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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: [LIVROS] RESENHA - A REDOMA DE VIDRO
Author: Michelle Louise
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Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se...



Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.

A Biblioteca Azul lança uma nova edição de A redoma de vidro, único romance da poeta americana Sylvia Plath. O título retorna às livrarias com tradução do escritor Chico Mattoso 51 anos depois da primeira publicação e do suicídio da autora, em 1963 (via: Skoob)



Faz muito tempo, desde que consigo me lembrar, que quero ler A Redoma de Vidro. Não li na época da escola porque não tinha o livro na biblioteca, sempre aparecia um livro para ler antes dele e assim eu segui até pouco tempo atrás. E hoje eu sou grata por ter esperado para ler, eu estava no tempo certo para ler esse livro.

Sinto que ler Sylvia Plath mudou minha visão como um todo e isso não é algo que todo autor consegue fazer. Ler esse livro mudou minha forma de ver as pessoas, de entender como as pessoas se sentem e, principalmente, me deu uma perspectiva jamais imaginada sobre as pessoas que tentam (ou cometem) suicídio. 

Em A Redoma de Vidro, acompanhamos a história de Esther Greenwood. Esther era uma garota praticamente exemplar, estudava numa universidade de renome, tirava boas notas, era empenhada e, claro, queria conquistar seu lugar no mundo. Graças a essa combinação de fatores ela foi agraciada com uma bolsa de estágio em uma importante revista de moda em Nova York, sua carreira estava decolando. 


Estudar, lutar pelo que você quer e dar o seu melhor. Essa é a ideia perfeita de como fazer as coisas na sua vida acontecerem, o grande problema é que a realidade que vivemos nem sempre corresponde as essas expectativas. A garota que no começo da narrativa parecia imparável, agora volta para Boston e se depara com uma vida nem de perto sonhada por ela, onde todos os seus sonhos parecem longe de se realizar. Tudo desmorona e Esther não vê sentido em dar continuidade a essa vida. 

É chocante você estar tão perto, a narrativa em primeira pessoa te traz essa sensação, de Esther. Dentro da sua mente e da sua visão das coisas, a linha tênue que dita a diferença entre a sanidade e a loucura parece nem sequer existir. É um processo assustador acompanhar a mudança de Esther indo de alguém que no começo da obra estava pronta para estar no topo do mundo à alguém que não tem mais nada para esperar da vida. Nada para motivá-la.

Ouvir a voz de quem sofre o colapso é um choque de realidade. Ver Esther debatendo consigo mesma as formas de tirar a própria vida e finalmente colocar o plano em ação (e quase conseguir) não é fácil, mesmo com a escrita poética de Sylvia. Nossa protagonista passa por clínicas psiquiátricas onde é submetida a tratamentos de choques recorrentes (é preciso lembrar que a obra foi escrita em 1961, onde a depressão tinha seu diagnóstico e tratamento bastante raros) e convive com pessoas que também tentaram se matar. Ela convive com pessoas que chegam a se matar no final das contas.


O final, no entanto, é otimista para Esther. Você consegue ter a clara sensação que ela conseguirá sair da depressão e seguir com vida, embora nossos olhares não estejam mais lá para ver sua história. Otimismo que não foi concretizado na vida da autora. A Redoma de vidro é considerado um livro quase autobiográfico de Sylvia Plath, que lutava contra a depressão e que perdeu essa luta, vindo a se suicidar um mês após a publicação desse livro. E eu nunca li algo tão visceral sobre os sentimentos humanos como o que Sylvia escreveu. 

A complexidade da obra, a sentimentalidade e a dualidade dos sentimentos humanos são narrados de uma maneira mágica pela autora. Você sente A Redoma de vidro, você sente Esther e você sente a necessidade de ajuda-la. Quem já passou por casos de depressão, já conheceu alguém que passava por isso, sabe que a luta não é tão simples e simplesmente decidir levantar da cama um dia e dar mais um passo já significa uma grande vitória. A luta é diária contra algo que por mais que você tente não consegue parar de sentir. 


Esther era uma excelente aluna que ainda assim se cobrava demais, afinal, ela era bolsista e suas notas precisavam se destacar. Esther questiona o papel da mulher na sociedade, ela não quer apenas casar e ter filhos. Ela quer uma carreira, ela quer seu espaço. A Redoma de vidro foi escrito em 1961 e não poderia ser mais atual. 

A leitura não demora, a escrita em nível poético de Sylvia faz com que ela flua facilmente. Absorver tudo que você leu, entretanto, pode levar um tempo. Absorver o que esse livro significa e tudo que ele te traz como reflexão é algo que você precisa tomar seu tempo para se recuperar da leitura. Sylvia nos faz um convite para entrar e ver aquele universo que poucas pessoas sequer tentam compreender e, se você deixar ela te guiar pela mão, pode se surpreender.

Esse livro se tornou fácil um dos meus favoritos e espero que vocês consigam sentir a leitura como eu senti.


Livros A Redoma de Vidro - Sylvia Plath (8525057940)
Livro cedido pela Editora para resenha



AUTOR(A): Sylvia Plath
PÁGINAS: 274
EDITORA: Biblioteca Azul 
LANÇAMENTO: 2014
ONDE COMPRAR: Compare Aqui 



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