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Mylla Santos Mylla Santos Author
Title: A INVENÇÃO DAS ASAS: SUE CONSEGUE CRIAR PERSONAGENS INSPIRADORES, QUESTIONADORES E FORTES.
Author: Mylla Santos
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Em sua terceira obra, Sue Monk Kidd, cujo primeiro livro ficou por mais de cem semanas na lista de mais vendidos do New York Times,...


Em sua terceira obra, Sue Monk Kidd, cujo primeiro livro ficou por mais de cem semanas na lista de mais vendidos do New York Times, conta a história de duas mulheres do século XIX que enfrentam preconceitos da sociedade em busca da liberdade. Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem.

Sempre que pego um livro de Sue Monk Kidd já preparo meu coração porque sei que vêm uma história forte pela frente. Ela tem esse dom de escrever e conseguir jogar umas verdades que vão impactar a pessoa, além de claro fazê-la refletir sobre questões sociais. É por essas e outras que vivo indicando seus livros para todos que conheço.
"Ele amarra as mãos de Rosetta à coluna do canto da varanda da cozinha. Ela olha por sobre o ombro e implora. Sinhá, por favor, Sinhá, Sinhá, Por favor. Ela implora mesmo enquanto o homem a atinge com o chicote."
Em a invenção das asas, Sue conta a história de Encrenca uma escrava que aos 10 anos é dada como presente de aniversário para Sarah, isso mesmo, um ser humano é dado como presente e isso era algo normal naquela época, acompanhamos o crescimento dela até a vida adulta e o caso do presente é apenas um de muitos absurdos citados no livro, o que mais me chocava era saber que essas coisas realmente aconteciam, não foram meras invenções da autora. 
"Se você tinha um nome de berço, pelo menos tinha alguma coisa da sua mamã. O senhor Grimké me deu o nome de Hetty, mas a mamã olhou pra mim no dia que vim ao mundo, e como eu nasci antes da hora, me chamou de Encrenca."
E Sarah que é filha de senhores de escravos, ao receber seu presente o rejeita, não por não gostar de Encrenca, mas por não está de acordo com o sistema escravista, passa muitos anos de sua vida tentando combate-lo. Essas duas mulheres enfrentaram as armaras impostas pela sociedade durante o século XIX para serem livres das questões de raça e de gênero. Mas calma, Sarah é devagar, muitas vezes tive raiva dela e de sua lentidão, por mais vontade que tenha de fazer alguma coisa que possa ajudar os escravos, ela para quando falam que ela não pode fazer tal coisa e demora a voltar a se mexer novamente. Por isso gostei mais dos capítulos narrados por Encrenca. E não vão pensando que essas são as únicas personagens que se destacam na história, porque não são, essa é outra qualidade da autora, consegue criar personagens inspiradores, questionadores, fortes.
"Me vesti rapidamente, imaginando se Hetty já estaria do outro lado da porta. Ao abrir, meu coração acelerou, mas Hetty não estava lá. O documento de alforria que eu tinha escrito estava no chão. Rasgado ao meio."
Amo a escrita de Sue, ela é clara, objetiva e direta, isso trás uma fluidez pra narrativa, fazendo com que a história ande rápido. É dessa forma que narra o passar de 35 anos, em um livro curto. Uma surpresa muito positiva foi intercalação dos capítulos, nos possibilitando acompanhar as duas protagonistas, seus sentimentos e objetivos. As aflições de Sarah e a insatisfação de Encrenca. As barreiras impostas a Sarah por ser mulher, a impossibilidade de ter uma profissão por não ser adequado para mulheres. Ao final do livro a autora nos revela que Sarah e Angelina Grimké realmente existiram e são consideradas as primeiras abolicionistas e defensoras dos direitos das mulheres, mas claro que muito do que Sue conta é ficção, mas mesmo assim gostei dessa informação.
"O que quer que seja moralmente correto para um homem fazer é moralmente correto para uma mulher fazer. Ela está dotada por seu Criador dos mesmos direitos e dos mesmos deveres."
Outra coisa que me atrai em seus livros é o fato dela falar sobre racismo do jeito como ele realmente aconteceu, ela não esconde e nem disfarça, ela mexe comigo, consegue me impactar, por mais que já conheça sua escrita ela ainda consegue me surpreender. Neste ela se aprofunda mais nessas questões, mostrando as dificuldades dos escravos e também das mulheres, pois não tinham voz naquela época. Além disso ela passeia um pouco sobre questões ligadas à religião. Traduzindo, esse livro trata de muitos assuntos importantes, prepara o psicológico e leia, duvido que se arrependa.
"Aquelas palavras grudaram em mim. Mamã não queria o tecido, só queria causar confusão. Ela não podia ser livre e não podia dar na sinhá com uma bengala, mas podia pegar a seda dela. Você se rebela do jeito que pode."


Título Original: The Invention of Wings
Autora: Sue Monk Kidd
Tradutor: Flávia Yacubian
Editora: Paralela
Páginas: 328
Ano: 2014
Onde Comprar: Amazon

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