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Mariana Ribeiro Mariana Ribeiro Author
Title: [TEMÁTICA DDS] CANTANDO (E DANÇANDO) NA CHUVA (NOS PALCOS, E NA VIDA)
Author: Mariana Ribeiro
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Para alguns ela é diversão, para outros, resultado de muito trabalho e disciplina. Extremamente visual, ela é uma amostra do que nosso ...

Para alguns ela é diversão, para outros, resultado de muito trabalho e disciplina. Extremamente visual, ela é uma amostra do que nosso corpo é capaz de fazer, mas não só isso: em muitos filmes podemos ver como ela também é superação e mudança de vida para muitos. Por isso, vamos percorrer alguns filmes e pensar em como os vários tipos de dança nos são mostrados no cinema. 

Em muitos contextos a dança está relacionada com a mudança de vida, o encontro com a dança e um novo amor. Assim, em Dança comigo? de Peter Chelsom e Vem dançar comigo de Baz Luhrmann o encontro com a paixão pela dança é essencial. No primeiro caso, um homem que nada tinha que ver com a dança acaba gostando desta, e no segundo, já consiste em profissionais que buscam inovar dentro da dança de salão, o que é complicado em um primeiro momento, dada toda a técnica que esses tipos de dança exigem. 

A partir daqui, também podemos pensar em danças bem misturadas como em Vem dançar de Liz Friedlander, Ela dança, eu danço de Anne Fletcher e em No balanço do amor de Thomas Carter. Nesses três filmes o hip hop entra em peso, influenciando a dança de salão e o balé, assim como histórias de amor e também de superação. No caso de Vem dançar isso ainda é mais nítido, uma vez que a dança de salão acaba trazendo a disciplina essencial para qualquer tipo de dança que se busque levar adiante, com em competições e academias profissionais. Assim, já se vê que o balé e a dança de salão são os tipos de dança mais considerados em termos de técnica, disciplina e muito esforço. Obviamente que outras danças também exigem tanto quanto as citadas, mas o cinema focaliza mais nessas duas.  


Ainda outro filme, na verdade um documentário muito interessante, que põe em prática o que é mostrado em Vem dançar e explica melhor a influência da dança de salão em escolas públicas nos EUA é Vamos todos dançar de Marilyn Agrelo. Esse filme mostra como as barreiras sociais e culturais impostas pela sociedade podem ser derrubadas, e que a dança, é um dos meios para conseguir isso, afinal, seja de que tipo for, deve atingir e realmente atinge a todos, é direito de todos, assim como a escrita e a música. Seguindo por aí também podemos pensar em Dirty Dancing – Ritmo Quente de Emile Ardolino, isso mesmo, aquele da época dos nossos pais, que mostra como uma moça rica de uma família estruturada nos moldes “tradicionais” se envolve com um rapaz de um nível sócio-econômico dito inferior, bem no estilo Rose e Jack. A dança, assim, é colocada como meio para o encontro com suas paixões, seja pela própria dança ou por uma pessoa.

O fato é que temos filmes em que a dança não é meio, mas um fim, assim como é para várias pessoas nesse mundo. Billy Elliot de Stephen Daldry mostra como algumas pessoas já nascem com o interesse e propensão para a dança.Já em Entre nessa dança de Chris Stokes, o hip hop é mostrado como um meio bem competitivo, assim como Cisne Negro de Darren Aronofsky e Sob a luz da fama de Nicholas Hytner mostram como é difícil e competitivo o mundo do balé e da dança em geral, e como esta exige muito mais do que imaginamos. Acontece que o dançarino é um profissional, e tem que passar por muitos obstáculos para atingir seus objetivos, o que, por vezes, como em Cisne Negro, se torna obsessão e ameaça a saúde não só física como mental das personagens, principalmente para quem já tem indícios de certos problemas como a personagem Nina. 


Em Chicago de Rob Marshall e Moulin Rouge de Baz Luhrmann a dança como profissão é levado aos cabarés e ao estrelato. Aqui também começa a ser introduzida, juntamente com a dança, a música, que é fundamental quando falamos de musicais, que em sua maioria contém ambos. Ainda para quem deseja ver mais sobre a dança como profissão, basta assistir So you think you can dance, um ótimo programa que mostra como os participantes, muitas vezes dançarinos profissionais, devem se dedicar e praticar todo o tipo de dança a fim de chegar à final.

Enfim, chegamos ao favorito tipo de reunião entre dança e música: os musicais. Claro que a música não aparece juntamente com a dança só nesse caso, ela sempre está presente. Entretanto, o estilo broadway, aquele que envolve não só dança como toda uma teatralização, é contagiante, e embora não mostrado no cinema – em que toda a dança vem como que algo natural de se acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento – exige muito esforço como qualquer outro tipo. Entre os musicais podemos pensar nos mais famosos como Os embalos de sábado a noite de John Badham, Flashdance de Adrian Lyne, Footloose de Herbert Ross, Grease – nos tempos da brilhantina de Randal Kleiser, e também em Cry-Baby de John Waters, o mais recente Hairspray de Adam Shankman e ainda Canção do Coração de Todd Graff, que parte da música, mas acaba envolvendo a dança. Além da dança e da música, esses filmes muitas vezes representam os problemas que os jovens enfrentam ao buscar seus sonhos e até mesmo questões mais profundas de ordem social como em Hairspray, com a questão da segregação racial nos EUA.

Além disso, pensando no nome que consagrou os musicais e que também envolve muito do sapateado como o conhecemos hoje, podemos resgatar os filmes tal como Cantando na Chuva de Stanley Donen e Gene Kelly, um clássico para todos que gostam de dança e música, juntamente com inúmeros filmes protagonizados por Gene, Fred Astaire e Donald O'Connor, entre outros grandes nomes dos musicais. É isso que abre caminho para Glee, por exemplo, uma das mais recentes séries a respeito de música e dança e outras questões abordadas por este viés. Segue ao final do texto um clip musical de Capital Cities que aborda a dança em sua história, muito interessante para fechar o tema. Portanto, se você é um admirador da dança, seja ela qual for, aproveite a deixa e corra assistir seu filme favorito sobre o assunto, e talvez até mesmo se arrisque em alguns passos.


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