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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: [LIVROS] RESENHA - EU SOU A LENDA
Author: Michelle Louise
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Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Ne...
Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso... Eu sou a lenda, é considerado um dos maiores clássicos do horror e da ficção científica, tendo sido adaptado para o cinema três vezes.



Primeiramente precisamos lembrar um pequeno detalhe importante: “Eu sou a Lenda” já foi adaptado três vezes para as telas do cinema. A primeira versão, em 1964, se chamou “Mortos que Matam” (The Last Man on Earth) e foi a versão que mais respeitou o livro. A segunda, em 1971, “A Ultima Esperança da Terra” (The Omega Man) e, por fim, a versão mais recente e, provavelmente, a mais conhecida estrelada por Will Smith, em 2008. 

Se você se lembra bem do filme do Will Smith? Lembra-se de todas as explicações do motivo e cenas de ação? Preciso que você faça uma coisa: Esqueça. Esqueça, pois o livro é bem diferente da obra cinematográfica. 

Eu sou a lenda é uma obra clássica, além de ser uma das principais responsáveis pela popularização do tema “fim da humanidade através de doenças” que acabou sendo, também, o inicio da popularização do apocalipse zumbi. Vemos através dos olhares de Robert Neville, no período de 1976 à 1979, um mundo afundado no mais profundo cenário apocalíptico. Robert é o único sobrevivente humano dentre o caos que passa a dominar um planeta habitado por vampiros, uma praga que se alastrou rapidamente na humanidade até leva-la a ruína. 

O livro narra a solidão de Robert, a companhia que este tinha em seus discos de vinil, whisky, e nos próprios vampiros. Durante o dia, quando estes estavam adormecidos Robert os caçava e, a noite, os vampiros o caçavam. Porém, ele havia construído uma fortaleza onde poderia ficar a salvo dos mesmos. Sua casa virou seu refugio, seu canto seguro dentro do mar se insegurança que o dominava.
  
Ouso dizer que a narrativa é de uma perspectiva pessimista (perfeitamente natural dado o cenário da história) e sentimental, onde a principal guerra travada não é entre humano x vampiros. E sim de Robert contra o seu psicológico. É preciso considerar que a narrativa nos apresenta três anos da vida de um homem absolutamente sozinho, lutando para sobreviver numa sociedade onde todos o querem “morto”. Não é preciso pensar muito para chegar a conclusão que qualquer um teria enlouquecido em um curto espaço de tempo.

Se no filme vemos logo a causa por trás da praga, no livro isso não acontece. E isso é um dos motivos pelos quais Robert não enlouquece. Cético, não acreditando em superstições de vampiros que fogem da cruz e alho (como ocorre de fato no livro) o personagem começa sua própria pesquisa para descobrir a origem da praga e o porquê das reações dos vampiros a essas coisas que eram bastante eficazes para os deterem. Essa parte acaba tomando boa parte da obra e, ao menos para mim, foi algo extremamente positivo de se ler. A busca em livros, análise em microscópio (com direito a descrição do uso do mesmo) foram de uma riqueza maravilhosa. A busca por respostas ajudava Robert a manter-se vivo e a não enlouquecer. A busca por respostas mantinha a parte mais humana dele ativa, a capacidade de se questionar era de extrema importância dentro deste cenário.

Richard utiliza flashbacks para contar fatos importantes da vida de Robert como, por exemplo, sua esposa. Sua vida anteriormente, sua vida com companhias e felicidade ao redor. E, ao mesmo tempo, o terror de se ver perdendo tudo isso. O terror de ver o mundo se apagando e as pessoas que você costumava conversar se tornando algo que nem seu pior imaginário conseguiria prever. 

Richard não poupa e, diferente do que vemos no filme, a obra literária é bem mais psicológica e, consequentemente, mais dolorosa. É inevitável se colocar no lugar de Neville e se questionar: Eu teria aguentado? Quanto tempo eu teria aguentado? A solidão e a frustração sexual de Robert são de longe o foco da obra. Afinal, a atração sexual é intrínseca a natureza humana. Robert está privado de qualquer contato humano por três anos. E a frustração sexual somada a forma como as vampiras se insinuavam para ele, quase fazem Robert perder o senso lógico e sair de casa a noite, onde o domínio era deles. 
Sendo um dos maiores clássicos da literatura não é difícil entender o porquê. Todos os debates que o autor te obriga a ter com você mesmo são maravilhosos por si só. Mas, não comparem o livro com o filme. Não esperem a ação que o filme possui, pois o livro é bem mais “parado”, uma vez que o foco não é ação e sim o ser humano, com suas dores, questionamentos, necessidades e medos. 

Falando do livro físico, propriamente dito. A edição da Editora Aleph é uma das mais bonitas que já vi. A capa dura é extremamente bem decorada, um cuidado com a edição, os desenhos que povoam as paginas, além de um prefácio escrito por Stephen King e um conjuntos de extras de debatem a obra num sentido biocultural são maravilhosos. Alias, eu gosto disso na Editora, esse apreço por extras que instigam o leitor a levar a obra a outro nível de profundidade, outras análises mais importantes e que, por vezes, passam despercebidas pelo leitor. 

Com toda a certeza é uma leitura que vale cada segundo e cada página lida e, também, valem aquele lugarzinho especial na estante.

Livros Eu Sou a Lenda - Richard Matheson (8576572710)
Livro para resenha cedido
pela Editora Aleph

AUTOR: Richard Mathenson
NÚMERO DE PÁGINAS: 382
EDITORA: Aleph
LANÇAMENTO: 2015
ONDE COMPRAR: Clique aqui.

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