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Title: [FILMES] CRÍTICA #61 - PARA SEMPRE ALICE
Author: Raphael Gomes
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Imagine acordar um dia e esquecer onde deixou as suas chaves ou o seu celular, pode ser normal se você for como eu e vive perdendo as c...

Imagine acordar um dia e esquecer onde deixou as suas chaves ou o seu celular, pode ser normal se você for como eu e vive perdendo as coisas. Mas então seus esquecimentos não param por ai e você se pega sem saber o caminho de casa, esquecendo conversas, pessoas ou até quem você é. Parece um pesadelo, né? Mas infelizmente é uma doença devastadora e incurável, e é o que o filme Para Sempre Alice aborda.

Alice é uma bem sucedida professora de linguística, bem casada e mãe de três filhos que ao fazer cinquenta anos é diagnosticada com uma forma rara de Alzheimer. Vemos então sua mente definhar, de forma assustadoramente rápida, e como isso afeta as suas relações familiares, já que a forma de Alzheimer que ela tem é passado geneticamente.

A doença evolui muito rápido, vemos os primeiros esquecimentos de Alice se tornando cada vez mais constantes e constrangedores, como quando conhece a nova namorada do filho. Ou nos emocionamos quando a mesma repete as mesma perguntas ou se perde dentro da própria casa. Embora a mesma tente se agarrar de todas as formas a sua memória, sempre utilizando o celular para se lembrar das coisas ou exercitando de outras formas, não é o suficiente pra doença que a atinge devastadoramente.

As cenas são bem cruas e acho que por isso são tão chocantes para um publico, que como eu, nunca teve contato com alguém com a doença. Vemos ali uma brilhante professora sendo sabotada pelo próprio cérebro, seu próprio corpo está abandonando e se voltando contra ela. Vemos a brilhante mulher do começo do filme se transformar em uma criança e isso sim é chocante, porque não há nada que possa ser feito para reverter isso.


Fiquei pensando horas depois de assistir o filme “e se isso acontecesse comigo ou com algum parente meu, como eu reagiria?”. Eu seria o tipo marido amoroso, o tipo filha que quer ajudar mas está muito ocupada, a filha egoísta ou o filho que não se importa. Vemos cada membro da família de Alice reagir de forma diferente e tentando adivinhar qual seriamos e no fim não conseguimos chegar a nenhuma conclusão.

Julianne Moore está magnifica no personagem, se ela não ganhar o Oscar esse ano ela pode desistir e se juntar ao Leonardo DiCaprio. A cena do discurso dela foi o ponto alto do filme, tanto na emoção quanto na atuação perfeita que ela nos entregou. Sou muito fã dela e ela realmente merece a estatueta que já foi negada demais pra ela.

Confesso que fiquei com medo da Kristen Stewart estragar o filme, mas ela ta a mesma, ela sempre escolhe o mesmo papel. Ela faz de novo o personagem que fez em “Férias Frustadas de Verão”, “Na Natureza Selvagem” e “Eu e as Mulheres”, já me acostumei com essa cara de paisagem dela. Mas o destaque mesmo foi pro Baldwin, que apareceu pouco no filme, mas foi ótimo, poderia ter sido utilizado um pouco mais, ele andava sumido de filmes com destaques, bom revê-lo em cena.


O filme emociona bastante, o mesmo clichê de qualquer filme sobre doenças, mas aqui temos um roteiro simples e bem escrito, uma atuação poderosa da Julianne Moore e uma fotografia maravilhosa. Acho que merecia algumas outras indicações ao Oscar, mas ficarei satisfeito quando a Moore subir para pegar sua estatueta.


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