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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: MUDBOUND: UMA HISTÓRIA SOBRE RACISMO E GUERRA
Author: Michelle Louise
Rating 5 of 5 Des:
Um amor proibido, uma traição terrível, uma agressão selvagem. Um romance de força impressionante, que nos faz mergulhar nas contradi...


Um amor proibido, uma traição terrível, uma agressão selvagem. Um romance de força impressionante, que nos faz mergulhar nas contradições do Mississippi pós-Segunda Guerra Mundial.

Ao descobrir que o marido, Henry, acaba de comprar uma fazenda de algodão no Sul dos Estados Unidos, Laura McAllan, uma típica mulher da cidade, compreende que nunca mais será feliz. Apesar disso, ela se esforça para criar as filhas num lugar inóspito, sob os olhos vigilantes e cruéis de seu sogro.

Enquanto os McAllans lutam para fazer prosperar uma terra infértil, dois bravos e condecorados soldados retornam do front e alteram para sempre a dinâmica não só da fazenda, mas da própria cidade. Jamie, o jovem e sedutor irmão de Henry, faz Laura de repente renascer para a vida, enquanto Ronsel, filho dos arrendatários negros que trabalham para Henry, demonstra uma altivez que não será aceita facilmente pelos brancos da região.

De fato, quando os jovens ex-combatentes se tornam amigos, sua improvável relação desperta sentimentos violentos nos habitantes e uma nova e impiedosa batalha tem início na vida de todos.

Alternando a narrativa entre vários pontos de vista, este premiado romance oferece ao leitor diferentes versões dos acontecimentos. Os personagens, lutando por sentimentos de amor e honra num lugar e época brutais, se veem dentro de uma tragédia de enormes proporções e encontram redenção onde menos esperam (Via Skoob).


Mudbound é um daqueles livros que te tira da sua zona de conforto e que vai te fazer pensar. Pensar em guerra, pensar em racismo e pensar no racismo no contexto da segunda guerra mundial. Nessa narrativa, Hillary Jordan nos apresenta duas famílias distintas que tem seus destinos cruzados de maneira forte e inesperada. 

Laura  McAllen é casada com Henry. Seu casamento não é movido e criado necessariamente ao redor de um amor tórrido. Todas as irmãs de Laura já haviam casado e ela estava ficando solteira, o que era praticamente inadmissível na época. Então, surge Henry que acaba cativando a família da moça e conquistando o afeto da própria Laura que enxergava nele um homem bom que poderia fornecer à ela uma vida boa e a possibilidade de constituir uma família.   


Laura e Henry acabam tendo duas filhas, porém, a vida deles muda drasticamente quando Henry resolve comprar uma fazenda de algodão no Mississippi. Henry é um homem da fazenda, ele gosta disso, do trabalho braçal e da vida no campo. Laura, por outro lado, é uma mulher da cidade e a última coisa que ela queria era ir morar numa fazenda no meio no nada, sem um banheiro decente ou eletricidade. Mas eles tem uma característica que é fundamental para essa narrativa: Laura e Henry são brancos, eles são os donos da propriedade.

Do outro lado temos uma família de arrendatários da fazenda: Florence e Hap são os pais de uma família negra. Florence acaba indo trabalhar na casa de Laura e as duas acabam se tornando uma companhia constante na vida da outra. Como negros numa época segregacionista, eles sabem que não tem direito a autoridade e vivem em busca de uma vida melhor da melhor forma que podem.


As coisas começam a tomar um rumo conturbado quando dois heróis da guerra retornam pra casa. Jamie, irmão de Henry, e Ronsel, filho de Florence e Hap. Jamie é o clássico herói branco americano. Ronsel também é um herói americano mas, por ser negro, as pessoas não o veem dessa forma. O racismo na Europa onde ele passou todos esses anos de guerra não fora tão forte como é no Mississippi. Ele viu outra realidade e não se conforma com que precisa viver agora para poder,  simplesmente, SOBREVIVER. E isso é apenas a ponta de um iceberg. 

Ambos voltaram da guerra, mas ela deixou marcas profundas nestes dois personagens. Marcas psicológicas que não são facilmente esquecidas. Marcas que ficam e que apenas outra pessoa que tem essas mesmas marcas é capaz de entender. Por isso Jamie e Ronsel se entendem e isso é apenas no começo de uma história tão densa e forte que fica difícil acreditar que isso realmente acontecia. 


Mudbound é uma história de guerra mas, acima de tudo, é uma história dura, cruel e visceral sobre o racismo. Os capítulos narrados alternadamente entre os diferentes personagens do livro, te fornecem uma visão do todo da narrativa que, apesar de pesada, flui em um ritmo rápido. Hillary consegue transpor toda a densidade dessa história de uma maneira simples de entender e sentir. 

Os capítulos são curtos e chega a ser chocante ver como o racismo está enrizado nos personagens brancos dessa história (infelizmente, isso ainda acontece em 2018...não se enganem). É a realidade dura que assombra o mundo pelo fato de ter acontecido. Uma época onde os negros não poderiam passar pela mesma porta que os brancos. Não poderiam cruzar o caminho dos mesmos. Não poderiam sentar no banco da frente de uma caminhonete ao lado de um branco. 

Nunca lado a lado, sempre os negros atrás. 


É um livro que debate e joga na sua cara os privilégios que nós, brancos, temos na sociedade e que muitas vezes fechamos os olhos. Ela quase desenha o que esses privilégios significam e isso fica claro nos momentos de narrativa de Ronsel. 

Mas é um livro que vai debater além do racismo: ele vai debater opressão, amor, família. Por vezes os personagens são egoístas e você se sente desconfortável em diversos momentos da narrativa. Você quer gritar o quanto aquilo é errado. E aqui as imperfeições humanas são desnudadas de maneira quase absurda. Não sobra pedra sobre pedra. 

Lágrimas sobre o Mississippi é uma leitura que vale muito a pena e te faz um convite a reflexão. Te convida a olhar pro lado. Pensar em atitudes e privilégios que por vezes passam despercebidos. É uma leitura que, no final, te deixa mais humano. E qualquer leitura que te proporcione isso, é uma leitura que merece ser feita. 

Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi

Autor: Hillary Jordan
Páginas:272
Editora: Arqueiro
Tradução: Marcelo Mendes
Lançamento: 2018
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Livro cedido pela Editora Arqueiro para resenha 
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