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Leandro Cardoso da Cruz Leandro Cardoso da Cruz Author
Title: [REVIEW] BLACK MIRROR - S04E01: USS CALLISTER
Author: Leandro Cardoso da Cruz
Rating 5 of 5 Des:
Black Mirror está de volta com seus novos episódios e o maior medo dos fãs era que a série repetisse o terceiro ano mais fraco e caíss...

Black Mirror está de volta com seus novos episódios e o maior medo dos fãs era que a série repetisse o terceiro ano mais fraco e caísse em uma monotonia que não lhe era característica. Em seu episódio de retorno, a série aborda um tema relevante, mas se vale muito das referências e acaba perdendo um pouco o foco.

É incrível como Black Mirror tem a capacidade de nos enganar. Começamos o episódio claramente torcendo para Robert Daily, o chefe inteligente, mas sem as habilidades sociais necessárias para que gostem dele. Sacaneado e até mesmo oprimido, sentimos sua dor vendo o quão difícil é seu dia-a-dia no trabalho.

Até que surge uma nova funcionária, Nanette, que é simpática, agradável e realmente dá o valor que o cérebro por traz do projeto merece. Logo passamos a esperar um pretenso relacionamento, uma vez que é isso que a cultura pop quer nos ensinar. Basta uma garota ser legal com o nerd oprimido que ele vai ganhar uma namorada! E é aí que o episódio passa a se aproximar mais com a nossa realidade, do que com um futuro distópico.

Vemos que Robert na verdade é um verdadeiro opressor, mas apenas onde ele controla as coisas. Com o auxilio de sua tecnologia, ele é capaz de criar versos de pessoas do seu meio de trabalho em seu jogo, em uma clara referência à Star Trek. E lá, ele é um deus! 


O mais chocante é ver que os personagens do jogo se lembram de sua vida lá fora e que são obrigados pelo medo à participar do jogo doentio que ele cria. Nesse momento passamos a torcer por bytes, meras imagens de pessoas reais contra um opressor bem claro e definido.

Com referências à episódios passados, como The White Christimas e Playtest, o episódio acaba sendo de um roteiro raso, muito sustentado nesses easter eggs. Nada mais atual que isso. Mais atual ainda é essa questão do camarada que é oprimido na vida real e que se torna um grande opressor escondido pelo anonimato da Rede Mundial de Computadores. 

Diferentes pessoas podem ter diferentes interpretações com esse episódio. Podemos ver a polarização política atual, onde comentários de posts e notícias são zonas de guerra. Podemos ver o nerd/gamer que não respeita ninguém na internet, uma vez que não se vê respeitado na vida real (como se fosse motivo). Podemos ver até aquele garoto tímido que se julga na friendzone só porque a garota legal não quer ficar com ele (como se ela tivesse obrigação)

Talvez não tenha sido o melhor episódio de Black Mirror. Com certeza não foi a melhor estréia. Mas nos faz pensar. Como deve ser um episódio de Black Mirror.

TRAILER DO PRÓXIMO EPISÓDIO

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