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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: [REVIEW] ABSENTIA: S01E03 - THE EMILY SHOW
Author: Michelle Louise
Rating 5 of 5 Des:
"E uma parte de mim quer só esquecer e a outra parte só quer se lembrar e eu estou com medo do que vai acontecer se eu fizer isso&q...

"E uma parte de mim quer só esquecer e a outra parte só quer se lembrar e eu estou com medo do que vai acontecer se eu fizer isso"

Primeiramente (não é isso que vocês pensaram - mas poderia ser) eu fiquei chocada, de verdade, com a morte ao final do segundo episódio. Eu apostaria todas as minhas fichas na morte de Kelly Price mas, jamais apostaria em Harlow sendo encontrado morto. Evidentemente Emily, que já havia feito uma visita ao velho conhecido, acaba se tornando (novamente) a principal suspeita e é com esse panorama que podemos ver a relação de Emily e Nick sendo mais trabalhada.

Não vou mentir, o ritmo da narrativa tem me incomodado um pouco, embora esse episódio tenha sido melhor neste sentido que os anteriores. A história tem muito para mostrar, muito para desenvolver e acaba ficando um pouco acelerada e não trabalhando bem alguns pontos. Mas esse episódio conseguiu desenvolver melhor algumas coisas, principalmente os relacionamentos. Vale mencionar que neste episódio é a primeira vez que ouço Emily falando como se sente em relação a ter voltado e spoiler: eu me acabei de chorar. 

Nick defende Emily contra todas as evidências. Quando ela se questiona no singular "O que eu faço?" ele corrige para "O que nós fazemos?". Isso pode parecer pequeno mas tem um significado gigantesco quando você passou por um trauma deste tamanho e se sente, de certa forma, sozinha. Perceber que ela não está abandonada nessa luta e que existe alguém ao lado dela é essencial nesse momento. Emily  ainda está extremamente fragilizada e é importante ela ouvir que Nick confia nela porque a conhece. Eles foram casados, eles tem uma história, um filho e uma relação que vai sempre ser especial e marcante. Uma relação que foi interrompida não por escolha deles o que torna tudo mais difícil.

O que eu sinto é que nenhum dos dois sabe muito bem como agir, afinal, ele agora é casado com outra, mas ele ainda estaria com Em se nada disso tivesse acontecido? Se eles tivessem tido o direito de escolher? São perguntas que nenhum deles sabe necessariamente a resposta e essas perguntas não respondidas podem não ser verbalizadas mas pairam no ar, tanto para eles quanto para Alice que vê toda sua vida mudar e ser afetada pela volta de Emily. 


Nick confia em Emily para deixa-la ver Flynn sozinha e eu fiquei com medo desse momento, afinal, a reação do menino no episódio passado me deixou bastante incomodada (para ser simpática). Esse episódio no entanto mostrou outro lado - o mais feliz- dessa crescente relação. É importante entender que apesar de tudo e qualquer coisa Emily é mãe de Flynn e é importante ver essa relação crescendo. Flynn perguntar para Emily o que houve com ela enquanto esteve sumida mostra que ele está tentando entender essa situação e tudo que a mãe dele passou e isso vai ajudar a relação deles a evoluir. É a primeira conversa direta e profunda, de certa forma, que eles tem e Em dizer que foi pensar em Flynn que a deu forças para suportar tudo foi algo extremamente tocante. Todos costumam dizer que não existe amor como o de mãe e acho, realmente, que deve doer em Emily ainda não poder demonstrar como ama o filho de forma plena por causa dessa relação ainda conturbada. Mas a relação deles vai funcionando e tudo estava dando certo. 

Até tudo dar errado. 

Quando Flynn sofre o acidente no Kart o desespero de Emily é algo natural. Mas não consigo imaginar o que ela sente ao chegar no hospital e não conseguir declarar nada sobre o histórico médico do filho, afinal, ela não acompanhou grande parte da vida dele. Acho que nesses momentos a realidade de que ela perdeu 6 anos da vida dela e das pessoas que ela ama começam a bater de forma mais forte na cara dela. Alice, também, tem começado a reagir mais enfaticamente de forma negativa a entrada de Emily na vida dela, "atrapalhando" a vida que ela tinha antes. Cabe comentar aqui que algumas pessoas acharam errado Alice se declarar mãe de Flynn e dizer depois que Emily também era. Isso não foi errado e poderíamos entrar numa discussão intensa sobre isso. Alice é sim -e tem todo o direito de se declarar- mãe do Flynn. E isso não faz com que Emily não seja mãe dele também. Não desmereçam o amor de mãe que Alice tem com ele (mesmo que a gente não goste dela) porque isso não seria justo. Mesmo. 

E aqui vamos entrar no personagem de Alice, que vem sentindo o casamento ameaçado pela presença de Emily. Alice viu sua vida perfeita sendo despedaçada quando Em voltou depois de 6 anos. Nick acredita completamente em Emily, a deixa sozinha com o filho deles e faz tudo que pode - inclusive invadir uma cena de crime- para tentar ajudar ela a provar sua inocência nisso tudo. Alice se vê em segundo plano porque de fato ela está. Emily é uma estranha para ela, era apenas um nome até pouco tempo atrás e agora ela precisa dividir Flynn com ela e ver o marido mover céus e terra, sem questionamentos, para ajudá-la. Essa aversão que ela tem desenvolvido não é estranha quando paramos para analisar. É claro que nossa reação é odiar Alice já que estamos aqui para enaltecer a presença de Emily, mas as atitudes de Alice até aqui não são infundadas. 


Não é apenas a vida desse núcleo da história que muda radicalmente com a volta de Emily, mas a do seu irmão também. E, amigos, eu preciso usar caps lock: PELO AMOR DE DEUS COMO JACK É UM PERFEITO BABACA. (acho que não seria polido usar palavrão em um review, né?!). É claro que a mídia ficará em cima da família, afinal, não é todo dia que uma agente do FBI declarada morta volta à vida depois de 6 anos. Mas Jack mostra nesse episódio uma faceta que até então não conhecíamos e que eu preferia não conhecer, diga-se de passagem. Ele volta a beber com o retorno da irmã e neste ponto da história acabamos descobrindo mais sobre o passado dessa personagem. Emily não é irmã biológica de Jack, ela é adotada. E dá para perceber que essa relação é bem conturbada e não é hoje. 

Jack tem ciúmes de Emily e isso vem desde a infância aparentemente, mas ele não dosa as palavras e pega pesado quando discute com ela. Logo se percebe que ele culpa a irmã por toda e qualquer coisa errada que aconteça na vida dele. Ela foi culpada por ter deixado o pai sozinho e Jack cuidando de tudo quando foi sequestrada. Ela é culpada por voltar agora que a vida dele estava voltando aos eixos. Ela é a única culpada da história, mesmo sendo a maior vitima dela. Eu não gostei e não confiei em Jack nos dois episódios anteriores (mas não tinha uma opinião suficiente para poder mencionar ele na minha review passada) mas hoje eu tenho: Jack, eu te odeio bastante. 

Você ouvir da sua própria família as coisas que ela ouviu da boca dele doeram muito mais do que ela demonstrou, podem ter certeza. Ele foi frio, ele foi babaca, ele foi um completo idiota e não pensou em mais nada além dele. O que já prova que ele é o personagem egoísta que toda história precisa ter: se a vida dele não está boa, precisa procurar alguém para culpar (qualquer um menos ele), se as coisas dão errado, existe um culpado que não é ele (claro). O egoísta que não se preocupa com tudo que irmã passou nos últimos seis anos, com todas as torturas físicas e psicológicas à que ela foi submetida. Ele se preocupa apenas em como a história dela afeta a vida dele.

Resumindo: ele é um completo e perfeito idiota. Porque você existe, Jack?! 


E agora vamos ao momento "Michelle todo dia nadando em lágrimas por causa de Stana Katic (ao som de sweet dreams funk remix)". 

Quando Emily é confrontada por Nick sobre o motivo de ter aparecido nas câmeras de segurança e não ter ficado em casa como ele havia pedido, a resposta dela era algo longe do que eu poderia imaginar. Mas tão profundo que doeu, de verdade. Pela primeira vez ela mostra como realmente se sente sobre tudo isso. Naquele momento onde Alice vai com Riggs verificar que havia alguém de fato lá fora (momento este que jurei que algo iria acontecer com Flynn), de fato havia alguém. E esse alguém era Emily. 

Ela observando a família perfeita, a família que era para ser dela, foi dolorido demais. Deveria ser ela assistindo televisão com Flynn deitado em seu colo, deveria ser ela esperando Nick chegar para colocar na cama o filho deles na cama. Deveria ser ela apagando as luzes da cada cômodo quando todos estavam indo juntos para a cama. Deveria ser ela. Tinha tudo para ser ela mas não foi. 

Emily não teve a chance de escolher essas coisas, ela não teve a opção de viver esses momentos e essas memórias e agora, tudo que resta a ela é observar isso de fora como uma intrusa na própria vida. Vendo a família que poderia ser dela e não é. E se sentindo mal porque todos estavam melhores sem ela. É como se Em fosse dominada por um sentimento de culpa por estar atrapalhando a vida daqueles que ela ama, por estar entrando na vida de pessoas que ela já não faz mais parte. Os pequenos momentos que são mostrados fora da correria da investigação (como eu disse, a narrativa está meio frenética) valem a pena e trazem o sentimentalismo que a série precisa.

É claro que a parte investigativa é o coração da série, mas mostrar o desenrolar do lado humano e das diferentes (e confusas) emoções humanas, tem sido minhas partes favoritas até então. Pode ser porque eu amo ver Stana atuando em cenas que exijam emoção, porque ela de fato traz isso para você sentir (e nem precisa muito, basta os olhares que arrepiam até sua alma), mas essas cenas tem sido gostosas, duras e emocionantes ao mesmo tempo de assistir.  


No lado "Vamos provar a inocência da Emily ou morrer tentando" da série, temos Nick sendo louco e acusando Adam assim, na cara dele. Nick não pensa não? Não pensa que se for ele, de fato, mostrar que você tanto não é exatamente a tática adequada? Principalmente se a pessoa matou alguém?! Algo de falso emana do Adam, na minha opinião e quando ele usa a mesma frase "A vida não oferece muitas segundas chances" meu sangue congelou e eu já não conseguia mais pensar. E, para completar temos Emily fazendo - mais uma vez- tudo ao contrário daquilo que Nick pede à ela. 

Quando Emily invade a casa de Radford eu não poderia ter ficado mais tensa do que fiquei. Eu não conseguia respirar pensando na possibilidade dele chegar em casa e encontrar Emily lá dentro. As alucinações/visões dela tem ficado bastante frequentes e quando ela encontra o caderno com desenhos da alucinação com o "olho de sangue" que ela vem tendo em um caderno escondido na casa do Adam, ela tem uma dessas alucinações fortes bem quando ele está chegando em casa. Eu só queria que ela não respirasse, não se mexesse, não saísse do lugar e que tudo acabasse bem.

Emily escapa e as perguntas sobre o porque, como e o que Adam sabe sobre o olho de sangue e as visões de Emily acabam sendo o cerne dessa parte da história. Adam viu o quadro derrubado por Emily torto em sua parede, logo, ele sabe que ela esteve lá e  que ela e Nick estão investigando. Até que ponto ele está envolvido?

Absentia vem nos propondo uma narrativa repleta de pontos de interrogação e eu só espero gostar tanto nas repostas como estou gostando das perguntas!

Até semana que vem! 

PS1: Uma tensão sexual é uma tensão sexual amigos!
PS2: a raiva que eu to do Jack não cabe em mim de tão grande que é.
PS3: Obrigada, infinitamente, pelo retorno na review passada. Isso é um espaço para conversas, debates, criar teorias, surtar, qualquer coisa. Nada do que eu falo é verdade absoluta e eu adoro ver as coisas da outra forma, ver outras interpretações e pensamentos. Acho que isso torna a experiência com a série mais completa e mais mágica. Espero que essas conversas continuem durante muito tempo. Obrigada por lerem o que escrevo, de verdade. Eu escrevo para vocês, então, espero que vocês estejam gostando, viu?!

PROMO DO PRÓXIMO EPISÓDIO


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