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Lilian Zin Lilian Zin Author
Title: THE ORVILLE: A MELHOR INDICAÇÃO QUE JÁ RECEBI
Author: Lilian Zin
Rating 5 of 5 Des:
Eu sou uma pessoa muito sistemática para assistir séries. Melhor descrevendo: sou uma chata na hora de escolher o que assisto ou não. N...

Eu sou uma pessoa muito sistemática para assistir séries. Melhor descrevendo: sou uma chata na hora de escolher o que assisto ou não. Normalmente eu dou preferência a aquelas séries que têm algum ator conhecido, como foi o caso de MacGyver e S.W.A.T., ou então simplesmente porque a trama me interessou, como foi com Gotham e iZombie. A questão é: nunca havia assistido uma série por recomendação de alguém. Sempre quis descobrir as séries por conta própria e não dividir elas com ninguém. Eis que, em um Congresso que fui em Outubro, eu conheci o Wesley, que, além de comentar sobre as mais diversas séries possíveis, me falou “Se você gosta de Star Trek, deveria assistir The Orville”

Desde que ele me falou sobre a série, não consegui tirar o nome da cabeça. Tanto que, assim que cheguei em casa, fui correndo procurar. Enquanto estava vendo o primeiro episódio, não pude evitar as comparações com Star Trek. E essas comparações só aumentaram à medida que via os episódios. Não digo a Star Trek Discovery, que muitas pessoas ficaram dizendo que perde descaradamente para Orville, mas sim da original, com Kirk, Spock, McCoy e a Enterprise, em que eles têm como principal inimigo os Klingons e, quase sempre, acabam no meio de um problema. 

A série tem Seth MacFarlane como protagonista e criador, o que já deixa o precedente para alguma coisa muito boa. Além disso, as piadas são muito bem feitas e parece que foram estrategicamente colocadas depois que o roteiro estava pronto. É sério, eu fiquei impressionada pela forma como as piadas saíam tão naturalmente e, muitas vezes, até sem intenção. Em alguns casos, a série beira o ridículo, não tendo medo de seguir essa linha. Mas não foi só por isso que a série prendeu minha atenção. 


Os diversos assuntos que eram os tópicos principais dos episódios eram sempre muito bem desenvolvidos e muito pertinentes. Um exemplo é como a série tratou de religião de uma forma completamente aberta e que nos faz pensar, e muito, no que acontece hoje em dia e como tendemos a ter um pensamento muito focado em apenas uma coisa e acreditar que o resto é mentira. E isso foi feito mais de uma vez. Eles apresentaram ainda diversas situações interessantes, como um futuro em que as pessoas são monitoradas e recebem likes de acordo com suas atitudes, tudo bem Black Mirror mesmo.

Mas não só dos plots a série e feita. Os personagens são outra coisa que hipnotizam qualquer um que vê. A começar pelo próprio capitão, Ed Mercer. Já gostei de cara só porque o Seth MacFarlane é um dos meus crushes. Mas, depois que você vê como ele passa a ser responsável quando assume a capitania da Orville, não tem como não ficar apaixonada. Além de ser divertido, ele também dá diversos conselhos e palavras que encorajam qualquer um. Ao lado dele está sua ex-mulher e comandante Kelly Grayson, que foi a principal responsável por Ed ter a nave. Ela é uma mulher forte e que não aceita qualquer ordem dada, seguindo seu instinto e, principalmente, seu coração. Há quem queira que os dois fiquem juntos, porém, como a season finale provou, os dois são melhores separados.

Outra mulher forte é a médica da nave, Claire Finn. Além de ser responsável por todos os tripulantes, ela ainda cuida dos dois filhos que vivem com ela na Orville. Ela vive uma situação que todo mundo conhece bem: o cara chato que fica tentando convencer que sair com ele seria uma ótima ideia. Nesse caso, o cara é Yaphit, uma espécie de geleia que atormenta a doutora até conseguir um encontro com ela. A outra personagem feminina e muito bem escrita é Alara Kitan, uma Xelayan que possui uma força inexplicável. Em um dos melhores episódios da temporada, Alara mostrou que sua força vai além da física, superando seus medos e os de outros membros da equipe de uma forma espetacular, mesmo que isso colocasse sua própria vida em risco. 


Outro personagem fascinante e o alienígena Bortus, que mora com seu companheiro, Klyden, e o recém nascido, Topa. O mais interessante sobre o personagem é o fato de que a espécie dele, os Moclans, é composta majoritariamente de homens e, no episódio About a Girl (S01E04), é mostrado como eles se sentem em relação ao nascimento de uma menina. O outro alienígena que compõe a nave é o robô Isaac, que seria o equivalente ao Spock. A inteligência artificial mostra várias vezes que, apesar de toda a lógica e robótica, ele tem sentimentos, principalmente quando se preocupa com os filhos de Claire e se exila para ajudar Kelly. O maior alívio cômico fica por conta de Gordon Malloy e John LaMarr, os dois pilotos da nave. Eles se dão bem quase imediatamente após se conhecerem, o que dá muita abertura para diversas piadas e pegadinhas com toda a tripulação, principalmente para cima de Bortus. 

A série ainda conta com algumas participações de nomes bem conhecidos, como Liam Neeson, Charlize Theron, Victor Garber e Rob Lowe, além de ter sido uma das primeiras renovações feitas na Fall Season desse ano. Por ter só 12 episódios na primeira temporada, dá para maratonar rapidinho. É sério, os episódios são tão bons e a história é tão envolvente que os 45 minutos passam tão rápido que nem dá para notar. É uma daquelas séries bem leves e que, com toda certeza, vale muito a pena de ser assistida. 

Eu só tenho uma coisa a dizer: muito obrigada, Wesley Franceschi. Foi a melhor indicação que eu poderia ter recebido.

P.S.: Se isso não foi o suficiente para convencê-los a assistir à série, apenas assistam ao episódio Krill (S01E06). Ele fala por si só.
P.S.2: Seth MacFarlane, muito obrigada por ter usado o bendito cloak device nas naves da União. Se Star Trek não faz isso, pelo menos Orville usa e abusa do mecanismo.
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