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Janaína Rosa da Silva Ferraz Janaína Rosa da Silva Ferraz Author
Title: [FILMES] CRÍTICA #66 - UM SENHOR ESTAGIÁRIO
Author: Janaína Rosa da Silva Ferraz
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Quem se deixa levar pelo tom cômico do trailer e acredita ser apenas mais uma comédia, sem muito a acrescentar, comete um grande engano...

Quem se deixa levar pelo tom cômico do trailer e acredita ser apenas mais uma comédia, sem muito a acrescentar, comete um grande engano. Nancy Meyers, roteirista e diretora, nos apresenta um filme que consegue, com maestria, alternar cenas engraçadas com momentos dramáticos, capazes de arrancar lágrimas dos mais insensíveis. E, ainda encontra espaço para adicionar reflexões a cerca do papel da mulher no mercado de trabalho. 

Apesar de ter como apoio um plot, aparentemente óbvio, a relação entre diferentes gerações, o filme consegue ir muito além disso, falando sobre jovens empreendedores, o ciclo da vida, e, principalmente, sobre esperança e recomeço. O primeiro grande acerto do filme foi, sem dúvida, a escolha dos atores. Robert De Niro e Anne Hathaway dão um show de atuação e mostram uma química sincera para quem está assistindo.

Jules Ostin é uma jovem moderna, batalhadora e workaholic, que criou sozinha um e-commerce especializado em moda e tenta dar atenção a vida familiar enquanto administra seu negócio, que é praticamente mais um filho. De muitas formas, ela representa a geração millennial, tão elogiada e criticada, que mantém a atenção em vários assuntos simultaneamente e não consegue viver sem a tecnologia. 

Já Ben Whittaker é um senhor de idade, que teve uma ótima vida até então: construiu uma carreira de sucesso, casou com seu grande amor e teve filhos. Porém, após a morte da esposa e sua aposentadoria, ele não encontra mais motivações ou afazeres capazes de mantê-lo ocupado. Mesmo depois de seguir os típicos conselhos dados a terceira idade, como fazer viagens e aproveitar tempo com os netos, Ben continua infeliz.  

Até que encontra um folder sobre uma vaga de estagiário sênior para alguém da terceira idade. Ben arruma o despertador, coloca seu paletó e arruma sua mala de trabalho. Mas, o que encontra na sua frente é um novo mundo, uma empresa moderna, com jovens dinâmicos e informais. É um choque de gerações em todos os sentidos, desde a utilização de um MAC, passando pela ginasta laboral até uma chefe que anda pelo escritório em uma bicicleta e desconfia de pessoas que não piscam. Designado como estagiário dela, precisa se esforçar, a fim de mostrar seu potencial e conquistar sua confiança. Aqui, a grande sacada é mostrar como Ben é aberto a esse mundo (entrando no facebook) enquanto tenta trazer também seus conhecimentos para aprimorá-lo (organização e disciplina).

Quando os investidores passam a pressionar Jules a escolher um CEO ao mesmo tempo em que as coisas em sua casa não vão bem, é o momento que ela mais precisa desse estagiário. Ele utiliza sua sabedoria para compartilhar conselhos, dando, em certo momento, uma lição sobre feminismo. A filha de Jules é uma graça e juntamente aos outros funcionários trazem cenas cômicas, possibilitando uma risada leve e despreocupada.

O filme é ótimo e vale muito a pena. Eu duvido alguém chegar ao seu final sem tirar alguma lição, reflexão ou mesmo sem dar boas gargalhadas. 
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