Comentários
Ayla Aguiar Ayla Aguiar Author
Title: [LIVROS] RESENHA – A PROFECIA DO PASSÁRO DE FOGO
Author: Ayla Aguiar
Rating 5 of 5 Des:
No subterrâneo de lugares onde é muito difícil de chegar, duas antigas raças travam uma guerra milenar: os Avicen, pessoas com penas ...

No subterrâneo de lugares onde é muito difícil de chegar, duas antigas raças travam uma guerra milenar: os Avicen, pessoas com penas no lugar de cabelo e pelos; e os Drakhrin, que tem escamas sobre a pele. Ambas possuem magia correndo nas veias, o que as separa de todos os humanos... Menos de uma adolescente chamada Echo.
Echo conheceu os Avicen quando era criança, e desde então eles são sua única família. A pedido de sua guardiã no mundo mediterrâneo, a garota começa uma jornada em busca de um pássaro de fogo, uma entidade mítica que, segundo uma velha profecia, é a única forma de acabar com a guerra entre as raças de vez. Mas Echo precisa encontrar o pássaro antes dos Drakharin, ou então os Avicen podem desaparecer para sempre. 

Sobre esse livro eu tenho duas coisas para abordar: a linha que eu gostei, e a de que fiquei frustrada com a falta de detalhes. Porque olha, eu realmente gostei da história, ela teve toda uma fluência legal, você não consegue largar, tem história o suficiente para te prender. O grande problema: eu queria saber mais, já que jogam os Avicen e Drakharin a toa na história. E vou explicar tudo.

Vamos lá. A historia da Echo, uma criança de seus 7 anos morando sozinha na biblioteca pública de Nova York, pois fugiu de casa (o que se dá a entender na história é que a mãe dela era abusiva com ela e nenhum outro familiar impedia, e, como ela não aguentou, fugiu). Então, nessa biblioteca ela acaba conhecendo a Ala, uma Avicen, e a mesma se torna sua guardiã e única família, a levando para viver com a própria raça. E lá ela cresce recebendo olhares e críticas do tipo “Você não é daqui, aberração!” ou “Nós te toleramos por causa da Ala, então fique no seu lugar”.

Com poucos amigos feitos com os Avicen desde criança, ela cresce e vira uma ladra profissional para tanto a Ala quanto a raça dela, o que é irônico. Eu gostei disso. Eu gostei do fato dela ter sido escolhida para ir atrás do pássaro da lenda, que acabaria com a guerra e ter trombado com o príncipe deposto da outra raça (que por acaso foi deposto pela própria irmã louca), que está fingindo ser um mercenário (com a ajuda do ex-capitão da guarda, que está com ele).

No outro lado existe o Caius, príncipe da raça Drackharin, que depois que perdeu a mulher que amava há umas décadas (de novo, pela mão da irmã), que era uma Avicen, não aguenta mais tanta guerra entre os Avicen e sua raça, resolvendo empreender uma busca de 100 anos (tempo em que a Rose, a mulher que amava, tinha introduzido a paz na vida dele e morrido) pelo mesmo pássaro, sem sucesso. Por isso a irmã resolve tirar ele do trono, acabando assim por ajudar Caius a fugir com a Echo.

Nesse meio tempo, eles têm um objetivo em comum, um passado parecido, o que leva os dois a quererem a mesma coisa no futuro: paz. Levando também a junção mais estranha de um grupo: Dorian (amigo leal do Caius e capitão da guarda também deposto) e Caius, Echo, Ivy (amiga Avicen da Echo), e Jasper a continuar essa procura pelo pássaro. Também dando a chance de começar um triângulo amoroso: Echo, Caius e o futuro ex da Echo (que, por um acaso também é um Avicen, que cresceu com ela). Por mais que ache legal ter romance, cansou ter sempre a maldição de um triângulo amoroso, está se tornando comum, chato pra caramba e que ninguém mais aguenta. Eu realmente espero que tirem o ex da Echo da jogada.

Enfim, o que eu gostei da história foi isso tudo. Essa ação, essa mistura de personagens, inclusive com gays (no caso Dorian e Jasper). Ver a interação das duas raças, o preconceito indo embora, a raiz do problema “a sua raça é um monstro” com conversa e interação, e a busca pela profecia. Empolga ver a tensão entre as duas raças tão evidente, o que faz você não querer para de ler para ver como vai terminar.

Agora o problema: a falta de base. Por quê? Não mostra a história dos Avicen e Drakharin. De onde vieram as duas raças e por qual motivo elas estão aqui? Por que elas são humanas com características de dragões e aves? Qual o sentido da guerra além de “ah, os Avicen roubaram nossa magia, e a gente mal consegue fazer alguma coisa hoje”? Tá, eu sei que a guerra dura o suficiente para esse motiva ser esquecido por ambas as raças, mas eu realmente queria saber. Esses detalhes seriam bem importantes, porque acrescenta na história, deixam o leitor ainda mais envolvido e louco para saber mais e mais. Não foca só na cansativa narrativa de quem são eles, o motivo  da guerra, já que vai ter a ação dos personagens já falados mais aí em cima, de acabar com isso e achar o tal pássaro. Tem que ter essa mescla. Não sei se é porque eu leio só livro assim, que tem sempre essa explicação, de algum modo, para complementar a história principal. Aí quando falta, eu fico meio perdida.

Então assim, a única coisa ruim que posso dizer desse livro é a falta de maiores informações mesmo. Porque de resto: muito amorzinho a história. A maioria dos personagens são legais. As magias, como o entremeio, por exemplo, em que você viaja pela escuridão de um lugar para o outro, sem precisar de um incômodo como avião, é bem legal. Queria experimentar, mesmo sabendo que ia ficar que nem a Echo, enjoada. Já que, para um humano, ter que se viajar com algo que ligue um local a outro, usando portas ou algo natural, como árvores, enquanto as duas raças não precisam dessa ligação. Mostra um pouco da cultura dos dois lados. Bom pouco, mas mostra, e quero mais disso.

(SPOILER, mesmo que óbvio)

Antes de terminar: eu dou um doce pra quem acertar quem é o pássaro! 


Título: A Profecia do Pássaro de Fogo
Autor: Melissa Grey
Editora: Seguinte
Páginas: 296
Ano: 2016
Onde Comprar: Saraiva





Reações:

Sobre o Autor

 
Top