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Bernardo Seben Bernardo Seben Author
Title: [REVIEW] BETTER CALL SAUL - S01E01: UNO E S01E02: MIJO
Author: Bernardo Seben
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As vezes (ou quase sempre), produtores de séries/filmes tentam aproveitar o máximo possível da história contada com o intuito de aumenta...

As vezes (ou quase sempre), produtores de séries/filmes tentam aproveitar o máximo possível da história contada com o intuito de aumentar suas receitas. É algo bem comum, e convenhamos, não é nenhum pecado. E é daí que surgem spin-offs, crossovers, continuações e mais continuações. Só que muitas vezes, para absorver o máximo desse universo criado por algum brilhante (ou nem tão brilhante) roteirista, as produções acabam vacilando na qualidade, que decai bastante em relação à sua obra original.

O caso em questão foi beeem diferente do esperado.

A série que originou Better Call Saul, foi Breaking Bad - uma obra-prima, diga-se de passagem -, mas creio que todos saibam disso. Foi uma série que teve seus defeitos como qualquer outra, principalmente na primeira temporada, que teve sua produção influenciada de forma negativa pela greve dos roteiristas norte-americanos em 2007. O fato é que, apesar desses e outros problemas, Breaking Bad foi uma produção muito bem orquestrada, por vezes chegando a beirar à perfeição. Quando a 5ª temporada foi lançada, com a audiência atingindo números inesperados (principalmente por conta do Netflix) e com a crítica babando ovo de forma ininterrupta (e com razão), a AMC tinha todos os motivos do mundo para querer renovar a série. Mas a emissora tomou uma decisão acertada, e aceitou o encerramento da série de Vince Gilligan em sua 5ª temporada, em seu auge, o melhor momento para a empresa lucrar e tentar renova-la.

Tempos após o final histórico de Breaking Bad, a AMC anunciou que produziria uma nova série, derivada de Breaking Bad, um spin-off, chamado Better Call Saul, idealizado por Vince Gilligan e Peter Gould, criador do personagem Saul Goodman. E muitos pseudo-críticos como eu devem ter ficado com uma pulga atrás da orelha com essa notícia, até porque, estaria a AMC fazendo o mesmo que a maioria, absorvendo o máximo possível de uma história com intenção que fazer o máximo de dinheiro possível, mesmo que para isso tenha que abdicar da qualidade? Felizmente, não! Absolutamente não!

Os dois episódios iniciais de Better Call Saul (lançados quase juntos) agradaram não apenas aos fãs mais otimistas, mas aos pessimistas também.


Better Call Saul é uma série de altíssima qualidade, que já está seguindo o estilo de sua obra original. Além do bom, velho e inteligentíssimo roteiro à lá Breaking Bad, de alguns dos mais carismáticos personagens da mesma (Saul, Mike e Tuco), reencontramos a excelente equipe de direção, representada pelo multi-talentoso Gilligan no piloto, e pela renomada Michelle MacLaren no segundo episódio.

Outro aspecto contou muito ao favor da série neste seu início: o protagonista. Saul Goodman, que não passava de um personagem de suporte em Breaking Bad, se mostra aqui um personagem ainda mais complexo e carismático do que aquele que nos acostumamos a ver, afinal, quem um dia imaginou que o brilhante advogado que salvava até o mais psicopata dos psicopatas de uma temporada na cadeia, na verdade era, seis anos antes, uma pessoa totalmente diferente, com outro nome, trabalhando em um escritório que na verdade não passa de um muquifo, tendo de sobreviver de golpes aplicados em outras pessoas? Acho que ninguém!

Definitivamente Better Call Saul chegou para ficar. Não é a toa que foi renovada para uma segunda temporada antes mesmo de seu piloto ir ao ar. O que se espera dos próximos episódios é que a série siga neste seu estilo, com um roteiro inteligente e uma execução primorosa. Breaking Bad seguiu este caminho, e foi consagrada por muitos prêmios e uma idolatria generalizada. Se Better Call Saul continuar assim... Será que haverá espaço para os troféus na casa do Gilligan?


Antes de encerrar esta review dupla (que na verdade focou mais nos aspectos gerais da série neste seu início, do que na história em si), vale mencionar alguns bons momentos desses dois primeiros episódios:
- A direção do Gilligan no piloto, com jogos de imagens e perspectivas muito criativos, como o plano dos skatistas conversando na pista, ou o ângulo baixo usado na hora em que o Tuco aponta a arma para o Saul (foto acima).
- As referências feitas a Breaking Bad, que não foram poucas, mas que entre elas se destacam: a chave do carro do Saul, que é exatamente igual a que o Walter usou no final de Breaking Bad para acionar a metralhadora; o salão de beleza da japonesa onde fica o escritório do Jimmy, que futuramente o Saul apresentou ao Jesse como opção para lavar dinheiro; e os momentos de tensão no início do segundo episódio, que remeteram ao ótimo episódio "Grilled" da 2ª temporada de Breaking Bad.
- Montagem incrível feita na segunda metade do segundo episódio, apesentando toda a rotina do Jimmy na Defensoria Publica, com um bom misto de drama e humor. Como não rir do Saul imitando um ogro na frente do Mike?

Ah, e mais uma coisa: o Saul/Jimmy, em seu ritual antes de entrar em ação, diz em frente ao espelho "It's showtime folks!". A série não é da Showtime, mas mesmo assim vou aproveitar o trocadilho e alterar um pouquinho: "It's AMC folks!"
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