Comentários
Tatiana Dantas Tatiana Dantas Author
Title: [PAPO DE SERIADOR] SÉRIES QUE ABORDAM TEMAS PSICOLÓGICOS
Author: Tatiana Dantas
Rating 5 of 5 Des:
Apesar de falarem que pessoas que assistem muitas séries são depressivas, esquecem que através da informação muitas pessoas se atentam s...


Apesar de falarem que pessoas que assistem muitas séries são depressivas, esquecem que através da informação muitas pessoas se atentam sobre danos psicológicos em relação a elas e ao seu redor.
Dando um exemplo particular, eu notei que estava com depressão devido a terceira temporada da série Orange Is The New Black ao qual uma personagem apresentou claramente o quadro e teve uma abordagem ótima de como a doença te muda, me identifiquei e busquei ajuda.

Imagino que existam muitas séries e filmes que já abordaram o tema de forma sútil ou não, como caso da semana, ou focado nisso, o intuito é mostrar algumas que mostram as amarras psicológicas e emocionais para você entender melhor esse mundo obscuro com tanto tabu e preconceito que são as doenças e traumas psicológicos. E para quem apenas gosta do tema, adicionar uma nova maratona em sua grade.

Gostaria de aprofundar cada série indicada, mas não farei isso para evitar spoilers e dar a oportunidade de vocês amarem essas séries. Não terá dicas de série somente focada nisso, mas séries que tenham personagens com algum problema psicológico, ou algum episódio significativo que pode deixar vocês mais atentos sobre doenças invisíveis em si e nas pessoas a sua volta.

                                                UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT
                                    
Estrelada por Ellie Kemper e Tituss Burgess, o seu enredo centra-se numa mulher que temendo o apocalipse, é aprisionada por um pastor maluco num bunker durante anos e após ser resgatada, recomeça a sua vida na Cidade de Nova Iorque.

Mas espera aí, não é uma comédia? Exatamente, Tina Fey aborda de forma brilhante como as prisioneiras do bunker lidam com suas vidas, com o foco em Kimmy, que enxerga a vida com inocência e alegria. Mas tudo isso com o tempo vem causando sintomas, estresse pós-traumático, fobias e abandono. Coisas horríveis aconteceram com ela e ela lida com humor a nova chance que a vida te deu, mas na segunda temporada aborda bem que não se dá para camuflar e ignorar a dor. Tendo sessões de terapia ela consegue começar lidar com seus problemas. E o elenco secundário tem bastante desconstrução, empoderamento, e tudo em forma de humor.

THE LEFTOVERS

The Leftovers se passa inicialmente em uma cidade de Nova Iorque chamada Mapleton, e narra os acontecimentos do que muitos acreditam ser o arrebatamento cristão e acompanha a vida das pessoas que não foram levadas pelo arrebatamento, três anos após ter ocorrido. Acredita-se que 2% da população mundial tenha desaparecido (algo em torno de 140 milhões de pessoas) e a série passa a acompanhar como a sociedade convive atualmente após tal acontecimento.

Um Drama que ou você ama ou odeia, muitos na estréia se perguntavam "Mas que série sem sentido, não estou entendendo.". Justamente porque ela não é sobre a ficção, o desaparecimento, o nexo, e sim sobre pessoas, como elas lidam com a perda. Cada um encara a perda repentina das pessoas em sua vida e ao redor do mundo de forma única, tem suicídio, tem depressão, tem estresse pós traumático, tem luto, esquizofrenia, alucinação, raiva, transtorno de personalidade. Você nesta série percebe que nem sempre um problema mental, uma crise, é apenas fisiológica, que pessoas e situações podem ser um enorme gatilho para elas acontecerem, e claro, tem o suspense também.

ORANGE IS THE NEW BLACK 

A série se desenvolve ao redor da história de Piper Chapman (Taylor Schilling), que mora em Nova York e é condenada a cumprir 15 meses numa prisão feminina federal por ter participado do transporte de uma mala de dinheiro proveniente do tráfico de drogas quando mais jovem a pedido da sua ex-namorada, Alex Vause (Laura Prepon), que é peça importante num cartel internacional de drogas.

O delito ocorreu dez anos antes do início da série e, no decorrer desse período, Piper seguiu sua vida tranquila entre a classe média-alta de Nova York. Já no alto dos seus trinta e poucos anos, desfruta de uma felicidade sem tamanho ao lado do seu noivo Larry Bloom, (Jason Biggs) deixando seu passado sombrio de lado, até ele resolver voltar para assombrá-la.
Para pagar por seus crimes, Piper resolve se entregar e troca uma vida confortável pela prisão. Tragada por um universo laranja completamente distinto do seu acaba encontrando tensão e companheirismo num grupo de detentas desbocadas, em um local em que é impossível fugir, até de si mesma.

Bem, a série não é ao redor da Soso, mas ela se tornou importante pra mim por eu estar sem me reconhecer, e ter me visto nela, ter descoberto minha depressão com ela. A personagem que era alegre e carismática, tagarela, de repente fica muda, não tem vontade de viver, se sente sozinha, e conforme ia se desenrolando o enredo dela, ia caindo minha ficha de forma dolorosa, ficava em negação, até que ela tentou algo que vi que precisava de ajuda, assim como ela. Então eu reforço que séries não são apenas um hobby, é uma enorme fonte de conhecimento, até sobre si mesmo. E não só a Soso, tem outros transtornos psicológicos como a personagem maravilhosa Crazy Eyes tem. Sociopatia, neurose obsessiva, e outros temas muito importantes, como empoderamento, transfobia, homofobia, aborto, relações abusivas, religião, são temas na série, eu recomento muito OITNB que melhora a cada temporada.

DEXTER

Dexter é um analista forense de padrões de sangue que trabalha para o ficcional Departamento da Polícia Metropolitana de Miami. No seu tempo livre, ele é um assassino em série vigilante que tem por alvo outros assassinos que fugiram ao sistema judiciário. Ele segue um código de ética que lhe foi ensinado na sua infância pelo seu pai adotivo, Harry (referindo-se a ele como "O Código" ou "O Código de Harry"), que se baseia em dois princípios: Dexter apenas pode matar pessoas depois de encontrar provas conclusivas da sua culpa em crimes, e que tem de se libertar de todas as provas para que não seja apanhado.

BATES MOTEL

A série é um "prólogo contemporâneo" para o filme Psycho de 1960 (baseado no romance de mesmo nome escrito por Robert Bloch), que retrata a vida de Norman Bates e de sua mãe Norma antes dos eventos retratados no filme de Alfred Hitchcock.

Mãe e filho sempre compartilharam uma relação complexa, quase incestuosa. Trágicos acontecimentos vão empurrá-los ainda mais. Todos eles agora compartilham um segredo obscuro.
E assim começa essa série MAGNÍFICA, muitos acham ela lenta, dramática, mas o transtorno de personalidade do Norman, as neuroses da Norma, o complexo de Édipo, e por fim sua psicose. Além das tramas loucas da cidade e personagens lindos como Emma e Dylan, valem muito adicionar essa série na grande, que teve uma quarta temporada sensacional. Os eventos da quinta vão se relacionar com o grande clássico de Hitchcock, a psicologia por trás do seriado, personagens, te deixam absolutamente chocados, para estudantes ou curiosos sobre psicologia e transtornos, essa série é um prato cheio. 


MR. ROBOT 

Elliot (Rami Malek) é um jovem programador que tem fobia social. Ele trabalha como técnico de segurança virtual durante o dia, e como hacker vigilante durante a noite. Elliot se vê numa encruzilhada quando o líder (Christian Slater) de um misterioso grupo de hackers o recruta para destruir a firma que ele é pago para proteger. Motivado pelas suas crenças pessoais, ele luta para resistir à chance de destruir os CEOs da multinacional que ele acredita estarem controlando - e destruindo - o mundo.

Quem sofre de depressão e fobia social, e já quebrou muito a cara por aí, vai se ver no personagem Elliot, uma fala que me definiu foi "Sou bom em ler as pessoas. Meu segredo: procuro o pior nelas".
E infelizmente é assim, e ver o mundo assim faz deixarmos passar o melhor das pessoas, a série tem uma trama magnífica, não é em vão que ganhou muitos prêmios e ótimas críticas, mas além da política por trás dela, do lance hacker, mostra algo maior, mostra: como não adoecer nessa sociedade?
Isso me lembra muito o livro do Freud "O Mal estar na civilização", se você enxerga bem o mundo, se você não se coloca na santa ignorância, como não se indignar? como não adoecer? como não ter fobia das pessoas? Pra resumir minha indicação por essa série tão incrível como drama e trama psicológica este diálogo que se passa na mente dele para responder a sua terapeuta resume bem o quanto devemos refletir sobre nossas neuroses, ou sobre porque ignoramos ela nesse mundo louco.

"O que na sociedade te decepciona tanto?"
"Não sei, será porque todos achamos que o Steve Jobs era um grande homem, mesmo sabendo que ganhou bilhões explorando crianças?
Ou talvez porque nossos heróis são uma farsa. O mundo inteiro é só um grande boato.
Assediando uns aos outros com comentários imbecis disfarçados de opiniões, e as mídias sociais que fingem promover intimidade.
Ou será porque votamos nisso?
Não através de eleições fraudadas, mas com nossas coisas, propriedades, nosso dinheiro.
Isso não é novidade. Sabemos por que fazemos isso.
Não porque "Jogos Vorazes" nos fazem felizes, mas porque queremos ficar sedados.
Porque é doloroso não fingir, porque somos covardes. Foda-se a sociedade!"


MY MAD FAT DIARY

Rachel 'Rae' Earl, que sofre com excesso de peso e 16 anos de idade, passou quatro meses em um hospital psiquiátrico. Ela se esforça para esconder seus problemas de imagem corporal de saúde e mental de seus novos amigos e tem dificuldade para se encaixar na nova turma.
Essa série é linda e forte, ela tem depressão, tentou suicídio, não se aceita, não se ama, e começa uma terapia, começa uma sessão se autoconhecimento e nova visão de mundo, eu não posso falar muito porque só vi a primeira temporada, ao qual chorei horrores para escrever a postagem, e claro que vou finalizar essa lindeza. 

Esse vídeo me fez ver a série, passei inúmeras situações parecidas com a Rae, depressão é coisa séria, e sempre irei aplaudir séries que abordam isso, principalmente com público alvo sendo adolescentes. 

TRIGGER WARNING: Depressão, suicídio, auto-mutilação. 



BEING ERICA 

Essa vou me ausentar de sinopse, sou muito suspeita pra falar, e além das partes ruins dos problemas psicológicos, vamos falar finalmente da parte boa? A cura, o autoconhecimento, viver bem consigo mesmo, viver bem em sociedade, porque não importa como se sinta, qual transtorno tenha, você é acima de tudo uma pessoa. SIM UMA PESSOA! Como todos a sua volta, todos somos neuróticos, alguns mais precários e que exijam mais atenção, outros menos. Mas ninguém é completamente feliz, completamente mente sã, ninguém vive 100% por 24 horas no dia. Ninguém. Aceite isso e não se cobre tanto, vou mostrar o trecho que logo de cara me fez amar essa série.

"Você sabe aquela amiga que você tem? A garota que parece ter tudo certo? Ela tem o emprego dos sonhos, o namorado ideal, a vida perfeita. Bem… eu não sou essa garota. Meu nome é Erica Strange. Tenho 32 anos, ainda em um trabalho sem futuro, ainda dormindo com meu gato de estimação. Eu sei que as pessoas se perguntam ‘por que ela que tem ótima educação e ótimos amigos não consegue se dar bem?’. Existe uma resposta simples: más escolhas. Eu poderia ensinar um curso de estragar sua vida. Sério, eu sou muito boa em estragar tudo. A pior parte é que nem sempre foi assim. Eu era a estrela em ascensão . E ultimamente, sinto que apaguei” 

Quem nunca se sentiu perdido? quem nunca teve aquele enorme "E SE..?" na sua mente? 
Essa série é uma terapia, Dr. Tom é um ótimo psicanalista em forma de ficção. Afinal psicanálise nada mais é do que fazer as pazes com o seu passado, se autoconhecer no presente para ter um futuro livre e desconstruído? Então, a série aborda viagem no tempo (Meu tema favorito no mundo), Erica faz uma lista com todos seus arrependimentos, e o que faria se tivesse a chance de mudar eles? E quão sortudo seríamos se pudéssemos voltar no tempo hein? Será que arrumando nossas pisadas na bola, errando menos, sofrendo menos, estaríamos melhor hoje? Eis que a série te mostra, você poderia descobrir isso também fazendo uma terapia na vida real, acho que todos deveriam fazer, encontrarem seu "Dr. Tom". Mas enquanto isso não acontece, quebre seu tabu sobre terapia e faça uma terapia em forma de série, garanto que não irá se arrepender, e até hoje ninguém que recomendei não tenha se apaixonado. Vou deixar aqui ainda de presente o piloto para vocês, dê uma espiada e enjoy! 



Essas são as minhas favoritas para indicar para vocês, mas tem inúmeras séries que abordam o tema e que pretendo vê-las, e volto aqui para contar para vocês como foi, prometo. Sumi com as postagens, devido ao motivo óbvio citado no começo da postagem, me faltava inspiração, e me veio a ideia de usar o meu bad moment como inspiração. Para vocês verem que não só na ficção, ou só com você essas doenças invisíveis convivem ao teu lado, vocês não estão sozinhos, e as séries podem ser uma fonte libertadora, tanto para distrair sua mente dos maus pensamentos, como conhecimento e libertação. Espero que gostem e aceito indicações sobre o tema, a opinião de vocês é sempre importante, estava com saudades! 
Reações:

Sobre o Autor

 
Top