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Title: [C.NERD] RESENHA - AS BRUMAS DE AVALON
Author: Raphael Gomes
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A lenda do rei Artur mais uma vez retorna com sua imponência e deslumbre diante de um mundo que gostaríamos que fosse real. Desta v...


A lenda do rei Artur mais uma vez retorna com sua imponência e deslumbre diante de um mundo que gostaríamos que fosse real. Desta vez, Marion Zimmer Bradley nos faz um convite para um mergulho feminino, contando a história das mulheres por trás do trono.

A série é divida em quatro livros: “A Senhora da Magia”, “A Grande Rainha”, “O Gamo-Rei” e “O Prisioneiro da Árvore”. A história começa a ser narrada antes do nascimento de Artur até depois de sua morte, sendo Avalon o ponto de partida da história.

Viviane, Senhora do Lago da época, e Taliesin, Merlin da Bretanha, planejam desde o nascimento de Artur até sua ascensão ao poder. Mas Artur acaba se afastando do seu juramento com a religião da Deusa, influenciado por sua esposa, Gwenhwyfar, que é uma cristã fervorosa.

Enquanto Artur batalha para conter a invasão saxônica e trazer paz ao reino, as mulheres travam suas próprias batalhas buscando poder, amor ou mesmo para impor sua religião. Gwenhwyfar e Morgana são as grandes representantes da maior batalha do livro, a guerra entre a religião da Deusa e a religião do Cristo crucificado. Enquanto a rainha luta fervorosamente para varrer do país todos os rituais pagãos, Morgana luta para sua religião não seja esquecida e Avalon não se perca nas brumas.


Por abranger um período muito extenso de tempo, a história decorre em torno de 70 anos ou mais, dezenas de personagens secundários são importantes para a história, mas, basicamente, a história orbita ao redor de Morgana, Artur, Gwenhwyfar e Lancelote.

Morgana das fadas, como era usualmente chamada, é meia irmã de Artur e sacerdotisa de Avalon. Apontada como sucessora da Senhora do Lago, é uma mulher forte, embora assombrada pelos seus constantes erros do passado e pela rejeição sofrida por Lancelote. É a força protetiva dos interesses da Deusa, mesmo após abandonar Avalon, e a principal combatente contra a expansão cristã.

Artur é um rei amado pelos súditos, principalmente pelos populares cavaleiros da Távola Redonda. Não é um guerreiro tão fabuloso, mas como possui Excalibur e a bainha mágica para salvá-lo repetidas vezes, consegue um reinado longo. Atormentado pelo desejo por sua irmã e pelo amor reprimido por Lancelote, ele vive um casamento frustrado, devido à esterilidade de sua esposa, embora realize todos os desejos dela.

Gwenhyfar é fanática religiosa, responsável por afastar Artur de seu juramento com Avalon. Dilacerada pela impossibilidade de ter o homem amado, Lancelote, convive ainda com a culpa de não conseguir gerar um herdeiro ao trono. É uma mulher cheia de fobias e convive com o medo da ira de Deus.

Lancelote, primo de Artur e o cavaleiro mais famoso do reino, é invejado por sua beleza e por sua habilidade com cavalos. Desolado pelo amor impossível pela raiva, e também pelo amor secreto por Artur, se torna uma pessoa solitária.


O livro é envolvente, muito bem escrito, capaz de nos abraçar a magia nos rituais de Avalon ao passo que deslumbramo-nos com a corte de Camelot. As intrigas da corte, as questões de estado, os amores impossíveis, os rituais pagãos, tudo muito bem explorado por Marion que nos leva a uma nova visão de uma história já conhecida.

A batalha entre o Cristianismo e a religião da Deusa são os motores da história, e embora nos seja revelado os dois lados dessa guerra, não há como não apoiar o lado de Avalon e se enraivecer com a expansão cristã. Creio ser esse o maior motivo para o amor que a maioria dos leitores possui por Morgana, a torcida para que a religião da Deusa prevaleça.

Sempre nutri um sentimento de ódio por Morgana, suas decisões precipitadas e impensadas, sua revolta com minha adorada Viviane, enfim, suas atitudes levaram-me a odiá-la na primeira vez que comecei a ler essa série. Agora mais velho, e após a leitura completa, percebo que Morgana era humana, uma das maiores características da sua personalidade, seus erros e revoltas são atitudes aceitáveis, pois é algo que qualquer um faria na sua situação. O amadurecimento da personagem nos dois últimos livros é monstruoso e fantástico. Consegui olhá-la com outros olhos, embora ainda não consiga gostar dela.

Por falar em ódio, vamos falar de Gwenhyfar, a personagem odiada por 9 entre 10 leitores da série. Não a odiava por seu fanatismo religioso, como a maioria, mas sim por sua falta de habilidades. A rainha era linda, e somente, não possuía outro atributo que não fosse beleza, era péssima para gerenciar o castelo, não se interessava por assuntos de estado, era preconceituosa com quem não fosse belo, só conseguia ver defeitos nela. Além de todas as suas fobias, que me levavam sempre a crer que ela possuía sérios distúrbios psicológicos. Ela não precisava ser boa em nada, já que possuía vários criados para executar suas tarefas, mas por ser uma influência tão forte sobre o rei, imaginava que ela poderia ter algo mais. Não entendo ainda o motivo de o rei ser tão facilmente levado por ela, pois na maioria das vezes ele parecia ser movido por pena, devido à sua esterilidade.

Um dos trunfos da autora foi humanizar todos os personagens. Aqui não são vilões malvados e inocentes mocinhos, todos possuem sentimentos bons e ruins e eles se revelam conforme seus interesses. Até a pura Gwenhyfar tem seus momentos de maldade. A personalidade dos personagens foi muito bem exposta, como também a mudança deles. Vemos, por Igraine e Kevin, as mudanças radicais na personalidade de alguns personagens com o passar dos anos, brilhantemente descrito.

Excalibur foi muito bem introduzida na história, e embora seja uma das relíquias sagradas de Avalon, a autora não atribui uma importância mágica a ela. Ela é um símbolo a ser seguido, basicamente, me agradou essa abordagem por não dar mais crédito a espada do que ao próprio rei.

Esplendido a forma que a autora cita várias referencias, aparentemente sem conexões com a lenda de Artur, mas que se encaixam perfeitamente no livro. O monstro do lago Ness, Atlântida, o Santo Graal, são alguns dos exemplos, a autora me surpreendeu por citá-las.

Não me canso de elogiar essa série, com certeza é uma das melhores adaptações da lenda de Artur. Se permitam viajar nessa fantasia ou até revisitar esse universo tão rico e mágico. Tornou-se um dos meus livros preferidos já nos primeiros capítulos.


AUTOR: Marion Zimmer Bradley
PÁGINAS: 1024 (ao todo)
EDITORA: Imago
LANÇAMENTO: 1983
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P.S. Obrigado Ana Luísa por tentar colocar ordem nos meus pensamentos desconexos e revisar o começo do texto.
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