Comentários
Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: [C. NERD] RESENHA - A CIDADE & A CIDADE
Author: Jéssica Ohara
Rating 5 of 5 Des:
A obra inicia-se quando o corpo de uma mulher assassinada é encontrado na decadente cidade de Bes’zel, em algum lugar nos confin...



A obra inicia-se quando o corpo de uma mulher assassinada é encontrado na decadente cidade de Bes’zel, em algum lugar nos confins da Europa. Parece apenas mais um caso trivial para o Inspetor Tyador Borlú. À medida que avança a investigação, as evidências começam a apontar para conspirações muito mais estranhas e mortais do que ele poderia supor, levando-o à única metrópole na terra tão estranha quanto a sua: Ul Qoma. As duas cidades ocupam o mesmo espaço geográfico, mas constituem nações diferentes, monitoradas por um poder secreto conhecido como a Brecha. Em ambas as cidades, ignorar a separação, mesmo sem querer, é considerado um crime terrível, mais grave do que cometer um assassinato. 

"Ela estava caída perto das rampas de skate. Nada é tão imóvel quanto os mortos"

No final desse livro, eu pensei em dois métodos pelos quais eu poderia convencer ou explicar a minha empolgação com ele para qualquer um. O primeiro seria segurar a pessoa pelos ombros, ficar sacudindo-a enquanto eu grito LÊ ISSO AGORA de forma constante e por um longo período de tempo. O outro modo seria fazer uma resenha.

Em um primeiro momento, parece loucura, pensar em viver numa cidade na qual outra cidade ocuparia o mesmo espaço físico e que você seria de certa forma, treinado para desver o que está ao seu redor considerar todos “os vultos” como parte de um país estrangeiro. Mas será mesmo? 

Quantas vezes nós sabemos que é perigoso, tanto no sentido físico como emocional, admitir uma situação, porque no momento que nós vemos nos tornamos parte disso. Algo degradante, uma discussão, pessoas que não deveriam estar naquele lugar, um prédio feio, qualquer coisa que automaticamente entre no catálogo cerebral, na parte daquilo que não deve ser registrado. 

Nós vivemos num continuo processo de desver, apesar de não admitirmos isso em voz alta. O que é o mesmo que a maior parte da população tanto de Ul-Qoma quanto de Beszel fazem, só que em um nível muito profundo. E aqueles que por acidente ou deliberadamente veem, umas as outras, estão fazendo brecha, ou melhor, estão na Brecha. Essa que é uma força única, feita para manter o equilíbrio que é a separação. Camadas de realidade que convergem para o mesmo ponto, mas não se encontram. 

Mas essa sociedade secular pode estar comprometida. E isso começa com um crime em Beszel, uma mulher morta e o caso é entregue nas mãos do inspetor Borlú que virou um dos meus mozões literários. A construção desse personagem é perfeita, China não se rende a nenhum tipo de estereótipo ele cria um homem, um homem bom, inteligente e capaz de se entregar a um caso.

Tal como sua assistente Cowi, é quase possível vê-la, não há pessoas parecidas há uma voz para cada personagem que o deixa muito distante do esquecimento. Por menor que seja sua passagem pelo livro, ainda será único.

E surpreende como toda a história em si, é o final, que vai além do que algo que poderia se esperar. China Miéville não trabalha com clichês e o leitor tem a oportunidade de aprender isso em cada capítulo. Eram 2:00 da manhã quando eu ergui o rosto, após ter terminado de ler numa maratona de quase desespero, eu precisava saber a verdade e eu a tive. E ganhei algo a mais, a experiência de ler um escritor excepcional.

"Agora dê uma olhada a sua volta: você está onde de fato acha que está?"


AUTOR(A): China Miéville
PÁGINAS: 292
EDITORA: Boitempo
LANÇAMENTO: 2014
ONDE COMPRAR: Submarino

Reações:

Sobre o Autor

 
Top