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Mylla Santos Mylla Santos Author
Title: ATLAS DE NUVENS: UMA ÚNICA HISTÓRIA OU VÁRIAS DIFERENTES?
Author: Mylla Santos
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Um viajante forçado a atravessar o oceano Pacífico em 1850; um jovem compositor deserdado, conquistando à força de tortuosas invençõe...


Um viajante forçado a atravessar o oceano Pacífico em 1850; um jovem compositor deserdado, conquistando à força de tortuosas invenções um modo de vida precário num solar da Bélgica, entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra; uma jornalista com princípios morais na Califórnia do governador Reagan; um editor menor fugindo aos seus credores mafiosos; o testamento de uma «criada de restaurante» geneticamente modificada, ditado na ala da morte; e Zachry, jovem ilhéu do Pacífico que assiste ao crepúsculo da Ciência e da Civilização: são os narradores de "Atlas de Nuvens", que escutam os ecos uns dos outros através dos corredores da história e vêem os seus destinos alterados de várias maneiras.

Neste que é um dos romances mais importantes da atualidade, David Mitchell combina o gosto pela aventura, o amor pelo quebra-cabeça nabokoviano e o talento para a especulação filosófica e científica na linha de Umberto Eco, Haruki Murakami e Philip K. Dick. Conduzindo o leitor por seis histórias que se conectam no tempo e no espaço — do século XIX no Pacífico ao futuro pós-apocalíptico e tribal no Havaí — Mitchell criou um jogo de matrioskas que explora com maestria questões fundamentais de realidade e identidade.'

É difícil não se impressionar com a narrativa criada por David Mitchell em Atlas de Nuvens, pois ele criou seis narrativas que conseguem ser distintas por apresentarem formatos de escritas diferentes, mas predominando o tipo memorialista. 

A primeira é um diário de viagem que tem como personagem principal Adam Ewing, escrito no formato de cartas, memorialísticas. Ele relata a experiência que teve nas ilhas do Pacífico em 1850, durante a colonização inglesa na região entre a Polinésia e a Nova Zelândia.
Dar forma a um mundo que quero que seja a herança de Jackson, e não um que eu tema que ele venha a herdar – isso me parece uma vida que vale a pena viver. Ao voltar a San Francisco, vou comprometer-me com a causa da Abolição, porque devo minha vida a um escravo que se libertou por si só, e porque tenho de começar em algum lugar."
Na segunda história acompanhamos Robert Frobisher, essa narrativa também é no formato de cartas, endereçadas a Sixmith. A história se passa em 1931, Robert é um músico que está trabalhando como auxiliar de um compositor enquanto foge de algumas pessoas.
Na primeira parte, cada solo é interrompido por seu sucessor; na segunda, cada interrupção é retomada, na ordem original.”
Conhecemos Sixmith melhor na terceira história, ele e a jornalista Luisa Rey são os destaques dessa parte da história que se passa em 1970. Luisa está investigando uma usina nuclear e Sixmith é o ponto chave dessa investigação. Confesso que essa foi uma das minhas partes favoritas, Luisa é uma personagem corajosa e determinada, a investigação e o suspense criado nessa parte é algo emocionante.
“Uma pergunta hipotética. Que preço você estaria disposta a pagar, quer dizer, como jornalista, para proteger uma fonte?”
Luisa nem pensa sobre a pergunta. “Se eu acreditasse na causa? Qualquer preço.”
Continuamos acompanhando essa investigação na quarta história que se passa nos anos 2000, dessa vez o protagonista é Timothy Cavendish, um editor inglês que foi parar em um asilo. Enquanto está nesse lugar ele lê a a história da investigação de Luisa.

A quinta parte se passa no futuro e é narrada pela criatura artificial Sonmi 451, ela e suas companheiras foram criadas para trabalharem em lanchonetes, mas ela acaba se tornando líder de uma rebelião. Essa também é uma das minhas narrativas preferidas, mesmo sabendo que Sonmi 451 era um ser artificial não conseguia deixar de sentir empatia por ela, é curioso como ela consegue despertar da vida mecânica que tinha e se rebelar. 
Todas as revoluções são apenas fantasias absurdas até o momento em que ocorrem; a partir daí passam a ser inevitabilidades istóricas"
E na última ainda estamos no futuro, mas dessa vez em uma ilha do Pacífico, nesta o personagem principal é Zachry que ao longo de sua vida teve que enfrentar alguns desafios. Sim, essa também foi uma das minhas preferidas, mas confesso que no começo tive dificuldade, porque foi usado um modo de escrita diferente do usual... mas depois acostumei, gostei muito da crença que ele tem.
Aí o Velho Georgie enfiou a colher torta nos buraco dos olho do home de Hawi, né, e rancou fora a alma dele, respingano pasta de cebro, e mascou ela todim, com aqueles dentão de cavalo dele. O home de Hawi foi se desmulungano e aí virou mais uma daquelas pedra preta e torta que tinha espalhada por aquele cercado."
É fascinante como Mitchell consegue dar vozes diferentes para cada personagem, nos fazendo esquecer que fazem parte do mesmo livro. Outro ponto muito positivo na história é que elas possuem conexões, indícios das histórias anteriores, às vezes servem como continuação. Além de tudo isso, Mitchell consegue sutilmente chamar nossa atenção para assuntos importantes da nossa sociedade, é difícil não se perguntar se ele realmente falou o que entendemos. 

E como todo bom livro, esse também foi adaptado para o cinema com Tom Hanks, Halle Berry e Susan Sarandon no elenco. O título da adaptação é A Viagem, e preciso falar que não gostei dele, pois o nome Atlas de Nuvem é um ponto interessante da história. Mas fica a indicação para aqueles que querem conhecer um pouco mais dessa história. A edição é  linda, a Companhia das letras fez um ótimo trabalho.
Nossas vidas não são nossas. Desde o útero até ao túmulo, somos ligados a outra pessoa. No passado e no presente. E com cada crime, e cada boa ação, fazemos renascer o futuro."



Título Original: Cloud Atlas 
Autor: David Mitchell
Tradução: Paulo Henriques Britto
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 544
Ano: 2016
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Livro cedido pela editora para resenha
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