Comentários
Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: [C.NERD] RESENHA - A COR DA MAGIA
Author: Jéssica Ohara
Rating 5 of 5 Des:
Neste universo o mundo é plano, repousa sobre as costas de quatro elefantes, que por sua vez se equilibram sobre o casco de u...





Neste universo o mundo é plano, repousa sobre as costas de quatro elefantes, que por sua vez se equilibram sobre o casco de uma gigantesca tartaruga.
E agora vamos acompanhar as aventuras de um mago picareta, um turista perigosamente ingênuo e alguns dragões que só existem se você acreditar neles.


“(...) mas a questão pura e simples era que o Discworld atravessava o espaço na casca de uma tartaruga gigante e que os deuses tinham o hábito de aparecer na casa dos ateus quebrando as janelas”


O Discworld é um mundo sustentado por quatro elefantes que estão em cima de uma tartaruga, Grande A’Tuin. Essa ideia é a que abre o livro e nos deixa antever que história incrível e engraçada está começando cheia de elementos fantásticas cercadas pela ironia ácida do autor.

Os “heróis” dessa aventura são Rincewind, um mago fracassado que tem como maior habilidade a capacidade de fugir de situações perigosas e Duasflor, o primeiro turista do Discworld, que acha que todas as pessoas são boas e as possíveis divergências podem ser resolvidos com uma boa xicara de chá e conversa. Por isso, não sequer vê os riscos que o cercam quando tenta viver as coisas que considera incríveis.

Tudo começa quando Duasflor chega a Ankh-Morpork, uma das cidades mais sujas e perigosas. E por uma questão de diplomacia, o Patrício da cidade obriga Rincewind a tomar conta do turista para que o Império Agapante não faça represálias caso seu cidadão seja roubado e assassinado (coisa até bem comum na cidade).

Heróis burros e lendários, trolls e deuses, também nos acompanham nessa história, além do próprio Morte, entidade que fica muito chateado pelo mago sempre estar conseguindo fugir de sua foice.



Mundos fantásticos são sempre construções complicados, tem que se montar toda uma mitologia, os rituais criados tanto políticos, sociais ou religiosos devem acompanhar a história independente de para onde ela siga, são muitos fatores a ser considerados para que a atenção de quem ler seja prendida e o mundo pareça no mínimo verossímil. Mas em a Cor da Magia tudo isso é completamente embolado, porque é esse tipo de fantasia que ele quer construir.

O leitor cai de paraquedas em uma história onde as regras da sociedade não fazem muito sentido, onde os heróis são completamente birutas e os deuses estão muito mais ocupados brigando do que cuidando dos seus fiéis.

Duasflor é um típico turista que as vezes não sebe onde está na sua bagagem, chama os lugares mais repudiados da cidade de exóticos e interessantes e está sempre com uma câmera na mão (que a propósito, as fotografias são pintadas por um diabrete que vive dentro dela). Esse é um personagem apaixonante, idiota de tão leal. O que deixa o pobre do Rincewind maluco.

A história vai percorrendo o Discworld e é possível conhecer mais da cultura de lá. É muito engraçado ver como ele retratou os seres mágicos como dragões, duendes e elfos não muito de acordo com o que sempre se falou deles em outros livros.

A Cor da magia faz parte de uma séries, de, acreditem, 40 livros, poucos foram publicados em português, a maioria se esgotou nas megastores, sendo muito mais fácil de acha-los em sebos. Sim, é uma procura complicada, mas com certeza vale a pena.


Autor: Terry Pratchett
Páginas: 255
Editora: Conrad Livros
Lançamento: 2001
Reações:

Sobre o Autor

 
Top