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Leandro Cardoso da Cruz Leandro Cardoso da Cruz Author
Title: [REVIEW] BLACK MIRROR - S04E03: CROCODILE
Author: Leandro Cardoso da Cruz
Rating 5 of 5 Des:
Dos 3 primeiros episódios dessa temporada, nenhum me fez ficar mais em dúvida se gostei ou não do que Crocodile . No primeiro momento ac...

Dos 3 primeiros episódios dessa temporada, nenhum me fez ficar mais em dúvida se gostei ou não do que Crocodile. No primeiro momento achei massante, chato e sem grande relevância. Pesquisando e lendo outras opiniões, fiquei balançado com a chance de te sido bem melhor do que achei. Isso é Black Mirror?

O episódio começa dando a entender que irá tratar de dois jovens que cometem um crime. Rob acaba convencendo Mia que a solução é esconder o que fizeram e seguir em frente, justamente porque ele vê que tem muito a perder com a descoberta. Mas é aí a primeira virada do episódio. A trama não é sobre os jovens. Mas sobre eles adultos.

E aí que a história muda. Mia se tornou uma arquiteta bem sucedida. Casada, com um filho, agora é ela que tem muito a perder. Já Rob deixa a indicação que não atingiu seu potencial na vida. Perseguido pelo crime que escondeu, ele agora é um ex-viciado à procura de tentar ao menos fazer o que ele acha ser certo.

Podemos culpar Mia por todas as suas ações que virão em decorrência desse arrependimento de Rob? Em um primeiro momento ela queria fazer o que era certo, mas ele não permitiu. Agora é ela que não permite, mas de uma maneira mais drástica. É o instinto de sobrevivência que aflora nela que a coloca em um caminho sem volta.

Toda a trama aparentemente paralela de Shazi, uma investigadora para um empresa de seguros, vai claramente colidir com os feitos de Mia. Desde o início prevemos que irão se encontrar. A lentidão para esse encontro pode ser visto como uma boa criação de expectativa para alguns, mas para outros (eu inclusive) parece mais que a série não tinha o que fazer. Existia uma ideia, mas não uma maneira de colocá-la em pratica.

A tecnologia dessa vez mal serve como plano de fundo. Uma maneira de rever suas memórias em uma TV de 6 polegadas com baixa resolução? Por favor, já vimos isso em outras formas mais realistas na própria série. 

O embate final entre Shazi e Mia acabou soando mais forçado do que necessário. Ao invés de ser sutil, acabou sendo direto e claro, o que dessa vez não funcionou. Claramente esse roteiro tem um série problema de timing. Toda a questão do interrogatório no sequestro cria uma doce ambiguidade. O Dilema do Crocodilo cria o problema: se você der o que ser raptor quer o resultado pode não ser o que você espera. Mia queria saber se Shazi havia contado para mais alguém sobre ela. Se a garota confirmasse, Mia ia fazer o que?

A morte do marido era prevista, a da criança não. Pareceu mais uma tentativa nada sutil de criar uma empatia e demonizar Mia, que até então podia ter tido seus motivos. Suas Lágrimas de Crocodilo ao ver o coral do filho não conseguem mais causar um sentimo sobre a personagem.

O desfecho final é no mínimo preguiçoso. Uma das coisas que a ciência já deixou claro é que os animais não possuem noção de tempo. É por isso que seu cachorro fica desesperado ao te ver, mesmo depois de poucos minutos ou de dias. É preciso muita suspensão de descrença para crer que um Hamster (ou Porquinho-da-Índia) seria capaz de compreender o que viu e ativar algum senso de memória.

Ainda na dúvida se esse episódio foi ruim ou não, fico com a clara sensação que podia até ter funcionado, mas seus problemas acabam suprimindo suas qualidades.

TRAILER DO PRÓXIMO EPISÓDIO

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