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Mariana Ribeiro Mariana Ribeiro Author
Title: [REVIEW] BATES MOTEL - S05E01-02: DARK PARADISE/ THE CONVERGENCE OF THE TWAIN
Author: Mariana Ribeiro
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Pois bem: passados os primeiros momentos e episódios da quinta e última temporada de Bates Motel , creio que podemos tecer alguns comen...

Pois bem: passados os primeiros momentos e episódios da quinta e última temporada de Bates Motel, creio que podemos tecer alguns comentários acerca do que a série nos apresentou até agora, e o que podemos esperar para os últimos episódios, nos quais as revelações e tensões se agravam – principalmente nesta série, em que os primeiros episódios geralmente apresentam um ritmo bem lento, ou, de outro ponto de vista, poderíamos dizer cuidadoso, preparativo e ao seu tempo. De qualquer maneira, ainda que eu, pessoalmente, ache importante toda uma preparação e fundamentação para os acontecimentos, por vezes esse ritmo inicial pode ser um pouquinho cansativo para aqueles mais ansiosos. 

Entretanto, acredito que a quinta temporada, apesar da preparação costumeira, e, pois, da seleção cuidadosa do que deve ser mostrado e do que deve ser deixado mais para adiante, não perdeu tempo e, na verdade, entrou logo de cara na realidade de Norman como a conhecemos pelo filme de Hitchcock e, principalmente, pelo livro de Bloch. Assim, pudemos ver logo nos primeiros minutos do primeiro episódio - Dark Paradise - um contraste do que se passa na mente de Norman e do que se passa na realidade, o que já é anunciado pelo próprio título do episódio, de fato, já que inclui, por exemplo, o fato de que a casa começa a ser cada vez mais desorganizada e suja, enquanto na cabeça de Norman tudo está em seu devido lugar, como Norma costumava deixar. 

É interessante ver como Norman vai criando aos poucos toda uma narrativa para justificar a falta de Norma, isto é, algo que faça sentido mesmo dentro de sua insanidade, principalmente no que diz respeito à falta de comunicação de Norma com o mundo exterior, mais do que com ele mesmo, já que este se comunica com a mãe a todo o momento em sua mente. Também o fato de que agora Norman passa a procurar Norma em outras mulheres - mais uma evidência freudiana de sua relação disfuncional com a mãe, como se ainda não houvesse ficado claro o suficiente – fica mais evidente: se antes ele procurava escapar de Norma ao menos em relação aos seus interesses em relação ao sexo oposto, agora procura a mãe em todo o canto. 

Por fim, a preparação, talvez não mais importante, mas definitivamente mais essencial de toda essa história, foi mais do que fornecida. Em outras palavras, Norman continua matando geral, sem critérios específicos, a não ser o fato de estar em seus apagões, que, enfim, é causa suficiente de tudo. E, também, assume de vez a obsessão de espiar os quartos alheios. 


Já em relação ao restante dos personagens, pudemos ver um pouco de Dylan e Emma, com suas vidas que começam a dar certo, a não ser pela volta de Caleb, que acabará, provavelmente, trazendo uma série de questões à tona, entre elas, a descoberta de que Norma está morta – o que também levará Dylan à voltar ao motel, o que também nos leva a questionar sobre que fim terá o personagem. 

Enfim, o primeiro episódio foi, em resumo, um panorama da mente de Norman mais especificamente, mostrando como as coisas funcionam sem Norma pra o regular a todo o momento. Assim, como foi mais um mostrar do que narrar, o episódio acabou sendo, em minha opinião, um tanto arrastado, mas esperado que assim o fosse. Já o segundo episódio vai do começo até o fim apresentando um panorama, só que dessa vez, em relação à trama da temporada, e deixou, devo dizer, tudo muito claro sobre onde Norman vai se meter, o que vai dar errado e como as pontas soltas serão amarradas. 

Assim, desde os primeiros minutos já há confronto e tensão: Alex decide que vai, seja como for, matar Norman, que o foi visitar cantando a vitória pelo fato de estar livre do hospital psiquiátrico enquanto quem acaba preso é Alex. Aproveitando que estamos falando sobre o fato de Norman estar livre, acho um tanto triste em ver como este busca se envolver com outras pessoas, porque se antes ele era desajeitado, e, na verdade, não sabia quem era, já que sempre esteve em uma posição que o colocava como uma extensão ou pedaço/outra parte de Norma, além da confusão causada pelas suas crises de esquecimento, agora não há o que justifique: ele sabe que apaga com frequência e continua crendo que está tudo bem. Aliás, está fora de minha compreensão o fato de que Norman não compreende que deve se internar para o bem da sociedade e de si mesmo. Ainda que sua mente não colabore agora, ele já foi alertado por inúmeras pessoas, como ele mesmo disse várias vezes gostaria que tudo isso acabasse e, francamente, me continua fazendo isso? As desculpas estão começando a não colar, e é a partir desse momento que começamos a ver Norman como mais um assassino deturpado do que uma pessoa problemática. Perigoso e triste, principalmente porque sabemos que tudo vai acabar em tragédia. 


Tudo o que? Pois bem, Norman conhece nesse segundo episódio, The Convergence of the Twain, uma moça parecida com Norma, bem como seu marido que, pelo visto, costuma traí-la. Portanto, já se vê envolvido em problemas alheios e, provavelmente, sabemos onde isso vai dar: em tensão extrema com o marido da Norma reencarnada e quase morte quase certa. 

Desse modo, o segundo episódio apresentou aquilo que será o centro da trama, que, por sua vez, norteará a temporada: o problema com o casal, que ainda vai envolver a personagem de Rihanna, a Marion Crane, e o drama de Norman em ter que lidar com as pontas soltas de sua vida, que envolver Dylan, Alex, Caleb, e todos que conheciam Norma viva e se intrometeram em suas vidas. Também tem Chick, que está parecendo exercer um papel de observador voluntário de toda essa loucura, com um propósito um tanto incerto, por enquanto. 

Mas o mais importante em relação a esse episódio, isto é, o grande momento que esperávamos, isto é, aquele que nunca chega à maioria das séries de super-heróis mais recentes, ou mesmo nos filmes dos X-Men e Wolverine: o uso do traje típico. Com direito à peruca loira e um vestido, Norman abraça, finalmente, sua dupla personalidade, ainda que os momentos de Norma no corpo de Norman já fossem brilhantes por si só com a atuação de Freddie Highmore. Enfim, foi um bom episódio, um pouco mais animador que o anterior, já que inseriu as peças chave para o entendimento da temporada. Portanto, a partir daqui, muita atenção pela frente. 
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