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Yngrid Oliveira Yngrid Oliveira Author
Title: [LIVROS] RESENHA - HIBISCO ROXO
Author: Yngrid Oliveira
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Protagonista e narradora de Hibisco Roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente "branca" e...




Protagonista e narradora de Hibisco Roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente "branca" e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente. 



Hibisco roxo é um livro que conta a história de uma família nigeriana que segue a religião católica indo de encontro à cultura do de seu pai pagão, que segue a religião local, igbo.
Toda a trama é narrada pela adolescente de 15 anos Kambili, integrante mais nova da família composta por 4 membros: o Pai (Eugene), a mãe (Beatrice) e os dois filhos, Jaja e Kambili. 


A Nigéria, um país do continente africano que foi colonizado pelo continente Europeu. Como sempre, quando um país coloniza outro acaba impõe sua cultura e subjuga a local. A Europa é um continente em que há o predomínio da religião católica, assim como há a supervalorização do branco em detrimento do negro. Assim Eugene, pai e chefe da família, aprende enquanto jovem com os missionários que a o catolicismo tradicional é que alcança a Deus e que prega a verdade e por isso dá as costas para a família pagã, além trazer para si todo tipo de preconceito como o entendimento de que o branco é mais civilizado que o negro e de que a mulher deve ser submissa ao homem.

Ele cresce e constrói um grande império e quando enfim forma uma nova família passa tudo exatamente como aprendeu para todos, de forma cruel, violenta, exigente e metódica não aceitando nenhum tipo de questionamento da parte deles, de tal forma que a família tem cada momento do seu dia cronometrado e fiscalizado, nunca sendo livres para serem espontâneos e fazerem o que estiverem sentindo vontade. Dessa forma as crianças nunca foram realmente crianças, a esposa nunca pode opinar, nenhum poderia desobedecer e ninguém nunca pôde ser feliz.

Eugene sente como função dele não permitir que sua família, tanto os quanto a esposa, se afastem dos caminhos do senhor e puni violentamente qualquer tipo de desvio daquilo que lhes foi ensinado. E é intolerante com qualquer um que não aja como eles. 

As coisas começam a mudar na cabeça dos filhos de Eugene quando a tia Ifeoma, irmã de Eugene também católica, convida os sobrinhos para passar um tempo com ela e seus filhos. Ela dá a desculpa de uma peregrinação para uma aparição de uma santa a fim de convencer o irmão a permitir tal viagem. E em uma passagem questiona e enfrenta Beatrice:

"Mas você sabe que o Eugene briga com as verdades das quais ele não gosta. Nosso pai está morrendo, ouviu bem? Morrendo. Ele é um homem velho, quanto tempo tem de vida, gbo? Mas Eugene não o deixa entrar nesta casa, se recusa até a falar com ele. O joka! Eugene tem que parar de fazer o trabalho de Deus. Deus é grande o suficiente para fazer seu próprio trabalho. Se Deus for julgar nosso pai por escolher o caminho de nossos ancestrais, então Ele que faça o julgamento, não Eugene." 


Todos os filhos da tia são livres para opinar e por isso são adolescentes críticos e perspicazes. Em um trecho Amaka, sua prima, indaga, por exemplo, um padre negro que está sendo transferido para uma missão na Alemanha com a seguinte frase: 

“Os missionários brancos trouxeram seus Deus para cá, um Deus da mesma cor que eles, adorado na língua deles, e empacotado nas caixas que eles fabricam. Agora estamos levando esse Deus de volta para eles, não devíamos pelo menos empacotá-los em outra caixa?”
Então Kambili e principalmente Jaja, começam a se questionar de forma discreta que é como o medo do pai e de seus castigos lhes permitem agir, mas já é um começo.

Minhas impressões:

O que falar de um livro que superou minhas expectativas e se tornou um dos meus preferidos? 
Ler sempre é uma delícia, mas ler um livro maravilhosamente bem escrito, que aborda temas polêmicos de forma clara, porém educada é muito enriquecedor. Dentre os temas que eu enxerguei estão a política, o preconceito, o racismo, a misoginia, a opressão por parte do dominador, a violência doméstica, a imposição e intolerância religiosa e a falta da liberdade de escolha, todos muito bem representados na história e que me fizeram refletir e me colocar no lugar dos personagens assim como identificar algumas ou todas essas situações acontecendo tantas vezes com pessoas bem pertinho de mim ou comigo. Esse livro só fortaleceu a vontade, que já estava dentro de mim, de mudar aquilo que está errado e me mostrou de forma ainda mais clara o quanto é importante o respeito em todos os aspectos físico, psicológicos e espirituais de cada ser. Fica a dica.



Título: Hibisco Roxo
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie 
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 328
Ano: 2011
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