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Dessa Piccinini Dessa Piccinini Author
Title: [C.NERD] RESENHA - CONDENADA
Author: Dessa Piccinini
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A filha de uma estrela de cinema narcisista e de um bilionário, Madison, é abandonada em uma escola interna na Suíça durante o Nata...


A filha de uma estrela de cinema narcisista e de um bilionário, Madison, é abandonada em uma escola interna na Suíça durante o Natal enquanto seus pais estão divulgando seus novos projetos e adotando mais órfãos. Ela morre de uma overdose de maconha – e a próxima coisa que sabe é que está no inferno. Madison compartilha sua cela com um grupo heterogêneo de jovens pecadores que é quase bom demais para ser verdade: uma líder de torcida, um atleta, um nerd, e um punk, unidos pelo destino para formar a versão “six-feet-under” do filme favorito de todos. Madison e seus amigos caminham através do Deserto de Caspas e escalam a Montanha Traiçoeira de Unhas para enfrentar Satanás em sua cidadela. Todos os doces, que servem como moeda no inferno, não poderão comprá-los.

"Está aí, Satã? Sou eu, a Madison. Acabei de chegar aqui, no Inferno, mas não é minha culpa, exceto talvez por ter morrido de overdose de maconha. Talvez esteja no Inferno porque sou gorda  uma verdadeira leitoa. Se é possível ser mandado ao Inferno por ter baixa autoestima, é por isso que estou aqui. Quem dera pudesse mentir e dizer a você que sou um palito, loira e peituda. Mas pode acreditar em mim: sou gorda e por uma razão bem boa. Para começar, deixe que eu me apresente."  Página 5
Com uma apresentação como esta, é de esperar que Madison Spencer, a personagem principal de Condenada, seja irônica sarcástica e bem pouco inocente para uma garota de 13 anos. E quase tudo está completamente certo. Irônica e sarcástica? Confere. Pouco inocente? Não é bem por aí. Mad pode não ser o mais inocente para uma garota de 13 anos, ela sabe bem mais do que eu nessa idade sobre muitos assuntos, mas a inocência de uma pré-púbere ainda está ali. 

Madsion vai nos apresentando os personagens por sua visão e suas histórias por seu ponto de vista, afinal, ela ainda é a principal do livro. Mas o cenário, esse sim, tira atenção de qualquer leitor. Das Grandes Planícies de Cacos de Vidro ao Grande Oceano de Esperma Desperdiçado, o inferno de Palahniuk é capaz de impressionar e atordoar qualquer leitor e tem grande importância durante a trama  – e também é divertido de imaginá-lo durante a leitura. 

Mad conhece mais 4 condenados em sua chegada ao Inferno. Babbete, Patterson, Archer e Leonard, e, depois de escapar de sua cela pessoal, é com eles que começa a descobrir as pitorescas paisagens do inferno. 

Contando seu passado, suas aventuras de vida, e sua auto descoberta pós morte, conhecemos os pais famosos de Mad, que mostram-se pais totalmente fora dos padrões, alguns dos filhos adotivos vindos de algum país sub-desenvolvido, demônios e figuras históricas como Hitler ou Catarina de Médici – até Darwin, e também diversos vivos que acabam convencidos a acabar no Inferno. 

O sistema do Inferno também é interessante: doces são o dinheiro e você pode acabar ali por falar porra de mais, ou buzinar excessivamente durante a vida. Palahniuk não deixa de surpreender com a criação de um Inferno quase tão parecido com a Terra que você se pergunta se, realmente, o que muda não é apenas o cenário e, claro, Madsion, que de garota boazinha de internato, adquire um novo lado de valentona e acaba com diferentes personalidades históricas pelo caminho. 

Mas até mesmo Madsion, com seus 13 anos, problemas de auto estima e sarcasmo, tem seu livre arbítrio, não tem? Em uma reviravolta que ninguém prevê, Mad é privada de uma das coisas que ela mais se orgulha: o fato de não ser apenas uma personagem e de ser capaz de escrever sua próprio história. 



Já ouviram falar de: compra feita pela capa? Então pessoal, está aí, esse provavelmente é meu maior exemplo de compra pela capa que já fiz na vida. Eu não sabia o que esperar. Eu mal sabia do que se tratava. Sabia que havia uma garota, e que ela estava morta. Ah, e que estava no inferno. Fora isso? Bem, sabia que Palahniuk era o responsável pelo Clube da Luta que já ouvi tanto falar. 

Entrei no livro sem saber muita coisa, mas bastou o primeiro Esta aí, Satã? Sou eu, Madsion para me conquistar e me fazer cair no mundo, ou melhor, sub-mundo que Palahniuk criou. 

Não sei se essa seria o tipo de história que eu acreditava ser capaz de ler. Eu tinha um tremendo pavor disso. Que eu me arrepende-se. Que Condenada não fosse o que eu estou acostumada e que não estivesse pronta para ler. A verdade é que provavelmente ninguém está pronto para conhecer o Mar de Insetos, ou o Lago de Merda, mas, a não ser que Madsion esteja errada, ninguém realmente está pronto para morrer. Ou para acordar no inferno, que seja. Mas, Condenada pode, e provavelmente irá, agradar a todos. Como a morte, ou o Inferno  – se você está aí se perguntando se eu gostei do Inferno? Sim eu gostei do Inferno, com Rio de Saliva Quente e tudo. 

Ao mesmo tempo, houve cenas, momentos, que me deixaram surpresa quando eu li. Longe de dar spoilers aqui, mas há certo momento que Mad e Archer precisam derrotar um demônio que... Bom, eu acho que nunca vou superar a leitura, sério – por mais que tenha adorado. Isso é o que balanceia o livro: às vezes parece que, sem querer, Palahniuk nos surpreende, e, em outras, ele de propósito quer chocar e surpreender, o que pode até mesmo assustar um leitor que se intimida fácil. 

Antes que eu esqueça! Chuck Palahniuk é um autor famoso, O Clube da Luta é um clássico do cinema e da literatura que eu provavelmente já escutei um milhão de vezes sobre. E, depois de Condenada, eu consigo entender o motivo. Palahniuk tem uma escrita deliciosa, um humor próprio e uma criatividade insana  e maravilhosa ao seu próprio modo. 

Mas há tantos motivos para amar Condenada que eu acho impossível descrever todos aqui. Primeiro é que não ficamos presos ao Inferno o tempo todo: Madsion nos conta sobre seu passado, seus últimos dias de vida e de sua morte. Conta sobre sua família e sobre Goran, o moreno dos lábios carnudos que ela se apaixonou. 

Também não temos apenas Madsion. Babbete, Patterson, Archer e Leonard são, cada qual de seu jeito, personagens encantadores que surpreendem ao final. Sem esquecer a gigantesca referência do clássico filme O clube dos cinco. Uma patricinha, um atleta, um valentão um nerd e, claro, uma estranha – que Madsion aceita com prazer em ser. 

O Inferno. Doces são dinheiro, telemarketing é trabalho – a não ser que seja corajoso, ou pervertido, para aceitar o outro. Corrupção, paisagens nojentas e personalidades históricas, sejam elas lideres mundiais, cientistas ou apenas algum cantor como Jenis Joplin ou John Lennon. Eu precisei concordar  com a Mad – o céu deve ser um porre! 

E, se tudo isso ainda não te fez ter vontade de ler, Madison, por si só, deve bastar. Ela pode ter 13 anos, pode estar morta e não ter autoestima, mas ela não é idiota. E seu sarcasmo e sua irritante mania de ter esperança, são maneiras divertidíssimas de se ver o Hades.  

Por fim, antes que eu termine essa resenha, o final. Eu não vi aquilo chegando. Não mesmo! Satã? Sério? Tu fez isso mesmo? Bem, eu ainda não consegui chegar a decisão se foi engraçado ou cruel. Porém, se tem uma coisa que eu sei: Mad não vai deixar barato e, no final de tudo, será toda culpa do próprio Satã.

Eu não esperava, de maneira alguma, devorar o livro em três dias e amá-lo do jeito que foi, Mas aconteceu e agora eu desejo, preciso, da continuação! Condenada me abriu para um novo tipo de literatura que eu não achei que fosse meu estilo. E, precisamos concordar, a capa? Ela é linda!
"A única coisa que faz a Terra parecer o um Inferno, ou o Inferno parecer um Inferno, é a expectativa de que deve ser um Paraíso. A Terra é a Terra. Morto é morto" – Pág 302.
AUTOR: Chuck Palahniuk
NÚMERO DE PÁGINAS: 304
EDITORA: Leya
LANÇAMENTO: 2011
ONDE COMPRAR: Clique aqui.
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