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Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: [C.NERD] RESENHA - A ARTE DE PEDIR
Author: Jéssica Ohara
Rating 5 of 5 Des:
Cantora e compositora, ícone indie , feminista, mulher de Neil Gaiman, agitadora e mobilizadora de multidões online : Amanda Palmer...



Cantora e compositora, ícone indie, feminista, mulher de Neil Gaiman, agitadora e mobilizadora de multidões online: Amanda Palmer é um retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. Após desligar-se de sua gravadora, Amanda recorreu ao então recém-lançado Kickstarter, site de financiamento coletivo, para conclamar os fãs a colaborar financeiramente para a produção do próximo álbum de sua banda. O projeto arrecadou mais de 1 milhão de dólares, recorde que chamou atenção tanto da imprensa como da indústria fonográfica. Desse episódio surgiu o convite para uma celebrada palestra no TED Talks. O tema: saber pedir.

Desdobramento inevitável da palestra homônima, o livro "A Arte de Pedir" trata essencialmente de recorrer ao outro, sem temor, sem vergonha e sem reservas. Por que não pedimos ajuda, dinheiro, amor, com a mesma naturalidade com que pedimos uma cadeira vazia num restaurante ou uma caneta, na rua, para fazer uma anotação? Pedir é digno e necessário, e é a conexão entre quem dá e quem recebe que enriquece a vida humana, defende Amanda. Longe de ser um manual sobre como pedir, o livro é uma provocação bem-vinda e urgente, que incita o leitor a superar seus medos e admitir o valor de precisar e doar ajuda, sempre. 



Aceitem a flor

Como seria o enredo de uma biografia? Contar da infância ao tempo atual ou o inverso. Mas Amanda Palmer não faz isso. Ela começa a seguir uma linha e simplesmente a quebra com uma história de anos antes ou depois da inicial, fazendo outro ponto de partida. Desse jeito você só consegue saber em que tempo está ao observar o nível de maturidade e crescimento pessoal dela em cada caso contado. Parece uma conversa com uma amiga tomando um café, relembrando as burrices que fizeram ou barras pelas quais passaram.

As personagens desse livro não se limitam a Amanda. Vão desde desconhecidos a sua própria família e não ocupam espaços pequenos com simples menções ou algumas histórias. Na leitura, eles são mostrados como presenças constantes dentro do desenvolvimento pessoal dela. Afinal, foram eles que ensinaram ela a confiar e a pedir ajuda.  Se destacam Anthony, o melhor amigo dela e Neil Gaiman, seu marido.



Pedir e dar. Com certeza essas são as ações mais discutidas nesse livro, principalmente, quando se chega na barreira do medo e vergonha que existem entre a concretização das duas. No começo da leitura, eu estava achando um exagero isso, como pedir e receber ajuda podem ser tão difíceis para alguém? Não é algo simples? 

Porém, aos poucos, fui me identificando com a situação, quando como, às vezes, não consigo encarar um artista de rua por vergonha de nós dois. Eu poderia parar e ficar olhando, mas o que as pessoas que estão vendo iriam pensar? Que somos dois vagabundos sem nada para fazer da vida hehehe.

Isso é algo que Amanda discute como nós estamos sempre com medo da chamada Patrulha da Fraude (amei o nome). Parece que tem sempre alguém esperando para dizer que nós não merecemos estar onde estamos, e como qualquer atitude fora do considerado normal pode ser uma condenação perante esses observadores. Para comprovar isso, só é preciso dá uma passada no Facebook e ler comentários em alguma notícia, como o ódio é jogado no ventilador.

Mas não se engane: nesse livro Amanda não vai contar como ela passou por esse tipo de situação, a superou e agora é uma mulher feliz, forte e liberta que não é mais afetada por comentários egoístas. Ela conta como a Patrulha está sempre lá, esperando a oportunidade de te pegar no ato, como isso a deixou (e a deixa) triste. Não é necessariamente sobre superação, mas sim sobre apoio.

Como é importante criar uma rede de pessoas que você pode confiar, mas confiar totalmente mesmo, que quando você ficar nua e pedir para eles escreverem em você (sim, ela fez isso) saiba que não precisa se preocupar. Para quando acontecer algo ruim eles possam te reerguer, e isso não significa que você vai conseguir não cair no próximo baque, mas que vai ter alguém para te puxar de volta. 

Eu ri horrores com esse livro, quis ser estátua viva, chorei no consultório do dentista, e principalmente quis escutar as músicas dessa pessoa tão interessante. Se você quiser entrar no clima do livro ou já o leu, aqui vai o link da playlist da história disponibilizada pela Amanda e também o do vídeo do TED.




AUTOR: Amanda Palmer
PÁGINAS: 304
EDITORA: Intrínseca
LANÇAMENTO: 2015
ONDE COMPRAR: Aqui
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