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Bernardo Seben Bernardo Seben Author
Title: [REVIEW] MAD MEN - S07E13: THE MILK AND HONEY ROUTE
Author: Bernardo Seben
Rating 5 of 5 Des:
Com seu final mais próximo do que nunca, Mad Men emplaca uma sequência impecável de episódios, e dá milhares de motivos para uma empolga...

Com seu final mais próximo do que nunca, Mad Men emplaca uma sequência impecável de episódios, e dá milhares de motivos para uma empolgação generalizada. O excepcional "The Milk and Honey Route" foi o último episódio da série antes do derradeiro series finale. Escrito pelo criador da série, Matthew Weiner, e pela roteirista Carly Wray, e dirigido pelo próprio Weiner, em mais um competente trabalho de execução, o episódio teve uma duração de 53 minutos, algo peculiar em relação ao padrão de 45 minutos da série. Esta empolgante quase-hora iluminou ainda mais o caminho que Mad Men vem seguindo, rumo a linha de chegada. Com a série chegando aos metros finais de sua caminhada, creio que precisarei escrever uma análise de tamanho quilométrico.


O arco do Peter Campbell no episódio foi muito bem elaborado, e serviu aparentemente como uma espécie de desfecho para a história do personagem, algo parecido com o que aconteceu com a Joan no episódio passado.

Abordado (ou praticamente intimado) pelo Duck Phillips, Pete acaba optando por sair da McCann e embarcar em uma nova e arriscada jornada em sua carreira, mas claro, após uma certa resistência na tomada da decisão, algo esperado vindo de um personagem que sempre reage de forma extrema a tudo. Apesar de ter sido o momento menos empolgante do episódio, ele foi desenvolvido com maestria, e chegou ao seu final dando ao personagem seu momento de ápice em Mad Men: a declaração de amor à Trudy (e que ficou ainda mais emocionante quando ela disse que estava esperando por aquilo há tempos).

É, parece que nos momentos finais da série, após tantas mudanças em sua vida, o Pete finalmente descobriu que o mundo não gira em torno dele.


Já Don Draper segue em sua reedição-pessoal do desbravamento do Oeste norte-americano no século XIX. Não tivemos tiroteio entre xerife e bandido, nem Calamity Jane ou Wyatt Earp. Mas quem são estes perto de Don Draper?

Seria equivocado de minha parte tentar definir uma verdade absoluta sobre o que está acontecendo com o personagem nestes momentos finais de Mad Men - tampouco sou um bom intérprete para conseguir fazê-lo. Tudo nesta série é tratado de forma que deixa um sentimento de ambiguidade no ar. Porém, é impossível não mencionar na teoria dos fãs, de que ele morrerá ao final (possivelmente por suicídio). O cara já se desapegou de tudo, e todos já se desapegaram dele. É um homem sem nada, nem carro mais ele tem. Ele está andando por este mundo sozinho, Deus tirou sua alma... Melhor parar antes que eu force uma referência à abertura de Sons of Anarchy.

O fato é que Don Draper há tempos se encaminha para um final cíclico, mas a grande questão é: como? Esse é o último e maior mistério sobre o personagem. E só falta um episódio para descobrirmos (ou não).


E a Betty? Depois de tantos episódios contemplando a vida da personagem (e amando odiá-la durante a maior parte de suas aparições), vê-la com um câncer terminal e ainda emocionar-se com isso, não apenas prova a qualidade de Mad Men na construção da personagem, mas mostrou também a mim, que no fundo sempre gostei dela, mas nunca consegui admitir isso. É uma verdade. Sempre fui um "hater" confesso da Betty, e era nela, portanto, em quem eu fazia mais questão de procurar defeitos. Parece inacreditável, mas precisou algo impactante acontecer com ela para que eu parasse de implicar com ela, e admitisse o quanto eu sempre gostei da personagem. Precisou da chegada da morte dela para que isto acontecesse. E ironicamente, nos momentos finais da série. Antes tarde do que nunca! Uma excelente personagem, com um sombrio destino lhe aguardando.

Assim como o Peter, que viveu seu melhor momento na série neste brilhante episódio, os três atores envolvidos no núcleo da Betty também viveram seu auge em Mad Men. A sempre convincente January Jones deu legitimidade à reação da Betty a sua grave doença, enquanto Christopher Stanley mostrou pela primeira vez na série que é um bom ator, uma vez que seu personagem Henry nunca ajudou muito. Já Kiernan Shipka, que interpreta a Sally, é definitivamente um tesouro da TV americana. Ela já dava indícios disto na 2ª temporada, quando a Sally começou a ter seu espaço próprio na série. Essa talentosa atriz está no caminho certo para uma futura consagração.

Então, agora é oficial: o final de Mad Men chegou. Após 8 anos no ar, um dos dramas televisivos mais elogiados e premiados da história chegará ao seu desfecho. E que seja excelente. Capriche Mr. Weiner!
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