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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: [LIVROS] RESENHA - ACHADOS E PERDIDOS
Author: Michelle Louise
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“— Acorde, gênio.” Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito aband...


“— Acorde, gênio.”

Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo. Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado. Quando Morris é solto da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo.


“Achados e Perdidos” é o segundo volume da trilogia de Bill Hodges iniciada com Mr. Mercedes e numa narrativa bem característica de King nós somos convidados a acompanhar o quanto a literatura tem o poder de mudar a vida das pessoas, além de poder rever os personagens do primeiro volume e conhecer um pouco mais dos personagens que guiam a história deste livro.

O lado obsessivo ligado a admiração não é novidade aos fãs de Stephen King, afinal, já vimos o lado obscuro dessa obsessão em Misery. Em Achados e Perdidos somos convidados a dar uma passada no ano de 1978 para conhecer Morris Bellamy que se intitulava “fã número um” do escritor John Rothstein autor da série de livros de Jimmy Gold. Morris e mais dois colegas invadem a casa do escritor para roubar uma certa quantia em dinheiro que este mantinha em sua casa. Mas, para Morris, a questão era muito mais que financeira.



A série de Jimmy havia mudado sua vida e ele nunca se conformou em como Rothstein terminou essa história e, com todos os boatos que o autor mantinha consigo continuações da obra em cadernos particulares, Bellamy precisava lê-los. Para ele somente interessava os cadernos mas quando ele perde a cabeça e mata o tão aclamado autor, tudo começa a fugir de controle. Uma série de infortúnios fazem com o Bellamy precise esconder os cadernos e, para completar, ele acaba sendo preso.

Agora no ano de 2010 vemos um menino de 13 anos chamado Peter Saubers que estava levando sua vida normalmente quando esbarra em um baú enterrado na propriedade da sua mais nova casa. Um baú repleto de cadernos misteriosos e muito dinheiro dentro de envelopes, algo que mudaria a vida daquela família drasticamente. Foram 4 anos aproveitando todos os benefícios possíveis desse achado, porém, as coisas estavam prestes a sair da calmaria. Depois de 35 anos preso, o dono deste pequeno tesouro estava pronto para vir busca-lo e, quando não o encontrasse, faria de tudo pra buscar aquilo que, na mente dele, era seu por direito.



É muito interessante perceber, no decorrer da narrativa, como os livros de Jimmy Gold acabam influenciando estes dois personagens e como eles são completamente diferentes ao mesmo tempo. A narrativa de King te cativa completamente e o sangue frio de Morris consegue chocar de maneira absurda. A obsessão que guia o personagem o leva a tomar atitudes bastante drásticas e sem o mínimo remorso sobre tudo que está acontecendo.

Além disso, um dos pontos de conexão desse livro com o primeiro volume é que o pai de Peter é uma das vítimas do Assassino do Mercedes e é muito interessante ver a perspectiva de outras pessoas sobre o ocorrido, as consequências sobre as pessoas que estavam naquele massacre. Pessoas além de Bill Hogdes e sua equipe.



Bill e nossos tão amados personagens do primeiro volume desta trilogia aparecem bem menos neste segundo volume, sendo que boa parte da trama é trabalhada sem a presença deles. Os personagens deste livro são tão bem desenvolvidos e escritos quanto no primeiro volume e é impossível ficar indiferente a estes personagens. Eles te fazem sentir algo, normalmente pavor.

Este volume é bem mais suspense quando comparado ao primeiro que tinha seu foco mais policial. Em Mr. Mercedes tínhamos muita investigação e cenas de crimes, ao passo que aqui o foco é no jogo de gato de rato de Morris e Peter e na mente completamente psicopata de Morris. A narrativa mesclando esses dois personagens em épocas tão distintas é um verdadeiro exemplo de como a literatura é atemporal e capaz de tocar tantas pessoas quanto for possível não importa quanto tempo passe.



Quando todos os problemas deste volume se resolvem e você acha que a história termina ali, Stephen King nos lembra porque sempre podemos esperar algum tipo de surpresa em seus livros. O último capítulo, a cereja do bolo, é para deixar qualquer leitor desesperado para ler a continuação. Para saber o que vai acontecer e como a história de Bill Hodges irá finalmente terminar. 


No fundo, Achados e perdidos é um convite para pensar no infinito poder da literatura na vida das pessoas, assim como, no peso de nossas ações e as consequências que virão com elas. Achados e Perdidos é uma leitura absolutamente fantástica.

Livro cedido pela editora
para resenha

AUTOR (A): Stephen King
NÚMERO DE PÁGINAS: 352
EDITORA: Suma das Letras
LANÇAMENTO: 2016
ONDE COMPRAR: Suma das Letras


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