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Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: [LIVROS] RESENHA - OUÇA A CANÇÃO DO VENTO/PINBALL 1973
Author: Jéssica Ohara
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"Quando penso sobre o significa de escrever literatura, sempre acabo lembrando dessas sensações. O significado dessas memórias, pa...

"Quando penso sobre o significa de escrever literatura, sempre acabo lembrando dessas sensações. O significado dessas memórias, para mim é acreditar em algo que existe dentro de mim, e sonhar comas possibilidades que podem brotar disso. É realmente maravilhoso que, até hoje, essa sensação continue viva em mim."


Em 1978, um jovem Haruki Murakami se instala na mesa da cozinha para começar a escrever. Como resultado temos duas novelas brilhantes que marcam o início da carreira de um dos mais cultuados autores contemporâneos. Duas histórias poderosas, e levemente surreais, que tratam de amadurecimento, solidão e erotismo, no melhor estilo Murakami. Alguns dos personagens que conhecemos nessa obra irão reaparecer em Caçando carneiros e Dance, dance, dance, formando uma espécie de trilogia inicial do autor — e esse conjunto, em vez de mostrar um escritor procurando sua voz, já mostra um autor maduro e seguro de seus temas. Traduzidas no Brasil pela primeira vez, Ouça a canção do vento & Pinball, 1973 são uma janela para o mundo fascinante de Murakami.


Essa edição está muito linda. Olha o corte colorido!!!


Sabe o que Haruki Murakami faz? Ele olha dentro do desespero de estar em um vazio existencial e tira dali algo. Que é bem na classe do pronome indefinido mesmo. Na última página, eu não sabia direito o que tinha acontecido, nem mesmo se havia gostado, eu precisei de um tempo para respirar e entender todo o processo nessas 264 páginas. 

Primeiro, é preciso saber que essas duas histórias(ou uma, depende de como você as lê) são as primeiras que Murakami escreveu, ele explica isso no prefácio, que vale tanto a leitura como o próprio livro, e de acordo com ele, ainda são os esboços do que realmente queria escrever. É um ledo engano pensar que elas seriam mais fracas ou apenas uma sombra do maravilhoso autor de 1Q84, elas são a apresentação em grande estilo dessa escrita que é pungente. Eu diria que o enredo é despretensioso, apesar das várias referências que são expostas ao longo do texto, você não se sente soterrado pelas citações, elas fluem naturalmente. 

Estando chegando ao meio dos meus vinte anos, esse livro me atingiu de uma forma muito pessoal. Tratando de assuntos como o tédio e a desesperança do jovem adulto, é possível identificar aquele medo que às vezes nos aterroriza no meio da madrugada, de estarmos desperdiçando as nossas vidas no meio de um marasmo de puro tédio. Aquela pergunta terrível que assola a nossa mente: Será só isso mesmo?

"A única pergunta ruim é aquela não feita. 
E não se atreva a fazê-la. É um pergunta horrível."


Acompanhamos a vida de jovens que foram pegos por esses questionamentos e estão em dúvida entre a estagnação e a mudança. Apesar das situações muitas vezes inusitadas que eles se encontram, mas que naquela onda de apatia, onde nada mais parece importar, elas se incorporam a realidade como algo comum. Lendo o livro me senti sozinha, ele entra tão profundamente dentro de nós que acabamos por ter essa percepção da solidão e do inevitável. O grande problema é o que fazer com esse conhecimento. 

Pensar a finitude é muitas vezes assustador. Ou pode ser catártico.

Os livros do Haruki Murakami são sempre cheios de referencias musicais, apesar disso, enquanto lia, principalmente Pinball, 1973, não conseguia tirar essa música da Mia Doi Todd da cabeça. Deixo com vocês.



AUTOR(A): Haruki Murakami
PÁGINAS: 264
EDITORA: Alfaguara
LANÇAMENTO: 2016
ONDE COMPRAR: Submarino
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