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Tatiana Dantas Tatiana Dantas Author
Title: A LIVRARIA - UM FILME QUE TRADUZ O QUE É AMAR LIVROS
Author: Tatiana Dantas
Rating 5 of 5 Des:
O livro de Penelope Fitzgerald , A Livraria , ganha um longa homônimo que, não só foi indicado à 11 categorias nos prêmios Goya (a maio...


O livro de Penelope Fitzgerald, A Livraria, ganha um longa homônimo que, não só foi indicado à 11 categorias nos prêmios Goya (a maior premiação do cinema espanhol), como faturou 3 desses prêmios: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Diretor e, o mais importante, Melhor Filme. É com esse retrospecto que o filme chega aos cinemas brasileiros.

No final da década de 50, Florence Green (Emily Mortimer) recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra, acreditava que os cidadãos do pequeno vilarejo onde morava precisavam de mais cultura, então decidiu abrir uma livraria. Contudo, sua iniciativa é vista com maus olhos pela conservadora comunidade local, que passa a se opor tanto a ela quanto ao seu negócio, obrigando-a lutar por seu estabelecimento.

Esteticamente, o filme é uma perfeição. A cidade inglesa é fria, cinza e triste. Enquanto isso, as cores vão se mesclando de acordo com as peças e personagens, trazendo mais movimento para trama com este cenário.

As atuações também não ficam para trás, Patricia Clarkson esbanjando elegância como sempre. Honor Kneafsey roubou a cena totalmente, trazendo um misto de cenas engraçadas com tocantes, não passando despercebida e dando mais vida a história. Emily Mortimer deu muito certo como Florence Green, a ponto de não conseguir imaginar outra atriz dando vida a esta personagem nas telas. Assim como Bill Nighy encaixou totalmente como Edmund Brundish, com seu jeito bem britânico nativo e sério.

Porém adaptar um livro é sempre arriscado, fadado a erros ou deixar a desejar, o que foi o caso deste filme. A Livraria usa bastante a narração como subterfúgio, neste ponto foi um acerto, o que poderia incomodar, faz todo sentido contribuindo para a trama. Provavelmente quem leu a obra compreendeu melhor o que filme gostaria de passar, mas para não leitores a trama deixa grandes lacunas em seu propósito.

A intenção de mostrar que a ausência de leitura gera uma sociedade mais ignorante, machista, e fadada a seguir quem tem maior poder de capital é válida. Porém se perde ao decorrer da história, ao ficar subjetivo os esforços de Violet Gamart (Patricia Clarkson) em impedir o funcionamento da livraria e sua rivalidade com a Sra. Green (Emily Mortimer).

As referências a literatura é algo lindo para os amantes de uma boa leitura. De obras como Orgulho e Preconceito de Jane Austen, Lolita, e o bastante citado no filme Fahrenheit 451 do autor Ray Bradbury e outros livros dele. Sempre frisando como ler é mágico, é importante, é um trabalho que se torna amor quando se ama ter os livros como um refúgio. Uma frase bastante pertinente no filme que traduz a vida de um leitor é: Quem está em uma livraria nunca está solitário. E ao adentrarmos no mundo da ficção, criamos um universo paralelo só nosso, cheio de emoções, conhecimento, amores, que irão nos marcar para sempre.

Tudo isso faz de A Livraria um filme mágico, que promete te fazer sonhar, mas sempre com os pés na realidade, que sem esforço nada será possível, e que infelizmente apenas sonhar sem lutar, não o levará a lugar nenhum.

O Filme se encontra em cartaz nos cinemas brasileiros. Trailer:



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