Comentários
Raphael Gomes Raphael Gomes Author
Title: [FILMES] CRITICA #53: LIVRAI NOS DO MAL
Author: Raphael Gomes
Rating 5 of 5 Des:
A sensação que tive ao sair da sala de cinema após assistir Livrai-nos do Mal foi a de que eu havia assistido ao filme errado. Mas não...

A sensação que tive ao sair da sala de cinema após assistir Livrai-nos do Mal foi a de que eu havia assistido ao filme errado. Mas não era um filme de exorcismo? Era o que martelava a minha cabeça enquanto me dirigia ao táxi mais próximo. Bem, alguém avisou o roteirista e o diretor que era pra ter saído um filme de terror? Acho que não.

Ralph Sarchie é um policial que começa a investigar casos estranhos acontecendo em sua cidade, como uma mulher que jogou seu filho na jaula dos leões, uma casa assombrada, enfim, casos que aparentemente não possuem ligação direta. Mas Ralph tem um dom especial, que seu parceiro chama de “radar”, de escolher casos perigosos, onde há o verdadeiro mal. E esses casos começam a se conectar de forma espantosa.

A família de Ralph é exaustivamente explorada no filme, em uma tentativa de nos conectar com eles e nos importarmos com os acontecimentos à frente. Mas acaba acontecendo o contrário, o filme fica enfadonho e chega ao ponto de parecer que se está assistindo a um drama familiar e não um filme de terror. Mas a filha dele até que rende algumas cenas engraçadas no filme, foram desnecessárias, mas rimos bastante da coruja rodando no chão. Sério que o diretor achou que aquilo amedrontaria alguém? Tipo sério mesmo produção?

O desenvolvimento do filme é lento, até as investigações dos policiais chegarem ao que realmente está acontecendo, já se passa mais de uma hora e você já está se perguntando “cadê os demônios dessa bagaça?”.

Por falar em demônios tenho que comentar sobre os “possuídos” do filme. Eu geralmente reclamo que filmes de possessões são fracos porque exageram na maquiagem e efeitos dos possuídos e acabam parecendo artificial demais. Já em Livrai nos Do Mal, eles decidiram não cair nesse truque e usaram pouquíssimo, e por pouquíssimo digo quase nada de maquiagem e efeitos. Os possuídos só falam coisas sem sentido e outras línguas, mordem e cantam The Doors, somente. Maquiagem de menos também não assusta gente, sério mesmo, até o personagem do filme estava zombando da forma que a possuída falava, foi bulling com ela.

Tentaram colocar uns sustos aqui e ali, usando espelhos e filmagens, mas eram tão óbvios que não fizeram efeito nenhum. As piadas colocadas funcionaram bem mais, em várias cenas o riso contagiou a sala de cinema em que eu estava. Bem incomum em um filme de terror, mas rimos muito.


O padre que ajuda o policial é bem descolado, não usa batina, bebe feito louco e recebe cantada de gatas na balada. Eu sei que usar batina é bem anos 2000, mas querendo ou não damos mais credibilidade a um padre sério, por vezes até esquecia que ele era padre. Os irmãos Winchester de Supernatural de batina parecem mais padres que esse cara.

Algo que me incomodou durante todo o filme foi o “dom” do Ralph. Só ele ouvir vozes e ver coisas em gravações, de sentir a presença do mal, queria passar a imagem dele como escolhido de Deus para combate do mal, mas não convenceu. Ficou forçado e nem ele caiu nessa.

No final do filme, quando você já quase perdeu as esperanças dele ficar bom, começa o exorcismo, aquele momento de excitação por dentro. Porém seria uma pena se bem no meio do exorcismo a gente colocasse The Doors pra tocar, não seria? Na boa, nada contra The Doors, pelo contrário, adoro a banda, mas tocar uma música dessas no meio da cena é muita zuera com a minha cara.


O medo de um filme de terror vem da tensão psicológica que o filme consegue criar, não de fantasmas no espelho, ou gritos e sussurros vindos do nada, e sim da tensão. E não tem como manter uma tensão psicológica no meio de um exorcismo se você coloca The Doors pra tocar. E também não se você fica alternando exorcismo com cena de um policial morrendo de medo e xingando. Simplesmente arruinaram toda a cena de exorcismo, que também não estava boa, com erros bestas de edição.

Enfim, o filme é fraquíssimo, se trocarem a cena do exorcismo por um interrogatório, vira um drama familiar, ou um filme de investigação mesmo. Os trailers do filme são bem melhores que ele, melhor ficarem assistindo só isso.



TRAILER DO FILME:

Reações:

Sobre o Autor

 
Top