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Title: [TEMÁTICA DDS] LIVROS E ESCRITORES: REFLEXÕES
Author: Mariana Ribeiro
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Aqui está mais um texto do Temática DDS. É nesse quadro que temos a oportunidade de lembrar e pensar sobre nossos filmes, séries e livro...

Aqui está mais um texto do Temática DDS. É nesse quadro que temos a oportunidade de lembrar e pensar sobre nossos filmes, séries e livros favoritos ou talvez dos quais nunca ouvimos falar. Assim,  é voltando em direção ao próprio quadro que falaremos um pouco de livros e escritores. Sim, livros e escritores que influenciam nossas vidas como leitores e até mesmo quando assistindo um bom filme. Livros e a literatura influenciam e mudam a vida de muitas pessoas, e por isso mesmo pode mudar a vida de escritores que são influenciados pela obra e influenciam nela. Isso quando a história sobre determinado livro ou escritor não influencia na História, revelando novidades e criticando sistemas falidos e modos de repressão. É por isso que vale a pena relembrar esse mundo maravilhoso que nos cerca tanto por si mesmo quanto por outros meios, como o cinema: o mundo dos livros e seus escritores.

Dessa maneira, creio que seria bom começar pelos nossos queridos autores, responsáveis por nossas obras mais famosas, como, por exemplo, no filme Goethe! de Philipp Stölzl, em que vemos Goethe passar por toda a angústia de um amor impossível, o que, inclusive, influencia seu famoso livro que bem conhecemos: Os Sofrimentos do Jovem Werther. Tanto nesse filme quanto em O Corvo de James McTeigue, que retrata de modo ficcional as últimas horas de Edgar Allan Poe, vemos escritores que por vezes nos parecem tão distantes se tornarem nada mais que humanos, cheios de desejos e características que talvez não imaginávamos, como Goethe sendo engraçado e cheio das piadas, enquanto Poe é retratado como um homem histérico e extremamente crítico. Assim também temos filmes como Shakespeare Apaixonado de John Madden, Eclipse de uma Paixão de Agnieszka Holland e Em Busca da Terra do Nunca de Marc Forster. Também o filme As Horas de Stephen Daldry merece grande destaque, já que retrata Virginia Woolf e outras duas mulheres que estão ligadas pelo mesmo  livro, Mrs. Dalloway, da própria Virginia. Aqui vemos tanto uma grande escritora com toda sua angústia da vida, como também a influência que um livro exerce na mudança de comportamento e tomada de atitudes na vida de uma pessoa, o que mostra o quanto alguém pode se identificar tão intensamente com uma história ou um escritor. 

Além de podermos ver escritores do passado sendo revividos no cinema, também temos a oportunidade de ver livros causando polêmicas como em Uivo de Jeffrey Friedman e Rob Epstein, grande filme que mostra a história de como uma livraria responsável pelo livro de poemas escrito por Allen Ginsberg foi levada à julgamento por sustentar tal livro cheio de conteúdo “inapropriado” e “pornográfico”. O filme, além de ser uma grande experiência em todos os sentidos, é interessante por abordar a tão famosa questão que sempre perturbou e continuará a incomodar: O que pode ser considerado literatura? Porém, o que realmente chama a atenção é o fato de que ninguém é capaz de fazer tal tipo de julgamento, pois como todos sabemos, muitos movimentos literários surgiram em meio a recusa e ao pensamento conservador, e só foram aceitos tardiamente. Se pensarmos bem, chega até mesmo a ser ridículo a situação de que um livro possa ser julgado apropriado ou não para ser lançado em meio a sociedade, e mais ridículo ainda é o fato de que isso realmente aconteceu. Assistindo o filme também é possível conhecer um pouco dos poemas e da vida de Allen Ginsberg. Assim, vemos como um livro pode balançar e mudar pensamentos já estabelecidos na sociedade há muito tempo. Outro filme que vai pelo mesmo caminho é Na Estrada de Walter Salles, em que a liberdade e a escrita se misturam na vida de um jovem escritor.

Em relação aos livros ainda temos A Menina que Roubava Livros de Markus Zusak que atualmente ganhou uma versão no cinema, e que nos mostra claramente como a literatura e os livros abrem a mente das pessoas quando elas mais precisam, como no caso Liesel, que tem sua vida mudada quando aprende a imaginar e pensar no mundo a partir do que lê. Também no filme As Palavras de Brian Klugman e Lee Sternthal temos um escritor  injustamente não reconhecido que se apropria de uma história que encontra em uma mala perdida. Claro que depois, quando conhece o verdadeiro escritor, tenta se retratar, mas alega que a história era tão boa que ficava em sua mente como se fosse ele mesmo que tivesse escrito aquilo. São pequenas situações e contatos com livros que mudam grande parte da vida dos personagens. Filmes que vão nessa mesma linha são Garotos Incríveis de Curtis Hanson e Sociedade dos Poetas Mortos de Peter Weir, sendo que no último vemos não exatamente a influência de livros, mas de grandes conceitos que influenciam na literatura e que mudam drasticamente a vida de um jovem. 


Ainda vale lembrar de Dom Quixote de Miguel de Cervantes, que influenciado por novelas de cavalaria, decide que é um personagem das histórias que leu. Claro que o personagem é tido como louco, e o livro todo é, na verdade, uma metáfora e crítica direcionada à Espanha, mas vale notar que os livros não deixam de influenciá-lo, e também convenhamos, quem nunca sonhou em participar ou ser um personagem de seu livro preferido? O Nome da Rosa de Umberto Eco também carrega um mistério envolto em livros, dessa vez considerados inapropriados pela Igreja Católica Medieval. Nesse livro, assim como em Dom Quixote, também temos críticas evidentes ao pensamento medieval e o retrato do início do Renascimento e do pensamento moderno, que traria novas formas de pensar a realidade e liberaria livros antes mantidos em segredo, pelo simples motivo de que pudessem levar as pessoas ao pensamento crítico, sem limitações. 

Ainda em relação aos livros, mas voltando mais para o ato da escrita, creio que o filme Mais Estranho que a Ficção de Marc Forster merece destaque. É um filme realmente diferente, pois aborda de maneira cômica e bem elaborada a própria técnica da escrita: do narrador ao personagem. É possível acompanhar duas histórias: a da escritora e a de seu personagem, que escuta constantemente uma voz narrando suas ações e pensamentos, mas não entende o porquê isso acontece, pois em seu mundo, é uma pessoa como todas as outras. Dessa maneira, o filme nos leva a pensar na possibilidade da existência de nossos personagens favoritos na vida real, e como isso seria se de fato a ficção invadisse o nosso mundo ou vice-versa, como na série Perdida em Jane Austen, em que uma jovem acaba trocando de lugar com Elizabeth Bennet, protagonista de Orgulho e Preconceito.

E finalmente, voltando aos escritores, creio que é apropriado citar aqui alguns filmes que mostram como pode ser complicada e estranha a vida de um escritor. Em Desconstruindo Harry de Woody Allen vemos como suas relações com amigos e familiares influenciam nos livros escritos por Harry, e como essas influências não agradam as pessoas que o cercam. Desse modo vemos como pode ser difícil escrever sobre experiências pessoais que envolvam outras pessoas que por sua vez acabam sendo ficcionalizadas nos livros, o que, na verdade, separa e diferencia a pessoa real do personagem, mas que muitas vezes podem confundir as pessoas, como mesmo no caso de Goethe e de seu personagem Werther: o primeiro somente influencia na construção do segundo, que é ficcional, e portanto diferente da pessoa no qual foi inspirado ou o primeiro é o segundo? Também em Sem Limites de Neil Burger vemos o drama do famoso bloqueio pelo qual vários escritores passam e que representa uma grande ameaça para o trabalho de um escritor. É assim que o protagonista busca uma maneira de acelerar seu processo de escrita por meio de um medicamento estranho e ainda não aprovado. Outros filmes que retratam a vida ou os problemas da profissão são Duplex de Danny DeVito e Melhor Impossível de James L. Brooks. Porém, em alguns casos os escritores da ficção - ou até mesmo da realidade, quem sabe? - podem se envolver com forças estranhas em seus momentos de aflição em relação ao seu trabalho, como no caso da minissérie Bag of Bones, em que um escritor passando pelo bloqueio acaba se envolvendo em um assassinato não resolvido e muito misterioso. A Entidade de Scott Derrickson também se enquadra nos escritores que acabam envolvidos em mistérios sobrenaturais. Talvez por já possuirem uma mente voltada para a arte de criar situações é que as percebem facilmente. Claro que também temos aqueles que fazem tudo por uma boa história como Ezra na série Pretty Little Liars, que acaba traindo a confiança de várias pessoas ao seu redor. Em alguns casos temos até escritores que recebem suas influências de maneira muito literal e pouco usual, e acabam saindo da realidade como na série The Following e no filme Janela Secreta de David Koepp, em que os Joe e Mort endoidecem de vez e perdem a noção do certo e errado, do real e do ficcional. 


Assim, com tantos tipos de escritores e de livros que influenciam nossa visão de mundo, é notável que tenhamos várias séries e filmes que abordem o assunto. Mesmo que não percebamos, os livros acabam nos influenciando de uma maneira ou outra, seja quando lemos, ouvimos falar ou assistimos algo que nos atrai para a história ou para o escritor, e acabamos nos apaixonando e simpatizando com um personagem ou aquele escritor que tanto gostaríamos de conhecer. Por vezes até mesmo misturamos o real e ficcional e não sabemos qual a linha de separação entre esses dois mundos, ora porque simplesmente queremos misturar os dois mundos, ora porque a história nos faz acreditar que é real. Além disso devemos lembrar que muito do que pensamos está ligado ao que lemos e aprendemos no cotidiano, através das letras e palavras organizadas em histórias fantásticas que guardamos na memória e que sonhamos em um dia, talvez, poder participar de alguma delas ou colocar no papel as nossas próprias, que com certeza são especiais.  

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