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Poliana Mendes Poliana Mendes Author
Title: TYRANT - S01E02/03: STATE OF EMERGENCY/MY BROTHER'S KEEPER
Author: Poliana Mendes
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O poder que a família tem de (des)construir um homem. Desde o primeiro momento, Tyrant nos mostrou dois lados da mesma moeda. Barry...
O poder que a família tem de (des)construir um homem.

Desde o primeiro momento, Tyrant nos mostrou dois lados da mesma moeda. Barry e sua extrema covardia em fugir sempre quando algo que ele teme está próximo de acontecer, contra Jamal e sua mente perturbada fazendo de tudo para não usar sua inteligência para apaziguar as coisas. É notável como um depende do outro e sempre dependeu, se Bassam hoje sempre foge dos problemas e da sua família em Abbudin (até que enfim deram um nome para a cidade fictícia) é por que no passado ele fazia o papel de irmão mais velho e tentava proteger Jamal das barbaridades que seu pai já os impunha desde quando eram crianças.

Esse problema do Jamal em ter sido protegido quando criança e posteriormente “abandonado” por seu irmão mais novo acarretou em problemas seríssimos para a sua personalidade. Ele é mimado, quer tudo para ontem nas suas mãos, é egoísta ao extremo e o pior de tudo, pratica barbaridades contra quem estiver no seu caminho por puro prazer. O personagem é repugnante, por alguns momentos até se vê um resquício de humanidade, mas é impossível criar empatia por alguém que estupra a própria nora porque quer que o seu filho se decepcione na hora H. Esse caminho que os roteiristas estão levando Jamal é muito perigoso, porque ao mesmo tempo que ele se torna um personagem interessante de se acompanhar por causa de todas suas perturbações, também fica muito difícil de torcer por ele, de se compadecer com algum problema seu. Se é para criar um vilão logo de início deveriam ter ido com calma e maneirado mais nas suas ações, pois nunca se sabe como um personagem pode ser visto pelos espectadores. Mas sinceramente, não vejo Jamal se redimindo de qualquer coisa que ele já fez nesses 3 primeiros episódios, a minha misericórdia ele não tem e nunca terá.
Já Barry, é um covarde que podemos até entender. Quando criança matou para defender seu irmão, teve um caso com a mulher do mesmo (resta saber se Leila na época já tinha alguma relação com Jamal ou não), depois de tudo o que vimos e ainda veremos do seu passado, motivos foram o que não faltaram para ele fugir e renegar toda essa vida luxuosa dos Al Fayeed. E conseguimos entender mais um pouquinho dos seus medos nesses 2 episódios. Bassam não é um ditador, pode ser que na sua adolescência tenha se perdido, mas o seu maior medo ao meu ver é ter que enfrentar toda essa tirania do seu país, tendo que lidar ainda com problemas familiares (traição contra seu irmão, filho gay) mais cedo ou mais tarde.

Enquanto isso a guerra é sempre anunciada em países mulçumanos por garotos que mal saíram das fraldas mas que acham que estão fazendo algo pelo bem maior, que Deus irá recompensá-los e etc. Esse assunto é bem delicado de se tratar, tendo em visto que cada cultura tem suas fés e motivações e como eu desconheço muita coisa dos mulçumanos não posso falar do que não sei. A interligação entra Fatma e o terrorista Irah foi um acerto do roteiro, que mostra que sabe o que estão fazendo, conseguindo ligar uma história com a outra que no primeiro momento não tinham muita ligação.

E o núcleo adolescente mais uma vez nos apresenta uma trama fraca e clichê, no qual há um romance entre filho de patrão e de empregado. Claro que o casal sendo gay, dá uma dinâmica diferente para o plot mas ainda assim continua pouco atrativo e quando nem mesmo a série quer mostrar realmente essa relação amorosa. Tentando preservar dois jovens, ou até mesmo os telespectadores mais conservadores do show, optaram por não mostrar um simples e singelo beijo entre os dois, mas a menção de um oral é super normal mostrar né.
Do mesmo jeito que reclamei do primeiro episódio em que a série poderia muito bem ter uma coragem maior de tratar sobre assuntos tão relevantes quando o assunto são os países mulçumanos e como os Estados Unidos lidam com eles, faltou coragem agora para mostrar o relacionamento gay. Potencial a série vem mostrando que tem, resta saber até onde eles estão dispostos a ir para tocar na ferida da sociedade que ela retrata e que assiste o show.

P.s.*: Ainda não entendi qual era a intenção da agulha com sabão, alguém sabe me dizer se uma agulhada com sabão tem o poder de matar?

P.s.**: Quer mais ironia que um estuprador praticamente ser capado por uma de suas vítimas?

P.s.***: Quantos episódios para Barry e Leila reviverem o passado?
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