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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: [REVIEW] CASTLE - S08E20: MUCH ADO ABOUT MURDER
Author: Michelle Louise
Rating 5 of 5 Des:
“Ser ou não ser, eis a questão" Assim temos o inicio daquele episódio que veio homenagear os 400 anos na morte (data "...

“Ser ou não ser, eis a questão"

Assim temos o inicio daquele episódio que veio homenagear os 400 anos na morte (data "comemorada" no mês de abril) daquele que foi um pilares de sua língua, Shakespeare. Embora o episódio tivesse como título uma referência a obra “Muito Barulho por nada” (Much Ado About Nothing, em inglês), Hamlet foi a peça central da trama. Sim, eu gosto muito de Shakespeare e, sem querer tomar tempo de vocês para compartilhar coisas pessoais, mas eu tinha todo ano colado em meu caderno na escola o soneto 47 (sim, pura coincidência. Ou não). 

A review será uma dura critica. Não se assustem, mas eu venho incomodada já a algum tempo com o que tenho visto e, aproveitei essa review para colocar tudo para fora. Os casos de Castle estão uma completa confusão e eles se perderam de vez na série e nos personagens. Fica fácil de entender o que eu quero dizer com questões simples desse episódio que, para mim, foi forçado, com uma história que não terminava em lugar algum e que não conseguiu manter a essência dos personagens em coisas elementares, não se preocupem...abordarei isso com detalhes mais adiante. 

Um assassinato num teatro. Um ator que morre ao ensaiar para interpretar com maestria a peça de “Hamlet”, uma das mais aclamadas de Shakespeare. Tinha tudo para ser um bom caso até... Bem... fugir do caso. Sim, fugir do caso e tentar, de todas as formas, puxar a série para o Castle de maneira que, nesse episódio mais do que em qualquer outro, ficou forçado. Martha estava diretamente ligada ao caso (alias, adorei em níveis infinitos a cena deles a encontrando no quarto da vítima), ou seja, este poderia ser o gancho para colocar Castle no centro das atenções do episódio sem que parecesse algo extremamente imposto a qualquer custo. Rick no centro costumava ser uma coisa natural porque, então, havia uma divisão igualitária de screentime, as histórias convenciam e mesmo as teorias mais mirabolantes poderiam fazer sentido.


Castle sendo sequestrado por El Oso realmente retratou como Castle não está sabendo mais lidar com a dinâmica dos personagens. Não me levem a mal, mas Castle havia sido sequestrado e ninguém ligou muito para isso, certo? Beckett permaneceu calma (sim, calma, como se ele não tivesse sumido por meses antes), Espo também permaneceu no mesmo tom. Martha foi a que, talvez, demonstrou um pouco mais de preocupação com a cena diante de seus olhos: Rick sendo arrastado para o porta malas de um carro. Posso estar sendo critica demais por não gostar do rumo que as coisas tomaram, mas senti, principalmente nessa cena, que faltou muita coisa. Eu gostaria que vocês parassem e voltassem algumas temporadas no tempo. Algumas temporadas atrás (não precisa ir tão longe, na sétima já está ótimo) Kate Beckett teria sido a pessoa mais preocupada do mundo com Castle, ela teria ficado em pânico e procurado em menos de um minuto mil meios de salvá-lo. Mas a cena da descoberta do sequestro do Rick foi fria. Nós sabíamos que ele estava bem, os outros personagens não. Isso foi falha de roteiro. Isso foi falha de relembrar outros os episódios da série, relembrar os personagens e saber como eles iriam reagir. Não dá para fingir que está tudo bem.

Outro ponto, quando eles encontram o Castle graças ao cartão YOLO: Em que planeta, em que universo, a policia chegaria atirando sem saber a posição do Castle, sem saber quantos bandidos haviam lá dentro e sem ter a mínima noção de como era o local? Vejam bem, eu amo Castle e sempre amei. Mas essas falhas vêm me incomodando e com uma boa razão. Para muitos fãs a série se aproxima de seu final e eu esperava episódios melhores para nos guiarem até esse momento. Esperava que fossem ter cuidado de tratar a série com um carinho que não tenho visto. Tratar os personagens como mereciam.


Eu jurei para mim mesma, tentar não criticar tanto uma série que já me fez tão bem. Mas chega uma hora que nosso posicionamento é pedido. Houve uma época que Kate Beckett e Richard Castle eram protagonistas juntos. Investigavam crimes juntos. Eram a parte da série sem a qual a outra não funcionava. Kate nem ao menos foi ao resgate de Rick. Agora, deixo aqui um questionamento: Qual a necessidade de reduzir TANTO o screentime e a participação da Stana da série? Ela não vai mais retornar para nona temporada (que pra mim já é coisa certa), mas não precisava ser tratada como peça de decoração como tem acontecido. Estão tentando fazer os fãs se acostumarem com uma série sem ela, tirando ela da história antes mesmo do necessário. 

Kate Beckett é uma personagem amada, uma personagem que inspira, uma personagem forte que sempre teve como marca registrada sua força e bravura. Não estamos tendo isso. Não estamos tendo Beckett como um todo. A série tem como nome Castle? Sim. Mas a série sempre foi sobre a dinâmica dos dois em conjunto. Não quero ver Beckett apenas em casa com Castle, eu não quero apenas Caskett. Não quero apenas o romance. Eu quero Beckett sendo a Katherine que aprendemos a respeitar. Eu quero a Beckett de "Kill shot", que luta contra seus medos. Eu quero a Beckett de "To Love and Die in L.A" que luta para fazer justiça para aqueles que precisam. Eu quero a Beckett de "Always", de "In the Belly of The beast", de "Veritas". Eu quero a Beckett que foi construída, desenvolvida e trabalhada por 8 anos. E não a Beckett que temos agora, ou apenas em casa ou dando ordens no distrito, sem nem aparecer no episódio direito.


 Eu senti uma nostalgia muito grande quando vi Javi, Kevin, Castle e Kate em frente ao quadro da NYPD falando sobre o caso. Vocês se lembram das temporadas anteriores, quando isso seria comum e seria seguido de uma cena onde todos estariam juntos resolvendo os crimes? Estamos a dois episódios de terminar a temporada, terminar a série para alguns. Eu esperava mais. 

Os Ryan e a fofura de Sarah Grace foram, talvez, o ponto alto do episódio. Vamos ignorar o fato de que SG deveria ter agora dois anos e  meio e seguir como se tudo fosse normal, tudo bem? Tudo bem. Fazia tempo que não víamos Kevin (e Jenny, Juliana, mozi) aparecendo na série com evidência. Eles são o casal da série que tem dois filhos e eu entendo, claro, o porquê deles não aparecem com frequência. Talvez por isso, quando eles aparecem assim, seja algo meio mágico. 

Ryan querendo que as crianças fossem quase atores na Broadway foi maravilhosamente fofo, ainda mais pela forma compreensiva que Jenny lidou com a situação, sem chamar seu marido de louco (como eu provavelmente teria feito). Eles se mostraram um casal extremamente compreensivo que entende lado do outro e sabe como dizer não. Alias, ponto ALTÍSSIMO do episódio a Sarah gritando  “TIO JAVI” e abraçando o Espo. Eu já havia mencionado como eu amo a relação de amizade dos dois parceiros, ver o Ryan jantando na casa do Javi em Heartbreaker e agora ver como toda a família Ryan é próxima ao Espo foi muito bonito e me fez lembrar que todos no 12th são uma grande família, não importa o que aconteça.

Não sei se vocês estão familiarizados com a obra "Muito Barulho por nada", se não estiverem eu falarei de dois personagens da obra que tem sua história como uma das principais do livro. Beatriz e Benedito são dois personagem que juram nunca se casar, que "se odeiam" e vivem trocando farpas durante toda a narrativa, até que um plano de Claudio, Hero e Dom Pedro de Aragão termina por unir esses dois amantes. 

Caskett era assim em seu começo, se lembram? Trocando ofensas leves, fingindo não gostarem um do outro, lutando contra aquilo que sentiam. Muito evoluímos de lá para cá. Passamos por muitas coisas difíceis, quase mortes mas, ao mesmo tempo, passamos por muita coisa boa e hoje o clima entre eles é leve. Mas não tão leve assim, afinal, sempre precisa ter uma pequena competição, certo? Sou mais adepta a ideia do Strip Poker, mas planejar encontros semanais e ver quem "ganha" pode ser uma opção. Ou não, afinal, eu claramente seria Beckett e esqueceria que preciso planejar algo naquela semana. Quando eles estão sentados no chão de casa, dividindo um encontro calmo nós conseguimos até esquecer de todos os problemas que estamos enfrentando. Ali é a zona de segurança da série. Em Caskett nos temos o porto seguro onde sabemos que a série vai funcionar e que o público vai gostar. E, independente de qualquer coisa, eu vou sentir uma falta imensa desses momentos quando...Bem...não vamos falar de final agora. 


Peço desculpas, de verdade, se alguém se incomodou com algo dito aqui. Porém, esse é o espaço que tenho para retratar exatamente aquilo que penso e, sinceramente, meu coração estava pesado por escrever tudo que eu estava pensando (por isso a review demorou tanto pra sair). Não achem, nem um por um segundo, que é fácil para mim abrir as páginas em branco e preenchê-las com essas palavras, criticando algo que foi responsável por tantos dos meus sorrisos e das minhas lições de vida. Mas talvez, justamente por ver Castle como uma velha amiga, eu me sinto na obrigação de apontar os defeitos que vejo. Eu me sinto confortável para dizer que as coisas estão, depois de 7 anos certas, erradas. 

Obrigada por entenderem, ou não.

PS: A sombra da Stana nesse episódio, valeu cada ceninha que ela apareceu.
PS1: HASHTAG YOLO. ~voz da Stana e minha morte~
PS2: Se meu marido trocasse nossa noite de encontro para escrever a história de um mafioso daquela forma, eu não seria tão compreensiva.
PS3: Quero colocar SG num pote guardar para mim.
PS4: Curiosidade para vocês, algo que talvez se encaixe no que todos estamos sentindo:

"Então, seja por tua imagem ou pelo meu amor
 Estás, mesmo distante, sempre comigo;
Pois não corres mais do que meus pensamentos,
E estou sempre com eles, e eles, contigo;
Ou, se adormecem, a tua imagem à minha frente
Desperta meu amor para a alegria dos olhos e do coração".
(Trecho do Soneto XLVII)


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