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Title: [LIVROS] - CHAPEUZINHO ESFARRAPADO E OUTROS CONTOS FEMINISTAS DO FOLCLORE MUNDIAL
Author: Dessa Piccinini
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Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta...

Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão - em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência.
O livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais - e indispensável para qualquer estante. (Apresentação do livro pela Cia de Letras).



Todo mundo já ouviu a história da Cinderela e como ela perdeu seu sapatinho de cristal, ou como a Bela casou-se como a Fera que, na realidade, era um príncipe. Em sua maioria, as garotas jovens e mulheres de hoje foram criadas com clássicos contos de fadas onde seriam salvas pelo príncipe perfeito - com belíssimas exceções como Mulan. 

Mas como muitas de nós, mulheres, já descobrimos desde muito cedo, nosso mundo não é assim tão simples. Exige-se do sexo feminino força sobre humana e ao mesmo tempo, total submissão ao sexo oposto. 

Então Andressa, tu queres dizer que, de uma maneira escondida, as mulheres ainda são submissas aos homens? Eu quero é dizer muito mais que isso! O machismo e a sociedade patriarcal nos diminuem por sermos mulheres, nos cobra por sermos mulheres e espera nosso silêncio - também por sermos mulheres. 

Você pode vir me dizer que o mundo mudou, que as Sufragistas já conquistaram o voto, que mulheres já queimarão sutiãs pelos nossos direitos e que nascemos em uma época que ser homem ou ser mulher se difere pelo que "se tem no meio das pernas". No entanto, se você se interessar o suficiente para buscar um pouco mais do que a superfície de nossa sociedade, você perceberá que a mulher ainda é diminuída. Um exemplo? Quando uma menina de 15 anos, bêbada, faz sexo sem proteção e fica grávida ela tinha plena consciência de seus atos - e ainda vai ser chamada de muito mais do que apenas vagabunda. Se um garoto de 15 anos, bêbado, estupra uma menina, ele não tinha capacidade de entender seu ato, ele estava bêbado. 

Eu já fui machista, vivi dentro do padrão esperado pelos homens. Um dia, no entanto, conheci algo chamado Feminismo e hoje me considero uma feminista em constante aprendizagem. 

Feminista: uma pessoa que acredita na igudade econômica, política e social entre os sexos (ADICHE, 2015).

O que muitos gostam de chamar de "mimimi" ou de vitimismo eu gosto de chamar de luta. E não luto apenas pelos meus direitos, mas sim pelos direitos de TODAS nós manas. 

Mas Andressa, que tudo isso tem a ver com o livro? Primeiramente o livro une contos feministas, tão logo feminismo é parte constante do livro. 

O livro divide seus 25 contos em 6 categorias específicas: românticos, sobre relacionamentos, sobre família e comunidade, sobre inteligência e humor, sobre velhas e sobre mulheres independentes. escolhi meu preferido dentro de cada categoria e um bônus para dividir meus pensamentos com vocês. 

O conto "A filha do lorde e o filho do ferreiro" tem origem escosesa - ou próxima a isso - e conta sobre uma mulher decidida e dona de si, filha de um lorde, que se recusa a aceitar um casamento arranjado e vai em busca de se casar com seu amor, o filho do ferreiro. O conto apresenta seu elemento mágico com um pequeno homenzinho (um pixie provavelmente) que auxilia o casal a ficar junto no fim. 

A filha do lorde é quem batalha pelo seu amor e demonstra ter capacidade de se comandar, mesmo sendo mulher. O conto (como todos) é rápido de ser lido e foi um dos meus favoritos já que a filha do lorde me lembrou muito da Merida de Valente. 

O conto "O manestrel e seu alaúde" relata a história de uma rainha que, quando seu marido se afasta tentando ganhar de um rei tirano, é deixada no poder. É deixado claro pelo escritor que o relacionamento do casal é de igualdade, sendo a mulher totalmente capaz de reinar na ausência do rei. 

Mas, ainda, a rainha é uma mulher esperta. O marido foi preso pelo outro rei e tornado prisioneiro, pedindo que a mulher liquidasse todos os seus bens para quitar o resgate. A rainha então cria um plano elaborado e inteligente que acaba salvando seu marido e o Reino. 

O conto " A jovem chefe da família" é de origem oriental e apresenta a clássica estrutura que um chefe familiar. Contudo o chefe casa seu filho mais novo com uma jovem muito inteligente que se transforma na nova chefe familiar.  As habilidades da protagonista são reconhecidas e suas recompensas são para a família toda (esse também é um dos meus queridinhos). 

"Manka, a esperta" mostra uma protagonista digna de competir com sherlock Holmes que é engraçadamente inteligente. 

"Bucca Dhu e Bucca Gwidden" retrata uma doce velinha que não deseja ser restringida por ninguém. É dona de si e de seu caminho. 

"Kupti e Imani" foi, também, um dos que mais apreciei, contando como uma princesa tornou-se rainha com muito trabalho duro,  doçura e uma pitada de magia. 

Por fim não acho justo não comentar sobre o conto que dá nome ao livro: "Chapéuzinho Esfarrapado" conta sobre duas irmãs muito unidas, sendo uma muito bela e outra estranhamente diferente. Chapéuzinho nasceu já montada em um bode e levando uma colher de pau, mas é destemido e engraçada e encantadora. 

O que todos os 25 contos têm em comum são protagonistas femininas fortes, uma grande dose de magia e cultura internacional variada. Nesse livro nenhuma mulher está esperando um homem salvá-la, do contrário, elas estão prontas para salvarem a si mesmas. 

Recomendo esse livro pra qualquer gênero ou idade. Esse é o livro que deveria ser obrigatório na escola. Talvez seja assim que conseguiremos mudar o pensamento machista. Força na luta manas! 




Título: Chapeuzinho Esfarrapado
Organização: Ethel Johnston Phelps
Ilustrações: Bárbara Malagoli
Tradução: Julia Romeu
Páginas: 248
Editora: Seguinte
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