Comentários
Carolina Carli Carolina Carli Author
Title: [REVIEW] CHICAGO PD - S03E02: NATURAL BORN STORYTELLER
Author: Carolina Carli
Rating 5 of 5 Des:
Chicago PD nos apresentou essa semana, um caso totalmente diferente dos padrões mostrados até aqui. Nada de traficantes e drogas, Voigh...

Chicago PD nos apresentou essa semana, um caso totalmente diferente dos padrões mostrados até aqui. Nada de traficantes e drogas, Voight fazendo promessas em troca de informações ou a necessidade de usar os informantes que os agentes têm espalhados por Chicago. PD saiu da sua zona de conforto e trouxe um caso extremamente forte e impactante e que tinha como pano de fundo a inconsequência de alguns jovens.

Casos que envolvem crianças são sempre chocantes. O coração fica apertado e aquele pensamento de que “o mundo deu muito errado” é fortalecido. Logo nos minutos iniciais, ver aquele menino com mãos e braços amarrados e dentro de um freezer, foi totalmente angustiante.

O pior foi descobrir o gatilho dessa morte. Um pai perdeu seu filho há 18 anos por causa de jovens que manuseavam uma arma que acabou disparando acidentalmente.  Na trajetória da bala, estava a vida de uma criança. E os jovens irresponsáveis, com medo, foram incapazes de socorrer essa criança. Não existe essa de que “ah, não dava para fazer nada por ele”. Dava sim! Até um médico atestar o óbito, muita coisa poderia ter sido feita. Mas é aquela história, cegos pelo medo, esses jovens foram incapazes de pensar na dor dos pais daquele garotinho.

E depois de tanto tempo, consumido pela dor e desejo de vingança, o pai desse menino começa a se vingar matando os filhos daqueles jovens. É absurdo ver que um pai que sofreu tamanha tragédia, esteja se vingando querendo causar o mesmo sofrimento pelo qual passou. Mais triste ainda é saber que esse caso não é apenas ficção. Basta dar uma passadinha nas páginas policiais para encontrar vítimas que acabam virando assassinos.

Por isso, além de se afastar dos seus modelos de episódio e mostrar que sabe se virar bem, PD ainda traz com esse episódio uma reflexão profunda. O quão ferrados nós estamos, que sempre estamos olhando para o nosso próprio umbigo? É impossível cultivar um sentimento tão bonito e singelo como a empatia?

Sobre os personagens, a série deu andamento em algumas tramas. Antonio, que vinha apagado, teve seu destaque. Como era um caso envolvendo pai e filho, a série aproveitou para reaproximar o Antonio do seu filho. É interessante ver como as formas de interrogar do Voight, antes tão criticadas, são absorvidas pelos personagens nos momentos em que eles se sentem particularmente conectados com o caso. Gostaria muito de ver a série abandonado essa estratégia durante alguns episódios e utilizando-se de outros artifícios para conseguir as confissões. Poderia ser útil até na introdução de algum novo personagem. Inserir alguém que tenha diploma na área da psicologia traria uma nova perspectiva para PD.

Erin, como condição para voltar para a Inteligência, agora mora com o Voight. É algo que não deve durar por muito tempo, mas é bom ver essa relação deles de pai e filha ser reconstruída. Eu ainda acho que podem trabalhar melhor a Lindsay e não ter tanta pressa para desenvolver os plots da personagem. Já deu para ver que mesmo apesar de tudo, a detetive tem um grande carinho pela sua mãe e essa distância, mesmo que benéfica para ambas, é algo complicado.

Falando em Bunny, a mulher parece criança que faz birra quando não consegue o que quer. Com essa acusação feita ao Voight, ela está entrando em águas profundas. Pode até ser o começo de sua redenção. Ela faz tanta coisa prejudicial para si e para a Erin, que só quando estiver em perigo é que vai botar a mão na consciência e pensar nas suas ações.

Alvin continua tentando se aproximar da sua filha, mas as tentativas têm sido em vão. Ele parece não saber o que fazer, e a garota disfarça bem. Porque sim, com certeza essa história de que ela está morando com amigos vai render e não de um jeito bom. Nesse caso, é bom que a série dê uma acelerada nesse arco. Dois episódios e dois encontros no mesmo lugar que pouco acrescentaram para a evolução da história. PD precisa analisar suas tramas e conseguir enxergar quais merecem um desenvolvimento mais lento e quais necessitam de um desfecho rápido.

A história da seringa acabou que era uma atitude extremamente bonita do Roman. Acontece que o patrulheiro é doador de medula, por isso até aparentou certo cansaço na perseguição que abriu o episódio. Roman é um personagem que merece um bom arco. Ele não tem pretensões de ser promovido para a Inteligência, mas existem outras vertentes que podem ser exploradas. Alguns acham que ele será uma peça a mais no relacionamento entre Burgess e Adam. Eu particularmente não acredito nessa teoria. Seria um tiro no pé dos roteiristas e vamos combinar que para esse tipo de drama de triângulo amoroso, temos umas dez séries da CW que cumprem o requisito.

PS: Voight liberou Linstead. Ótimo, pois se tivéssemos mais um vai não vai no relacionamento desses dois, ia desgastar o casal. Vide Dawsey em Chicago Fire.

PS2: Que erro de continuação infantil a produção cometeu nesse segundo episódio. Em algumas cenas, o Jay aparecia com barba grande, em outras, a barba estava rala.

E vocês, o que acharam do episódio?
PROMO DO PRÓXIMO EPISÓDIO

Reações:

Sobre o Autor

 
Top