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Bernardo Seben Bernardo Seben Author
Title: [REVIEW] MAD MEN - S07E10: THE FORECAST
Author: Bernardo Seben
Rating 5 of 5 Des:
 Como explicar o brilhantismo de Mad Men? Lembro-me das duas ótimas primeiras temporadas de Mad Men, quando, além de focar na constr...

 Como explicar o brilhantismo de Mad Men?

Lembro-me das duas ótimas primeiras temporadas de Mad Men, quando, além de focar na construção de seus interessantes personagens, o roteiro da série deixava no ar um clima de mistério em relação ao passado e às motivações do Don, ao mesmo tempo que fazia paralelos com eventos reais condizentes à linha do tempo do show (recurso que, infelizmente, foi cada vez menos usado a cada temporada que passou). Após o término destas duas, o passado de Don Draper deixou de ser tão relevante para Mad Men - apesar de ter sido abordado um pouco também na 3ª temporada - que passou a focar no presente do protagonista, juntamente com a manutenção do foco dado aos demais personagens. E foi aí que Mad Men passou apenas a tratar da interessantíssima vida de seus ricos personagens. Deu certo! A série continuou tão boa quanto antes (para alguns, até melhorou), e permaneceu tão admirada quanto sempre foi.


A personagem Betty reviveu neste episódio, um de seus melhores momentos em toda a série: a sua relação com o Glen. O rapaz continua tão estranho quanto antes, e continua com o mesmo ator medíocre, que não por coincidência, mas por motivos de nepotismo, é filho do criador da série.

Este personagem foi bastante aproveitado pela equipe de roteiristas. Quando sua história com a Betty, aparentemente havia terminado, ele entrou para o núcleo da Sally, e continuou por aí, até agora.

Apesar de eu não achar que o personagem tenha sido bom, a despedida dele foi interessante. Deu até uma sensação de renovação para a Betty, que era uma personagem até então desgastada. Ele a fez, novamente, se confrontar com o que é certo e o que é errado, apesar de que ela nunca conseguiu discernir muito bem um do outro. Mas o retorno do Glen, e sua decisão de se alistar, definitivamente mexeram com ela. E, pra não dizer que não falei das flores, ainda vimos um pouco da Betty egoísta retornar, ao jogar no lixo a arma de brinquedo do Bobby, justamente por fazê-la lembrar do Glen indo à guerra.


Sobre o núcleo da Joan, achei bastante interessante essa nova relação amorosa dela. Toda essa trama foi bem redondinha, já que introduziram o caso, desenvolveram com seus pontos positivos e negativos, e depois a concluíram, com os dois chegando a um consenso no final.

O que me chama a atenção, é que, sempre que a Joan chega em casa, fica nítido o fato de que, mesmo com um sonhado e amado filho e um também sonhado emprego-ideal, ela não consegue ser feliz. E entendo ela, visto que ela sempre busca se portar bem quando está no espinhoso meio-social, mesmo que isso seja difícil para uma pessoa como ela, sempre sofrendo, principalmente, com o fato de ser uma mulher num meio tão machista. Quando o dia acaba, não há mais como segurar a raiva que ela adquire durante as horas anteriores. É só reparar nela xingando a babá por nenhum motivo aparente. Esta é a rotina dela. Por isso, um evento social diferenciado, ao lado de alguém que a tratou de forma digna e carinhosa, a satisfez tanto. Ela sai da mesmice, só isso já é suficiente para curá-la da onipresente sensação de frustração!

Se no início da série, o foco do roteiro era no passado do Don, atualmente, com a série chegando ao seu final, o futuro dele é quem vem ganhando uma boa abordagem. Após mais verdades sendo cuspidas em sua cara, tanto de forma direta, como quando o Mathis disse que ele era apenas um cara bonito (e por isso é tão eficaz no ofício), ou indireta, com a situação de seu apartamento refletindo sua personalidade, o destino do personagem parece ainda mais obscuro do que antes. Nunca ele esteve tão sozinho, tão infeliz, e desprovido de emoções e sensatez. A reta final da série provavelmente continuará focando nisso.

As cenas entre o Don e a Sally foram excelentes. Ambos protagonizaram o melhor momento do episódio. Novamente ressalto o quanto Mad Men se sustenta nas sutilezas. A filha, há tempos, já perdeu a admiração pelo pai. Assim como o Mathis, ela teve coragem de enfrentar a figura fria do Don, e o criticou por ser previsível e asqueroso, ainda aproveitando para meter a Betty na história, e desabafar sobre sua vontade de não ser como os pais. E por incrível que pareça, o Don viveu um raro momento de sensatez ao dizê-la que ela é justamente como eles e que não adianta fugir deste fato, mas que só ela só depende dela mesmo para se tornar uma boa pessoa.

Respondendo a pergunta do início do texto: não há como explicar! Mad Men possui um roteiro tão bem estudado, que é preciso assisti-la mais de uma vez para entendermos tudo o que ela quer passar. E episódios como "The Forecast" apenas este ressaltam este fato.

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