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Mariana Ribeiro Mariana Ribeiro Author
Title: [TEMÁTICA DDS] ANIMAL: REFLEXO DO HOMEM
Author: Mariana Ribeiro
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É certo que os animais em geral interferem em nossa vida diariamente, seja nosso bichinho de estimação, seja um animal do qual temos me...

É certo que os animais em geral interferem em nossa vida diariamente, seja nosso bichinho de estimação, seja um animal do qual temos medo e queremos estar longe, como os insetos quase que em sua totalidade. Também tem aqueles predadores poderosos e temíveis, e também aqueles que são maltratados diariamente, pois o animal pode ser o melhor amigo do homem, mas nem sempre o homem é o melhor amigo do animal. Assim, dedicaremos esse texto à uma reflexão sobre como esses adoráveis e terríveis bichinhos entram em nossas vidas de todas as maneiras possíveis. 

Nos filmes em geral vemos que os animais possuem forte ligação com o homem. Eles não só se identificam conosco, como também nos mostram como nós somos e nos portamos, principalmente nos filmes de animação com animais falantes, que são personificados a fim de nos mostrar comportamentos totalmente humanos misturados com comportamentos instintivos próprios dos animais, que é o que nos faz adorar esse tipo de filme, como Procurando Nemo de Andrew Stanton e Lee Unkrich e Happy Feet de George Miller para citar os animais mais humanizados que podemos encontrar, já que entre os peixes palhaço vemos o amor de pai e filho e também as amizades e ajudas que os peixes encontram nos mais diferentes lugares do oceano e até mesmo em um aquário, e no pequeno pinguim vemos como a diferença não é nem de perto um defeito, mas uma dádiva. Entretanto, nem sempre são as melhores características humanas que nos são mostradas, como em Rio de Carlos Saldanha, em que os animais precisam escapar de mãos furiosas que os querem capturar para lucrar com isso, o que acaba destruindo a vida dos pássaros, e, em maior escala, pode acabar com a variação de espécies que existe hoje. Assim também é o filme Os 101 Dálmatas de Stephen Herek, que não se trata mais de uma animação com animais falantes, mas ainda assim mostra a extinção de cães por motivos que podemos até mesmo chamar fúteis. 


Porém, o que mais temos visto, são histórias de amizades verdadeiras entre humanos e animais, amizades improváveis, mas que acabam por transformar a vida de ambos. Isso podemos ver em filmes como Corcel Negro de Carroll Ballard ou Seabiscuit – Alma de Herói de Gary Ross, em que cavalos intratáveis se identificam com humanos e acabam se acalmando e conquistando, com o passar do tempo, coisas ditas impossíveis para esses animais com personalidades difíceis como, por exemplo, ser um cavalo de corrida. Assim, vemos que nenhum animal é intratável, sempre terá alguém com quem esse animal se identificará, e isso pode ser tanto um humano quanto um outro animal. Isso também mostra a paciência que devemos ter com os animais, que podem se revelar grandes amigos se dermos confiança e mostrar que estão seguros conosco. Os humanos aqui também têm sua vida mudada, pois ganham um amigo fiel para toda a vida. Falando em fidelidade também temos filmes comoventes como Sempre ao Seu Lado de Lasse Hallström, que, baseado em uma história real – o que nos deixa ainda mais comovidos – um cachorro espera pelo seu dono chegar do trabalho todos os dias em frente a estação de trem, mesmo depois que seu dono falece. Outros filmes que mostram a relação entre animais e humanos são Marley e Eu de David Frankel e Free Willy de Simon Wincer. É realmente impressionante como esses animais são tão inteligentes e mesmo assim, a fidelidade se torna uma força maior, que impede que Hachi, o protagonista de Sempre ao Seu Lado, deixe seu dono no esquecimento e viva bem com outras pessoas, assim como fazem os próprios humanos. Por vezes até mesmo pensamos se os animais são melhores humanos do que os próprios humanos, principalmente no que diz respeito à maus tratos contra seres inocentes. 

Maus tratos contra animais são motivo de polêmicas e discussões e continuarão a ser até que medidas essenciais sejam tomadas e os animais sejam definitivamente protegidos. A respeito disso, temos vários filmes que, por trás das câmeras e efeitos impressionantes, isto é, aquilo que acreditamos serem efeitos, temos pura crueldade contra animais, desde filmes antigos até os mais atuais, embora a questão da segurança dos animais em filmagens receba mais atenção hoje. É claro que sempre há algum problema, pois se pensarmos bem, animais não são feitos para nos servir como atores de grandes produções holywoodianas, mas muitas vezes esses problemas podem ser evitados e não o são. É dessa maneira que temos documentários reveladores como A Enseada de Louie Psihoyos, em que o massacre de golfinhos para servirem de alimento ou como atrações em parques aquáticos é trazido à tona de maneira chocante e triste. Por outro lado, temos a grande baleia branca cachalote destruindo os baleeiros que a machucam e a atormentam no romance Moby Dick de Herman Melville. Claro que o romance em si é complexo e cheio de inferências dignas de análises mais pontuais, mas de qualquer maneira ainda se trata da história de um animal que mostra o lado não amigo do ser humano.


Ainda temos outro tipo de filme, aquele que nos dá medo: filmes com cobras, crocodilos e tubarões enormes e cheio de dentes, ansiosos por devorar tudo o que encontram, guiados pelo instinto. Esse tipo de filme comporta o terror de ser atacado por animais impiedosos, que desta vez nos mostram como são diferentes dos humanos mas nem tanto, uma vez que nós também fazemos parte de uma cadeia alimentar, mas não precisamos caçar ou necessitamos estritamente de, digamos, proteína. Para citar mais alguns, além dos clássicos que todos conhecemos, ainda menciono Aracnofobia de Frank Marshall e Ratos de Tibor Takacs que sempre consegue aterrorizar com vários ratos famintos por carne. É cabível notar que por vezes são animais geneticamente manipulado por humanos, o que nos leva mais uma vez à questão de como nos portamos diante dos animais, ao fazer testes e transformá-los em monstros, já que não poderia ser de outra maneira com, por exemplo, uma cobra ou crocodilo guiados pelo instinto. Podemos resumir e dizer que esses animais nos mostram um pouco da falta de pensamento lógico humano, vulgo burrice. E ainda acrescentemos: isso é mostrado não só no momento de criação desses animais, como no momento de fugir e se esconder dos próprios. Ainda cito aqui Mistérios e Paixões de David Cronenberg, filme estranho e diferente, que mostra de que maneira o uso de inseticidas como droga tem como consequência insetos gigantes. Só assistindo para entender. 

Algumas menções ainda são importantes como O Gato Preto de Egdar Allan Poe e As Crônicas de Nárnia de C.S. Lewis. Esse conto e série de livros respectivamente nos mostram ainda outras faces dos animais. O primeiro nos mostra um gato sinistro e ao mesmo tempo vítima de um homem movido por impulsos assassinos e pelo álcool, mas que acaba não só sobrevivendo como também, de maneira sombria e misteriosa, característico de Poe, acaba entregando o homem pelo seu crime, tudo com seu tom sinistro de gato, que só os gatos sabem ter. O gato, ou qualquer gato preto, com seu ar misterioso reflete diretamente o que está dentro do indivíduo, o que faz com que o homem em questão dê fim no pequeno gato, para dar fim no seu sentimento desagradável. Claro que não consegue, mas de qualquer forma vê-se o poder dos animais em nos mostrar muitas vezes quem somos. 
Já em Nárnia, que inclusive ganhou adaptações para o cinema de três de suas histórias, temos não só animais falantes como seres mágicos de toda a espécie. Mas o que realmente chama atenção é o leão, que sendo um animal grandioso e imponente, serve como metáfora para várias questões e transmite todo o tipo de conhecimento e reflexões possíveis. Aslam é um ser mágico mas é ao mesmo tempo um leão, um grande felino com o qual podemos contar sempre que preciso. Aqui, mais uma vez, a fidelidade e identificação do animal com o ser humano ocorre, e se estabelece uma ligação muito forte entre ambos.

Por fim, vemos que seja o filme que for, sempre teremos uma conexão com os animais, seja por possuirmos as mesmas características que lhes são atribuídas, seja pela relação que construímos com eles, que pode ser tanto boa como, infelizmente, de exploração. Sabemos que não podemos viver sozinhos nesse mundo, precisamos de animais que reflitam nossa maneira de se comportar diante da natureza e diante de nós mesmos, pois sendo animais guiados por impulsos e instintos, simples como até mesmo poderíamos pensar, são os mais verdadeiros, mais até do que nós humanos, cheios de complexidades e de paranoias, sempre tentando esconder a verdade e tornar tudo difícil, mais mesmo do que realmente é. Dessa maneira, prestemos uma simples homenagem e reflexão aos nossos amiguinhos, que mesmo estando em florestas e lugares distantes e também em casa aturam, sem obrigação nenhuma, a raça humana e convivem com ela todos os dias sem reclamar ou resmungar como é característico dessa raça misteriosa que somos. 

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