Comentários
Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: [C.NERD] RESENHA- AMERICANAH
Author: Jéssica Ohara
Rating 5 of 5 Des:
Uma história de amor implacável que trata de questões de raça, gênero e identidade. Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinz...




Uma história de amor implacável que trata de questões de raça, gênero e identidade.



Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. 



Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. 


Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo. 


A história acompanha a trajetória de Ifemelu desde pequena na Nigéria, indo e vivendo nos EUA , e depois voltando para o seu país natal. Eu acho que é muito fácil para um leitor brasileiro se identificar com ela, ambos vêm de países em desenvolvimento, com governos muito corruptos, cheios de nepotismo, tendo forte influência religiosa, uma certa aura de hipocrisia que cerca a sociedade e até mesmo alguns aspectos de comportamento são muito semelhante. Como quando ela conta que na sua escola a maioria das crianças queria ir para os Estados Unidos porque achava que tudo lá era brilhante e melhor, gostando de exibir seus artigos importados e quem tinha ido  era quase um ídolo no lugar.

Pela sua personalidade questionadora, ela é considerada diferente pelos demais amigos e familiares. Sua mãe fortemente religiosa sempre tenta fazer com que ela controle a boca, mas nem sempre consegue, sendo o seu pai aquele que a primeiro introduz num universo maior dos livros. Eles muitas vezes passaram por problemas financeiros e quem os socorreu foi Tia Uju irmã do pai de Ifemelu. Uma médica que é amante de um poderoso general do regime.

Outro que também tem sua visão conduzindo partes da história é Obinze. Ele vem para Lagos com a mãe e conhece Ifemelu na escola. Ele tem uma personalidade calma, porém com uma opinião forte e capaz de se doar por quem ele ama. E a mãe dele é o tipo de sogra que você gostaria de ter e dar milhões de abraços.

Vários outros personagens são adicionados na sua trajetória, grandes amigos e amores, mas não posso deixar de falar de dois “personagens”. Primeiro, o blog que Ifemelu cria para retratar as situações de racismo (melhor teste ever sobre racismo inverso , item 9, http://www.blogdacompanhia.com.br/category/colunistas/ifemelu/) , e em segundo a questão da imigração e as variações dos seus efeitos de quando ela é legal ou ilegal, caso que podemos acompanhar fortemente no caso de Obinze.



Eu já tinha visto várias reviews sobre ele e estava super ansiosa para lê-lo, acabei ganhando de aniversário ( Uma salva de palmas de pé para quem dá livro de presente) e então...não o li :p 

Num golpe de sorte esse foi o livro do mês do meu clubinho, o que me fez finalmente parar, olhar e me apaixonar. A escrita de Chimamanda é incrível, mostrando aspectos culturais da Nigéria, como eles emprestam dinheiro, os casamentos e as relações extra conjugais, de uma forma nada monótona. 

Além de como ela toca em assuntos delicados como racismo e as diferentes formas em que ele atua. Como quando Ifemelu decide manter o cabelo natural e entra em pânico, só conseguindo se acalmar depois de ler comentários em sites e comunidades de outras pessoas que resolveram assumir (uma amiga de uma amiga disse que deveria ser estudado o porquê do cabelo crespo ser o único que precisa de grupo de apoio). Ou como as pessoas fazem comentários maldosos e se há reclamação logo aparece um VITIMISMO para ser empunhado. A parte de que ela só se sentiu negra, ou melhor vista como negra ( e isso sendo uma coisa ruim) quando foi para fora da Nigéria, entender o que é realmente uma fronteira racial é muito forte.

Eu estava meio intrigada com a principal, ela não era o esperado. E isso me fez refletir sobre muitos personagens principais ou coadjuvantes negros, sobre o comportamento que se traça deles em alguns livros que eu li, quando fazem os bons, são honestos, fortes, capazes de perdoar e passar por cima e quando são os maus, são furtivos, com um passado ruim ou com ambição demais, nos dois casos estão ou muito acima ou abaixo do que é o comportamento humano, como se fosse uma justificativa de estarem ali.

Muitas outras linhas de história, com personagens de diversas raças seguem esse modelos também, mas quando se trata de povos oprimidos notei que isso se torna ainda mais comum. A história de Ifemelu me fez entender que existia esse estereótipo simplesmente ao desconstruí-lo (Isso me lembrou totalmente o TED dela sobre single story). Mostrando-me uma pessoa com todos os problemas que alguém por azar( e até mesmo provocando, porque caraca, que garota teimosa) pode ter, com amor, dinheiro, família, língua e que, infelizmente, podem ser duplicados pelo preconceito racial. 
Deixo o TED dela que é simplesmente maravilhoso.

AUTOR:  Chimamanda Ngozi Adichie
PÁGINAS: 516
EDITORA:  Companhia das Letras
LANÇAMENTO: 2014
ONDE COMPRAR: Clique aqui

Reações:

Sobre o Autor

 
Top