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Tatiana Dantas Tatiana Dantas Author
Title: [CINE DDS] MÃE!
Author: Tatiana Dantas
Rating 5 of 5 Des:
Assisti este filme na pré-estréia e só agora estou conseguindo escrever sobre ele melhor, porque acredite, é um filme que você irá diger...

Assisti este filme na pré-estréia e só agora estou conseguindo escrever sobre ele melhor, porque acredite, é um filme que você irá digerir ele ao longo de muitos dias. Além disso, é um filme que você ainda escutará muito sobre, e provavelmente verá ele nas indicações ao Oscar.

Novo filme de Darren Aronofsky diretor de Cisne Negro, chegou com muitas polêmicas. Ou se ama ou odeia, não vi ainda um meio termo, e dentre tantas opiniões positivas e negativas falarei apenas da minha experiência assistindo ao filme.

Ao longo do filme acompanhamos o tempo todo a mente de Jennifer Lawrence. Que além de mostrar sua consciência com o que se passa na casa, mostra as questões que ela está lidando, como as inseguranças, as fragilidades e as pequenas e grandes violências associadas à condição de ser mulher, esposa e mãe. Aronofsky faz com que através do olhar dela assistimos ao filme, e isso a atriz faz com maestria, sua posição passiva durante o filme, nos torna angustiados por também assistir a todos os absurdos sem poder fazer nada. É incrível como é um filme que você sente, você entra de cabeça em todos os incômodos que a personagem demonstra, desde a chegada dos estranhos, até alguém sentando em sua pia na cozinha.

Conforme o filme nos remete ao olhar angustiado e passivo da situação através da Lawrence, quando você se desprende disso e observa o quanto pode tudo ao redor, apesar de ser difícil se desprender do olhar dela, você se depara com um bombardeio de simbolismos. O mais interessante é o leque que se pode debater em cima do que se enxerga, porque é um olhar bastante pessoal. Por exemplo, uma pessoa sem religião enxerga mais os fatores sociais e psicológicos, como a relação abusiva, a cobrança nos papeis de uma dona do lar de um ponto de vista machista, como receber os convidados, não questionar seu esposo, ser submissa, boa cozinheira, e ser mãe para se firmar como mulher e boa esposa. Uma forma gritante em demonstrar o quanto a falta de igualdade de gênero e liberdade da mulher dentro do lar trazem danos psicológicos e de auto estima, a clássica violência doméstica, não apenas física, mas psicológica também. Já pessoas que tem um leve conhecimento religioso pôde perceber as referências a passagens bíblicas, como Adão e Eva, Caim e Abel, as pragas do Egito, o nascimento de Cristo, dentre outras.

Por fim para mim a experiência foi todas essas coisas unidas, com esse objetivo mesmo em tocar cada espectador de forma única. O desfecho para mim se encaixou bastante com a "violência cíclica", termo usado sobre o ciclo de violência doméstica. Ciclo este que o homem faz diversos atos abusivos contra a esposa, matando o que ela sente por ele aos poucos, e deixando mais temor que sentimentos. Quando a mesma resolve dar um basta, ele (Javier Bardem) usa toda a carga emocional que ainda resta prometendo mudar, demonstrando arrependimento, prometendo arrumar tudo e o ciclo se reinicia. Tem a fase de "Lua de Mel", recomeços, e posteriormente tudo se repetindo, como o filme deixa claro que irá acontecer. Tudo irá se reiniciar e ele demonstra enorme arrependimento, mas após ela entregar seu coração (sua confiança), o mesmo ri e retoma ao ciclo como se nada tivesse acontecido. Além deste ciclo, mostra diversas críticas ao fanatismo religioso, o quanto seguir um livro e seu narrador pode deixar as pessoas cegas e sem o mínimo de noção, causando mais desastres que coisas boas. Ironicamente brindando a vida com mortes, e o fanatismo religioso entra nessa questão do machismo também que o filme aborda. Na bíblia cita que a mulher deve ser submissa ao homem, acatar o que o esposo propõe sem contestar, mostrando o quanto isso é retrógrado. Novamente de forma simbólica mostra que tudo que acontece no filme é tão ultrapassado, que a história se passa nos dias de hoje, os personagens "estranhos" tem acesso a tecnologias atuais como celulares modernos, mas eles da casa não. Os móveis são velhos, o telefone fixo quase sem acesso, não pega sinal na região, e pessoas do mundo evoluído regredindo ao seguir os passos de um escritor e os ensinamentos do seu livro, deixando suas vidas de lado para serem devotos a qualquer absurdo sem questionar. Seja bom ou seja ruim para quem assistir, uma coisa é fato, a tempos não existe um filme como Mãe! e provavelmente não terá um assim tão cedo.

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  1. Eu ainda to muito perturbada com esse filme, vou passar dias vendo/lendo coisinhas fofinhas pra ver se sai essa coisa e consigo digerir melhor esse filme AAAA O quão disfuncional conseguiu ser esse relacionamento. E ainda não sei qual das duas cenas me deixou mais perturbada: o bebê nos braços da multidão ensandecida (e logo após a morte e posterior comida), fazendo a Cristo, claro, ou o final da noção tomando forma de que o cara pode ser Deus e precisar sempre está criando, eu to ruim demais com esse filme KKKKK

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    1. Nossa sim, é um filme que passará meses e ainda estaremos pensando sobre.

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