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Mylla Santos Mylla Santos Author
Title: [LIVROS] RESENHA - À ESPERA DE UM MILAGRE
Author: Mylla Santos
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Uma trama de mistério e terror, ambientada nos anos 30, em plena Depressão americana, num cenário de desespero e sufoco: a Penitenciá...


Uma trama de mistério e terror, ambientada nos anos 30, em plena Depressão americana, num cenário de desespero e sufoco: a Penitenciária de Cold Mountain. Stephen King foi buscar no lado mais sombrio de sua imaginação a história assombrosa de John Coffey, condenado à morte, e seu encontro fatal com o carcereiro Paul Edgecombe. Nas telas, o diretor Frank Darabont recria a história magistral de King, com Tom Hanks interpretando o guarda Edgecombe.

"Fiquei imaginando como seria caminhar aqueles últimos quarenta metros até a cadeira elétrica, sabendo que iria morrer ali. Aliás, como seria ser o homem que teria que afivelar o condenado na cadeira, ou ligar a chave de força. O que um trabalho como esse retiraria de alguém?" (Stephen King)

E são muitas as histórias que insistem em visitá-lo em seus dias agora vazios. Mas há uma em especial que o atormenta. Há uma em especial que não deixará Edgecombe em paz até contá-la em detalhes. Todos os detalhes. É a assustadora história de John Coffey, o gigante assassino de duas meninas. Acompanhe Paul Edgecombe neste mergulho num passado de ódio, vingança e... milagres. O corredor da morte espera sua visita.



Stephen Edwin King (Portland, 21 de setembro de 1947) é um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros já venderam quase 400 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. Muitas de suas obras foram adaptadas para o cinema e TV.

A Espera de um Milagre foi publicada inicialmente em seis partes (1996), com o título de O Corredor da Morte, ou seja, um romance seriado. O que criava muita expectativa nos leitores, conforme as reações deles King modificava o rumo da história. O livro mantém essas seis partes e são subdivididas em capítulos, ele é contado em forma de memórias narradas por Paul Edgecombe que por muitos anos trabalhou como carcereiro na prisão Could Mountain, ele também participou da execução de muitas penas de morte. 

As partes são iniciadas com Paul no presente e ao iniciar a narração da história na prisão ele recapitula o que falou na última página da parte anterior. Ele não é narrado em ordem cronológica, mas sim na ordem em que se lembra dos fatos. Mostra a rotina da prisão no Bloco E, onde estão os detentos condenados ao corredor da morte e que terão seu fim na “Velha Fagulha”, a cadeira elétrica. É contado o que os presos fizeram para receber tal sentença. Alguns personagens chamaram minha atenção: o velho Toot-Toot por sua irreverência, mesmo que às vezes saia do limite, é o jeito dele de passar pelas coisas que acontecem na prisão, não as vejo como maldade. O Sr. Guizos, rato que ganhou características humanas e conseguiu conquistar a maioria dos carcereiros. Percy que têm tanta maldade dentro de si que poderia ser um dos prisioneiros do Bloco E, é como uma ironia em relação ao John. E claro John Coffey (que se pronuncia como o café, mas escreve diferente), um gigante que só assusta por causa do tamanho, basta olhar um pouco melhor para ver que ele guarda muitos medos dentro de si.

O homem que as segurava estava sentado, uivando para o céu como um bezerro alucinado, suas bochechas escuras cobertas de lágrimas, sua fisionomia contorcida numa máscara monstruosa de sofrimento. Respirava em espasmos, com o peito se enchendo até forçar as fivelas dos suspensórios do macacão e depois soltando o imenso volume de ar em outro daqueles uivos.

 Acusado de ter assassinado brutalmente duas meninas, mas ele é um cara diferente do que era esperado, pois como falei, é muito medroso e demonstra uma grande vontade de ajudar as pessoas, o que vai de contra ao crime que é acusado, tornando difícil creditar que ele realmente o cometeu. John foi o motivo de Paul escrever essa história, pois ele queria que todos conhecessem John, sua história e todo o mistério que o envolvia.

Ajudei com o que você tinha, não ajudei?

O livro possui momentos lentos como quando Paul está na casa de repouso e possui muitos outros tocantes como durante as execuções, momentos que vão te fazer refletir como quando é mostrado que os negros daquela época não tinham valor e um momento muito marcante que acontece no final. 

Sob muitos aspectos, um bom vira-lata é como o seu negro - disse ele. – você chega a conhecê-lo e normalmente você passa a gostar dele. Não tem nenhuma utilidade em particular, mas você o mantém por aí porque pensa que ele ama você.

Outra coisa muito positiva no livro é a desconstrução da imagem de que o carcereiro é uma pessoa fria e ao longo do livro é mostrado que eles são afetados pela profissão que têm. King conseguiu despertar em mim empatia pelos personagens, inclusive por alguns presos e cheguei a torcer para que tivessem um destino diferente e que o telefone tocasse enquanto tinha tempo. Se tornou um dos meus livros preferidos desse escritor, junto com Joyland que também é narrado por um senhor na forma de memórias. 

Não quero nenhum padre – disse John – o senhor foi bom para mim, chefe. O senhor pode rezar uma prece, se quiser. Isso seria bom. Eu poderia ficar de joelhos com o senhor um pouco, eu acho.

Em relação ao filme: Assisti faz muitos anos, tentei reassistir antes de fazer a resenha, mas infelizmente não têm na netflix (sad), durante a leitura lembrei de vários trechos do filme, por isso acredito que seja uma adaptação fiel, também durante a leitura era a imagem de Michael Clarke que me vinha a mente quando John era citado ou aparecida, foi a escolha perfeita para o papel.




TÍTULO: Á espera de um milagre
AUTOR: Stephen King
EDITORA: Suma de Letras
PÁGINAS: 400
ANO: 2013
ONDE COMPRAR: Amazon
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