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Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: [FILMES] CRÍTICA - JOJO RABBIT: ELES FIZERAM O QUE ELES PODIAM
Author: Jéssica Ohara
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Em tempos de fanatismo, é um presente termos um filme como Jojo Rabbit para reflertir de forma bem direta sobre os horrores que cercam es...


Em tempos de fanatismo, é um presente termos um filme como Jojo Rabbit para reflertir de forma bem direta sobre os horrores que cercam esse radicalismo. Jojo é um menino alemão com poucos amigos que vive com a mãe, Rosie, esperando o pai voltar para casa. A história se passa ao final da Segunda Guerra com a derrocada do Eixo, um momento de desespero e aumento da histeria, Jojo está começando a participar mais firmemente da juventude hitlerista, mas não é exatamente um exmplo de bom soldado. Apesar disso, o menino possui uma profunda admiriação pela figura de Hitler tendo até um amigo imaginário a sua imagem.

Tudo ia bem na cabeça de Jojo até que ele descobre que sua mãe está escondendo uma adolescente judia em casa, Elza. A partir daí, começa um questionamento de tudo o que haviam falado sobre os judeus para ele. Eu gostei muito de como os roteiristas fizeram essa mudança no personagem, não foi algo brusco e exgerado, foi bem compatível a mente de uma criança de dez anos.

Apesar de muitos criticos dizerem que a escolha de fazer uma tragicomédia foi bem arriscada por se tratar do tema, a verdade é que também não é a primeira vez que acontece vide filmes como A Vida é Bela e O Trem da vida.  A diferença é de ser pelo ponto de vista de uma criança nazista. Esse outro olhar traz novos significados sobre como nós vemos o processo de lavagem cerebral que a politica de exterminação nazista fez na mente dos jovens.

Aliando cenas muito engraçadas, mas com um pesadissimo. Taika Waititi nos dá todos os lados de quem apoiou esse movimento: os fanáticos, os que se arrependeram tarde demais, os que resistiram lutando contra e aqueles que mal entendiam tudo o que estava acontecendo. Através de Jojo nós conseguimos ver como a demonificação do outro nos faz odiá-lo e isso não é só por não conhecê-lo, já que a maior parte dos judeus tinha contato e convivia frequentemente com o resto da sociedade. O ódio começou a partir do momento que se precisou colocar a culpa em alguém para aumentar a sensação de poder. Durante o filme, tem uma cena ótima na qual Rebel Wilson explica porque o tio dela era um alcoólatra, abusivo, ladrão por causa de um  feitiço judeu.

É um dos poucos filmes que podemos dizer que todos os atores estão perfeitos em seus papeis, não há nada a questionar. Na verdade, queria ver muito mais deles. A indicação de Scarlett Johanson para o Oscar é mais do que justa. Ela é uma mulher que carrega o pesa de muitas perdas, mas mesmo assim ainda luta por um lugar justo, onde pessoas não sejam mandadas para campos de concentração. Há momentos extremamente emocionantes com ela que eu nunca esquecerei.

A amizade de Jojo e Elza é construída de forma muito natural. Achei particularmente interessante como trabalharam a figura de Elza, ela com toda a razão carrega muitos traumas e não confia facilmente, além de uma raiva totalmente compreensível. Não é algo como Jojo é seu salvador e nem ela uma pessoa abnegada que não guarda mágoas. Eles se unem porque um precisa do outro e Jojo percebe aos poucos que sempre esteve errado.

Há outros personagens a comentar, mas queria falar, por fim, sobre dois que me marcaram, o Yorki e o Capitão K. O primeiro é o melhor amigo do Jojo, uma figura doce que cria ótimo momentos cômicos, mas que também dá os primeiros sinais de que as crianças tinham entendido tudo errado sobre os judeus. Já o Capitão K é um figura muito forte pois ele já esteve na guerra, cometeu coisas graves, mas também percebeu que nada daquilo fazia sentido, só que já era tarde demais. Mesmo assim ele tenta ajudar de alguma forma.

Seria muito ingênuo da minha parte dizer que Jojo Rabbit é um filme delicado, na verdade até por ser mostrado a partir de uma criança, as emoções tem uma dimensão avassaladora. O momento que mais representa essa sensação é o da batalha na cidade, no qual vemos uma criança perdida, vendo as pessoas morrendo e finalmente começando a entender a guerra. Apesar de não ser suave, ele passa um memória de esperança e fé no outro. Amei, ele é um forte candidato para a estatueta.

"Eles nunca ganharão, esse é o seu poder. Enquanto houver um vivo em algum lugar, eles perderão."
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