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Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA: BLACK LIVES MATTER
Author: Jéssica Ohara
Rating 5 of 5 Des:
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movime...





Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo. 
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.


Eu estava na metade da leitura de O ódio que você semeia quando a Marielle morreu, desde então a literatura mais uma vez se firmou como uma forma de expressão da realidade. Que negros, em qualquer sociedade colonizada, escravocrata, capitalista, ainda estejam nas camadas de risco da população, sujeitos a violência e ao descaso dos governos, não é nenhuma novidade, mas ainda é duro ler sobre e, mais ainda, ver na esquina de casa.

Starr é uma adolescente de classe média baixa, que teve uma infância pobre, vem de uma família amorosa com os seus problemas como qualquer outra. Mas ela também é negra, de um bairro periférico e violento, com um pai com antecedentes criminais que ainda tenta se livrar dos velhos fantasmas do passado. Ela se torna testemunha do assassinato do seu amigo por um policial branco. Starr é tudo isso, tão difícil, tão comum.

Eu já tinha tudo para me identificar com boa parte da vida da protagonista, mas o que realmente mexeu comigo foi a vivência dela na escola. Poucas vezes você se sente tão exposta e sozinha quando você é o único negro no lugar, quando você tem que deixar passar as pequenas atitudes racistas diárias para não perder os poucos amigos que tem para ser aceito em um lugar que, no fundo, você sabe que nunca vai ser totalmente parte.

Todos os temas que o livro toca são extremamente relevantes e profundos, bem mais do que eu esperava de um YA. Há partes especialmente emocionantes, que nos fazem perguntar até que ponto iríamos para pedir por justiça, o quanto conseguiríamos ser corajosos em um mundo que se regozija com a nossa destruição?

Não foi só pelo caos da vida diária que demorei a fazer essa resenha, mas também porque certos livros machucam você, eles deixam uma ferida que você precisa de um tempinho a mais para se recuperar. Principalmente quando eles se atrelam a fatos mais dolorosos ainda da vida, te puxando para o chão, ou até abaixo dele. Mas tanto os livros quanto os acontecimentos são importantes para nos lembrar que nós somos resistência, nós estamos aqui, nós estaremos aqui e nossas vozes serão ouvidas de um jeito ou de outro.

LIBERDADE É NÃO TER MEDO





AUTOR(A): Angie Thomas
PÁGINAS: 378
EDITORA: Record
LANÇAMENTO: 2017
ONDE COMPRAR: Aqui
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