologia tem a nos oferecer, o mundo se acaba. Quando digo isso, a primeira coisa que me vem à mente é O Planeta dos Macacos de Franklin J. Schaffner, que apesar de não estar precisamente no futuro, mas simplesmente em outro planeta, vemos os humanos dominados por aquele com quem, cientificamente falando, possui um ancestral em comum, o macaco. Há toda essa questão sobre “e se” envolvida nesse filme, como: e se os macacos tivessem dominado a terra ao invés dos humanos? E se eles fossem mais inteligentes do que nós? Dessa forma, vemos um mundo totalmente selvagem para nós humanos, quase que primitivo, por assim dizer. Há também alguns filmes mais precisos nessa questão de um futuro em que o mundo foi destruído ou está preste a ser destruído, em que o foco principal são as relações entre as pessoas e como a sociedade lida com situações extremas que surgem de repente e sem nenhuma explicação aparente. Exemplos são os filmes A Estrada de John Hillcoat em que pai e filho devem sobreviver em um mundo sem comida ou energia, e Filhos da Esperança de Alfonso Cuarón, no qual a ameaça da extinção humana é iminente. Em ambos os filmes os indivíduos se desdobram para salvar a única esperança da humanidade ou, como no primeiro filme, para assegurar que sobrevivam mais um dia, sem saber o motivo exato, já que tudo se acabou. São casos em que o ser humano precisa viver com ameaças constantes, sendo uma delas ele próprio, uma vez que em nosso presente temos tantas atividades e problemas no mundo externo que nem mesmo temos tempo para lidar com nós mesmos e de nos descobrirmos de verdade. Por fim, cito a série Revolution que exemplifica bem toda essa questão da crise entre humanos a partir da falta de eletricidade e a volta para um mundo anterior às Revoluções Industriais.


Portanto, o futuro que vemos no cinema e em livros nos mostra algo negativo, como se todos os avanços que tivemos e que ainda estão por vir fossem nos trazer algo de ruim, que interferiria em nossas vidas de maneira rápida e destrutiva. Em alguns casos, como o do romance distópico por exemplo, a intenção é exatamente essa: como viver num futuro em que a evolução tecnológica interfere em nossas vidas privadas e na estrutura social, tornando-a artificial? Assim, o grande inimigo de nosso futuro é a tecnologia, que já interfere em nosso cotidiano, afinal, nossos antepassados não ficavam tanto tempo na internet quanto nós, e qualquer tipo de sistema era manual, sendo que hoje não fazemos nada sem um computador.

Entretanto, gostaria de ressaltar que ainda temos uma opção: viagem ao futuro. E se pudéssemos  dar uma olhada em nosso futuro com uma viagem ou talvez premonições? Claro que a primeira opção seria um pouco complicada, a não ser que estivéssemos em De Volta para o Futuro de Robert Zemeckis, e tivéssemos uma máquina que nos desse a oportunidade de concretizar tal feito. No cinema, tanto a viagem através de uma máquina quanto as premonições são referentes à nossas próprias vidas em relação à atitudes que tomamos com as pessoas ao nosso redor ou não, como no filme citado anteriormente e outros que seguem a mesma linha: o nacional O Homem do Futuro de Cláudio Torres e A Máquina do Tempo de Simon Wells e Gore Verbinski, sendo que em todos eles a alteração de um fator acaba alterando toda a vida de uma pessoa, que, assim, não seria mais a mesma pessoa de antes da viagem no futuro. Também temos o Efeito Borboleta de Eric Bress e J. Mackye Gruber, que é diferente em relação aos outros pelo fator máquina do tempo não estar inserido. Já as premonições são mais imediatas e poucas vezes podemos fazer algo para mudar isso, como em Premonições de Mennan Yapo ou Premonição de James Wong e a série de filmes que o seguem, e até mesmo uma experimentação do futuro como na série FlashForward (ou o livro de Robert J. Sawyer no qual foi baseada). A intenção é mostrar que estamos em um momento de premonição como tantos livros, filmes e séries nos mostram, porém, diferente dos filmes citados, uma vez que não é imediata, desconhecida ou impossível, e ainda temos tempo para pensar, conferir e talvez mudar nosso futuro caso ele realmente seja como o cinema ou Huxley nos mostram...e como não estamos presos em nenhum Feitiço do Tempo de Harold Ramis só o que nos falta é uma máquina para isso. Ideias?
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