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Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: AS ÚLTIMAS TESTEMUNHAS: CRIANÇAS, NAZISMO, MORTE E GUERRA
Author: Jéssica Ohara
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A 22 de junho de 1941, a Alemanha nazi invade a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão celebrado entre as duas nações...




A 22 de junho de 1941, a Alemanha nazi invade a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão celebrado entre as duas nações e dando início ao que ficaria conhecido do lado russo como a Grande Guerra Patriótica.
No final do conflito, em 1945, tinham morrido cerca de três milhões de crianças e, só na Bielorrússia, vinte e sete mil viviam em orfanatos.
Os relatos destes órfãos foram recolhidos, passados mais de quarenta anos, por Svetlana Alexievich.
O resultado é uma visão única da guerra, testemunhada pelas crianças e não por soldados, políticos ou historiadores — os narradores mais sinceros e, simultaneamente, mais injustiçados.


Uma obra importante, composta por relatos impressionantes, profundamente comovedores e autênticos, em que o conflito e a tragédia se transformam em acontecimento pessoal, em fascinante e pungente memorial vivo de guerra.



Avistei os primeiros fascistas, nem avistei, mas ouvi - todos eles usavam botas com chapas de ferro, faziam barulho quando pisavam. batiam pela nossa calçada. Eu achava que até a terra sentia dor quando eles andavam.

Quando eu li A guerra não tem rosto de mulher, achei que tinha entendido a dimensão do horror que é uma guerra, mas eu estava redondamente enganada. Nada é mais terrível do que a morte contada por uma criança. Em As últimas testemunhas, Svetlana entrevista homens e mulheres que eram crianças na época da Grande Guerra Patriótica, a guerra entre a Rússia soviética e a Alemanha nazista.

Mesmo agora... Por toda a vida chorei nos momentos felizes. Me acabo de chorar. Por toda a vida...Meu marido...Eu e ele vivemos juntos com amor há muitos anos. Quando ele me propôs: "Eu te amo. Vamos no casar."; eu me desfiz em lágrimas. Ele se assustou: "Você se ofendeu?". "Não! Não! Estou feliz!" Mas nunca consigo ficar feliz até o fim. Completamente feliz. Felicidade não é para mim. Tenho medo da felicidade. Sempre acho que logo mais ele vai acabar. Em mim sempre vive esse "logo mais". Esse medo infantil...

O estilo que Stlvana adotou para os seus livro dá um tom pessoal tão contundente dos entrevistados, que é como se você estivesse sentado, dentro de uma sala, e a cada dez minutos entrasse alguém para contar a sua experiência. Nós nos sentimos como senão houvesse intermediários. Boa parte dos entrevistados viu a morte de perto, no próprio seio familiar, poucos sobreviveram com a família intacta depois do conflito, menos ainda aqueles que conseguiram ficar com um dos pais vivos, mas muitos terminaram órfãos.

Alguém falou: tem que correr para o cemitério, porque lá não vão bombardear. Para que bombardear mortos?

A vida como nós conhecemos pode acabar em um único dia, muitas pessoas relataram como no dia anterior estavam fazendo as atividades normais e no outro(às vezes a noite) já era guerra e eles precisavam evacuar suas cidades, deixando tudo o que conheciam para trás. Eram crianças pequenas, a maior parte com menos de dez anos, que perderam a infância de forma brusca e violenta. Quando eles falam como eram as mortes, as execuções, os bombardeios, eu não conseguia deixar de me horrorizar o quanto a crueldade podia ser imensa.

Em uma época, no Brasil, na qual chega a se duvidar das bases do nazismo, do seu poder de destruição e até mesmo dos motivos baseados no ódio, é essencial ler obras que nos tragam essa emoção incontestável, para nunca mais duvidarmos, para nunca mais esquecermos.
Esse livro foi cedido gentilmente pela editora ❤❤❤


AUTOR(A): Svetlana Aleksiévitch
PÁGINAS: 272
EDITORA: Companhia das Letras
LANÇAMENTO: 2018
ONDE COMPRAR: Aqui
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