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Ticianni Zabulon Ticianni Zabulon Author
Title: [REVIEW] KILLING EVE - PRIMEIRA TEMPORADA
Author: Ticianni Zabulon
Rating 5 of 5 Des:
Eu penso em você o tempo todo. Penso na temporada que só teve oito episódios. Eu penso nas suas personagens complexas, na trilha sonora ...

Eu penso em você o tempo todo. Penso na temporada que só teve oito episódios. Eu penso nas suas personagens complexas, na trilha sonora maravilhosa, na geladeira de champanhes da Villanelle. Penso em como as pessoas ainda não estão te dando a devida atenção, em como sinto saudades da Cristina Yang, em como você tem cenas de mortes elaboradas. Eu penso em quando será que você vai voltar para a segunda temporada. Penso naquela cena final que me deixou chocada e agoniada.  Killing Eve, eu penso em você o tempo todo.

A temporada em geral apenas nos apresentou a ponta do iceberg no que se diz respeito a trama policial internacional, mas se pouco foram desenvolvidos os mistérios a respeito do grupo empregador de Villanelle, em contrapartida o estabelecimento do distorcido vínculo entre as duas protagonistas foi perfeitamente trabalhado. É impressionante o quão próximas Eve e Villanelle estavam uma da outra mesmo passando a temporada quase inteira sem estarem na mesma cena. E o momento em que elas contracenavam era um show à parte, um misto de sentimentos entre elas e também para quem assiste, com todo tipo de tensão envolvida. O jogo de gato e rato entre as protagonistas foi um verdadeiro deleite.


A série não faz questão de nos apresentar diretamente cada aspecto da vida dessas mulheres. Como bem exemplifica o piloto, já pegamos as investigações, suas vidas e atividades em andamento. Temos uma amostra de que tipo de pessoas elas são e a partir daí no decorrer dos episódios é que sozinhos poderemos perceber suas personalidades e como elas vão se transformando, em especial a de Eve que tem a vida inteira remexida. Para alguém cujos únicos grandes incômodos da vida eram um chefe problemático e acordar com braços adormecidos, tudo vira de cabeça para baixo. E quem disse que não era exatamente isso que ela queria? O homicídio em andamento anunciado no título da série é muito mais relacionado a desconstrução da vida de Eve pela própria Eve do que da mesma correndo um risco literal de morte já que curiosamente nunca foi a intenção de Villanelle feri-la, claro que depois daquele final não há mais garantias de que suas promessas sejam mantidas.

Eve foi desenvolvendo um fascínio por Villanelle, que ia além da necessidade de parar uma assassina, ela se encontrava enfeitiçada pelo próprio conceito da mesma. E foi muito fácil se identificar com essa situação já que, como não ficar ansiosa para ver qual seria o próximo passo imprevisível da loira? Como não ficar curiosa para saber quais limites seriam ultrapassados? Como não se deixar seduzir pelo seu jeito aleatório e descarado? Somos todos Eve.


Personagens como Villanelle não são os usuais anti-heróis que buscam a oportunidade de seu arco de redenção. Ela não quer ser perdoada simplesmente porque não acredita estar a fazer algo passível de perdão. Ela sequer deve pensar a respeito da possibilidade. Para a assassina, esse é um trabalho comum, ela gosta de fazê-lo e faze-lo bem. É onde ela se diverte. Mas mesmo assim, mesmo tendo consciência disso, com suas carinhas fofas e aleatórias é impossível não se deixar levar pelo charme. No momento em que seus olhos enchem d’água ao receber o mínimo de afeto, a gente ainda se pergunta, mas e se ela for uma pessoa boa assim bem lá no fundo? Então na cena seguinte ela nos dá uma rasteira emocional e volta ao seu modo imbatível retomando o controle mostrando que está lá para ser uma verdadeira agente do caos e que se você começou a série pela Sandra Oh, como acredito que tenha sido o caso de muitos, você vai continuar vendo por Jodie Comer, que junto com a nossa eterna Cristina Yang forma uma dupla de gigantes.

Pontuando em especial cenas como a dolorosa morte de Bob marcada por aquela perseguição em que a assassina mantinha um sorriso macabro e o tenso jantar em que aprendemos que não se deve chamar um psicopata de psicopata, os ritmos dos episódios seguiram com equilíbrio de humor ácido e tensão investigativa gostosos de assistir. É uma série que merece ganhar algum destaque na temporada de premiações e estarei com dedos cruzados para que isso ocorra. Que venha a segunda temporada!

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