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Michelle Louise Michelle Louise Author
Title: O SENHOR DAS MOSCAS: UM MERGULHO NA ESCURIDÃO HUMANA
Author: Michelle Louise
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Publicado originalmente em 1954, Senhor das Moscas é um dos romances essenciais da literatura mundial. Adaptado duas vezes para o c...


Publicado originalmente em 1954, Senhor das Moscas é um dos romances essenciais da literatura mundial. Adaptado duas vezes para o cinema, traduzido para 35 idiomas, o clássico de William Golding — que já foi visto como uma alegoria, uma parábola, um tratado político e mesmo uma visão do apocalipse — vendeu, só em língua inglesa, mais de 25 milhões de exemplares. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, um avião cai numa ilha deserta, e seus únicos sobreviventes são um grupo de meninos em idade escolar. Eles descobrem os encantos desse refúgio tropical e, liderados por Ralph, procuram se organizar enquanto esperam um possível resgate. Mas aos poucos — e por seus próprios desígnios — esses garotos aparentemente inocentes transformam a ilha numa visceral disputa pelo poder, e sua selvageria rasga a fina superfície da civilidade, que mantinham como uma lembrança remota da vida em sociedade. 

Ao narrar a história de meninos perdidos numa ilha paradisíaca, aos poucos se deixando levar pela barbárie, Golding constrói uma história eletrizante, ao mesmo tempo uma reflexão sobre a natureza do mal e a tênue linha entre o poder e a violência desmedida.

A nova tradução para o português mostra como Senhor das Moscas mantém o mesmo impacto desde o seu lançamento: um clássico moderno; um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano (Via Skoob). 



O timing dessa minha leitura foi, no mínimo, irônico. Eu estava maratonando Lost (que eu gostei muito do final, inclusive!) e, então, comecei a ler O Senhor das Moscas. Não que as histórias sejam necessariamente parecidas, afinal, aqui o foco são crianças que acabam perdidas em um a ilha após um acidente aéreo. Mas algumas partes da narrativa acabaram interligando as coisas para mim, de certa forma.

Algumas leituras acabam ficando na nossa cabeça e, não importa o que você leia depois....sempre fica aquela pontinha da história marcada na sua mente. O Senhor das Moscas é um desses livros.

O avião caiu e as crianças não sabem porquê. O que elas sabem é que, neste momento, elas estão sozinhas em um ilha deserta. Sem horários, sem ordem. Sem comandos. Sem adultos. Apenas elas e toda a possibilidade de liberdade que essa ilha fornece.


Inicialmente a ilha dava aos meninos tudo que era necessário. As árvores frutíferas forneciam alimentos, algumas das crianças começaram a caçar e, então, passaram a ter carne. Tudo estava caminhando bem, os meninos maiores cuidando dos menores. Era natural, em algum momento, que uma liderança seria necessária. E isso acontece. Um lider natural é eleito e as coisas ficam calmas por um período de tempo. 

Porém, muito como acontece em Ensaio sobre a cegueira, de Saramago, não demora muito para o conceito de sociedade e conceito de respeito humano ruírem frente aos caos e a falta de leis e limites. As crianças começam a desenvolver um comportamento quase selvagem e a liderança começa a ser disputada de maneira feroz. Sem limites, sem regras, sem leis. Puramente selvagem.


Eu me lembro de quando li o livro de Saramago pela primeira vez e como fiquei chocada com o rumo tomado pela sociedade. Por ver transcrito em palavras o quão tênue é a linha entre a racionalidade e a selvageria. Aqui, no entanto, as coisas ficam mais chocantes por serem crianças. Temos crianças como seres dotados de uma inocência e bondade que, por vezes, falta nos adultos. Não estamos prontos para vermos crianças tomando atitudes drásticas e violentas. E isso choca.

É importante ressaltar que temos dentro de cada personagem um ponto da nossa real sociedade. Ralph, o lider natural eleito, e Porquinho representam a racionalidade frente ao caos, a ordem e a própria democracia, até certo ponto. Do outro lado temos Jack, que vem para causar o caos, questionar a ordem e fazer tudo que for necessário, mesmo que de maneira inescrupulosa, para conseguir chegar ao poder entre os moradores da ilha. 


A sociedade que, até então, caminhava bem...encontra a guerra. Os meninos vão tomando seus lados, escolhendo seus líderes e tomando atitudes que muitas vezes te deixam boquiaberta. Essa história acaba virando um debate sobre a existência humana e como, em situações extremas, muitas vezes deixamos o medo e a irracionalidade dominar a nossa tão estimada racionalidade. 

O Senhor das Moscas é um grande passeio sombrio pela escuridão da mente humana. Willian Golding guia este passeio de maneira magistral e te prende em cada página e cada palavra. Você quer saber o destino desses meninos e, por mais selvagem que seja a situação, você quer saber como as coisas acabarão se resolvendo. Essa narrativa não ganhou um prêmio Nobel levianamente, foi mais do que merecido. 

Aos que tiverem estômago para encarar essa leitura, eu espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei! 


Senhor das Moscas

Autor: Wiliian Golding
Páginas:224
Editora: Alfaguara
Tradução: Sergio Flaksman
Lançamento: 2014
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Livro cedido pela Editora Alfaguara para resenha 
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