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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: [FILMES] CRÍTICA #75 - LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES
Author: Michelle Louise
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O cinema é uma arte inexplicável. Existe um sentimento mágico em sair da nossa realidade e mergulhar no universo desconhecido criado po...

O cinema é uma arte inexplicável. Existe um sentimento mágico em sair da nossa realidade e mergulhar no universo desconhecido criado por outra pessoa por algumas horas. Muitas foram as expectativas criadas ao redor do filme e ele não as atinge. Ele as supera. La La Land te leva a lugares e a sensações como poucos filmes conseguem. La La Land é um filme inspirador sobre pessoas que inspiram e encontra na complexidade das relações, sentimentos e sonhos humanos toda a essência de um enredo simples e absolutamente encantador. 

Mia é uma aspirante a atriz que, enquanto não consegue alcançar seu sonho de ser reconhecida por sua profissão, trabalha como barista em café da Warner Bros, fazendo inúmeros testes que nunca resultam em nada, provando um pouco de como é a selva competitiva em Hollywood. Sebastian, um pianista, tem no jazz sua paixão e deseja salvar esse estilo musical, que aos poucos vai sumindo no mundo atual, abrindo seu próprio clube de jazz. O que une esses dois sonhadores além dos desencontros casuais é a paixão de ambos pelo que mais desejam fazer na vida. Nada inspira mais um sonhador do que outro sonhador e por isso La La Land é um filme sobre pessoas que te inspiram, que te dão a mão e não apontam o caminho, mas sim, seguem o caminho com você até onde for possível. 


O subtítulo nacional dado a obra tem um encaixe perfeito com o filme que tem como base de divisão da história as estações do ano: Primavera, Verão, Outono e Inverno. O filme tem uma pegada retrô te levando de volta aos velhos clássicos do cinema sem perder a atualidade que um diretor jovem como Damien Chazelle pode trazer para a obra, além de canções te fazem querer sair dançando e cantando junto com o elenco maravilhoso que esse filme possui.  A dura realidade da vida e da dificuldade de perseguir seus sonhos ganha um doce contraste no amor e no ato de se apaixonar. O leve amor que te faz cantar apaixonado, sapatear junto e flutuar pelo espaço mágico que duas pessoas podem encontrar juntas é interpretado e escrito de uma forma tão singular que se torna impossível não amar Mia e Sebastian. A forma como as músicas intercalam diálogos no filme e são cantadas pelos protagonistas em duetos nos mostram como a química entre os dois funciona, como o romance acaba acontecendo de forma tão natural que chega a impressionar. 

O plano – sequencia do prólogo é admirável (e ali mesmo já conquista o público) e o outro plano - sequencia na cena composta pela canção "A Lovely Night" é uma das cenas mais bonitas em minha opinião.  A fotografia dá um show à parte, o filme usa e abusa das cores tornando as cenas algo para se admirar e não apenas assistir. A direção consegue captar a emoção (e é muita emoção) que os atores emanam em cada cena. A câmera que passeia pelo cenário, a luz usada de forma muito inteligente durante o filme todo, tudo faz com que a mágica de La La Land aconteça. E talvez essa seja justamente a receita para o sucesso do filme: o todo. O filme é completo desde o roteiro até a interpretação. 


Emma Stone prova a atriz que é em cada momento, nas cenas dos testes onde o foco estava basicamente em sua feição e suas reações a atuação era de um brilhantismo lindo de assistir. Emma pegou o papel de Mia e se tornou a personagem nos entregando uma performance que merece nota e reconhecimento principalmente ao cantar “The Fools Who Dream”, em uma cena onde ela é a única coisa visível, novamente pelo sensacional uso da luz, e que coloca lágrimas nos olhos. Ryan, por sua vez, tem uma atuação maravilhosa nos transmitindo a graça de ser um personagem por vezes ranzinza, chegando a ter de fato aprendido a torcar piano para interpretar o personagem da forma mais verossímil possível. Como resultado nós temos um filme que dá um show para o público de todos os lados. 

Os clássicos do cinema são observadores íntimos nessa obra de arte e estão presentes não apenas em menções, mas em cenas e em pôsteres espalhados pela cidade, como se o filme estivesse ali para homenageá-los. Um filme recente, mas que não esquece de onde veio e honra suas raízes de musicais e filmes clássicos. "Casablanca", "Cantando na Chuva", e "Juventude Transviada", são alguns dos exemplos mais claros dentro da obra. O filme atinge seu ápice ao som de “City Of Stars” que é uma canção tão bela e tão bem interpretada, que te emociona, te guia, te leva para um mergulho ainda mais profundo dentro dessa história tão encantadora. Nesse enredo leve sobre sonhos e relações humanas, o filme já conquista o espectador logo no começo, mas os 10 minutos finais te presenteiam com uma sequência de cenas magnifica e fazem de La La Land  uma experiência única. 


Me disseram que La La Land era uma obra sobre sonhos para sonhadores. E como é bom ser sonhador suficiente para entender a beleza, a poesia, a profundidade, a vida e o amor que esse filme traz. Me disseram que La La Land era mágico, mas mágica mesmo é a vida depois desse filme. Como é bom poder ver um filme desses no cinema lotado, com pessoas chorando e aplaudindo no final. 

Se eu pudesse complementar, eu diria que La La Land é um filme para ser sentido. Ele te leva a um passeio sobre as dificuldades e sobre as muitas quase desistências que existem no caminho entre as pessoas e seus sonhos. Mas também te leva para um mergulho num mundo onde sonhos viram realidade. Se permitam ver esse filme, mas, acima de tudo, se permitam sentir a essência dos tolos sonhadores que fariam, sim, tudo de novo. Sintam o filme e aproveitem cada segundo. E sonhem, se inspirem, cantem e se apaixonem por essa história digna de cada elogio que recebeu.

Um brinde a todos os tolos sonhadores. 





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