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Title: DEBATES DE SERIADOR #01 - A ASCENSÃO DE SÉRIES NEGRAS EM TEMPOS DE CRISE DA TV AMERICANA
Author: Rhayller Peixoto
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Assistir séries vai além de dar play em um episódio. Opinar, debater e chegar a conclusões plausíveis sobre o impacto dos programas que...

Assistir séries vai além de dar play em um episódio. Opinar, debater e chegar a conclusões plausíveis sobre o impacto dos programas que assistimos faz parte da vida de qualquer seriador. Pensando nisso, o DDS traz a coluna Debates de Seriador, com o objetivo de incentivar o debate sobre os muitos caminhos que a televisão tem traçado nos últimos anos. A discussão que abre o debate é a que explica o sucesso de Empire num ambiente de crise. Peguem seus argumentos e venha debater com a gente!

A crise da tv americana é uma das grandes problemáticas do consumidor de séries atualmente. Se no início dos anos 2000 a tv foi presenteada com shows que viriam a ser referência de audiência e crítica, os anos que se seguiram trouxeram uma escassez ao mercado. O processo criativo parece não funcionar mais como antigamente e o excesso de adaptações de filmes e revival’s evidencia a dificuldade de encontrar um roteiro que fisgue o telespectador. A pergunta que fica é: por que a tv perdeu adeptos?

A ideia de que os serviços de streaming são os grandes responsáveis pela evasão do público da televisão é cômoda, mas não compreende todo o processo. É importante destacar que o streaming não rompeu com a ideia de consumir tv, muito pelo contrário: os dois passaram a se integrar em uma relação de troca, em que a limitação da televisão é compensada pela praticidade de seu sucessor. Um exemplo claro é a recente lista publicada pela 7Park Data que elenca as 10 séries mais assistidas da Netlflix nos EUA. Para a surpresa de muitos, apenas 2 produções originais do serviço compõem a lista: Orange is the New Black e Stranger Things, em 6º e 10º lugar, respectivamente. Todos os outros integrantes do top 10 são programas televisivos.


A relevância da tv mesmo em meio ao boom das plataformas digitais ainda não é suficiente para apontar quem é o responsável pelo afastamento de sua audiência. No entanto, quando somada às últimas experiências de sucesso nos EUA, percebe-se um padrão interessante: shows protagonizados por pessoas negras. Esse é um dos grandes desafios da televisão americana atual - entender e dialogar com a população negra.

O exemplo de Empire, drama musical criado por Lee Daniels e Danny Strong para a FOX, é o mais claro. Em tempos de Netflix, Hulu e Amazon, a série chegou a entregar  em seu auge estrondosos 6.9  pontos de audiência demográfica. Ao observar a adesão da série pelo público, o diferencial do show é nítido: Empire é uma série criada para o público negro, com protagonistas negros e claras referências ao cotidiano da população afro nos EUA. Há uma identificação com o público, que não se sentia representado pela maioria dos shows em exibição nos 5 grandes canais da TV aberta. Pensar em representatividade não-estereotipada tem sido o grande trunfo do mercado televisivo. É importante considerar que a ideia do não-estereótipo diz respeito a negros e negras ocupando espaços que não sejam subalternos, o que é uma realidade, mas não contempla uma parcela que hoje quer se ver além de becos, vielas e atividades ilícitas para a sobrevivência. Contar histórias bem sucedidas  destacando estadunidenses negros como parte do “american dream”  é um dos  caminhos  que showrunners precisam adotar se querem reconquistar o público das telinhas.


Seguindo essa lógica, séries como Grey’s Anatomy e Scandal são grandes expoentes dessa representatividade. O primeiro hit de Shonda Rhymes estreou em 2005 e diferente da maioria dos shows da época, trazia em seu elenco 3 pessoas negras em posição de chefia. A quebra do padrão da atividade de baixo prestígio social a afrodescendentes também se aplica a Scandal, primeiro drama a ser estrelado por uma mulher negra no primetime americano. A série, que estreou em 2012, coleciona cenas memoráveis interpretadas por atores negros. Durante a sexta temporada Khandi Alexander e Kerry Washington pareciam validar a frase dita por Viola Davis ao receber o Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática por sua interpretação em How to get Away With Murder. “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade”. Oportunidade essa que a tv tem a chance de dar ao apostar na pluralidade, sobretudo abrindo espaço para que atrizes e atores que não tinham destaque devido ao bloqueio criativo de roteiristas - muitas vezes pautados no racismo, possam dialogar com as diversas realidades do negro norte-americano. 
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  1. Fiz questão de vir aqui ler um pouco sobre o que escreve. Sua inteligência me assusta, fico bobo com sua capacidade de absorver e expor tanta informação. Sou se fã mano, sempre deixei iss claro. Desejo seu crescimento e que seus objetivos e sonhos sejam alcançados. Abraços do seu amigo e fã Maique Oliveira.

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