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Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: ADORÁVEIS MULHERES?
Author: Jéssica Ohara
Rating 5 of 5 Des:
Dos filmes indicados ao Oscar 2020, como melhor filme, dois tinham me deixado com a pulga atrás da orelha, o primeiro Ford vs Ferrari e...

Dos filmes indicados ao Oscar 2020, como melhor filme, dois tinham me deixado com a pulga atrás da orelha, o primeiro Ford vs Ferrari e o segundo Adoráveis Mulheres. Resolvi dar uma chance para a adaptação de Greta Gerwig. Baseado no livro Mulherzinhas de Louisa May Alcott, o filme já largava na frente com uma história consolidada e aprovada pelo público. Mas essa vantagem também poderia ser sua maior inimiga, já que por ser tão amado passaria pela avaliação apaixonada do público(e críticos) como também pelas comparações com as suas mais diversas adaptações anteriores. Nesse sentido, a pergunta que fica é: Greta Gerwig conseguiu administrar bem essas forças conflitantes? Ao meu ver, não inteiramente.

A diretora optou por uma montagem e edição que focavam em uma narrativa com flashbacks e flashforwards, deixando clara a comparação entre as épocas para o espectador, tal como o desenvolvimento das meninas. Eu fiquei surpresa no começo do filme, achando que seria outra história que veria. Foi um ato arriscado já que quase todos que veem o filme já conhecem a história, mas ao mesmo tempo não inovador o suficiente para te manter totalmente envolvido, isso porque não parece tão bem executado. Em várias partes fiquei chateada dela ter optado por um corte em certa cena e isso não necessariamente me fazia querer continuar vendo e sim esperando logo que acabasse.

Os atores foram muito diminuídos por essa montagem. Quase ninguém teve espaço para brilhar, até mesmo os momentos de grande impacto da personagem Jo, que estão sendo constatemente compartilhados em imagens e gifs, quando vistos dentro do filme parecem muito menores. Outra que ficou totalmente apagada foi a Emma Watson, a atuação dela chega a parecer uma obrigação e só. As únicas que se destacam de forma exuberante é como sempre Meryl Streep e a nova querida de Hollywood Florence Pugh. Ambas respiram seus personagens em cada gesto. Tenho que ressaltar o figurino e maquiagem do filme que conseguiu tornar as mudanças corporais com o tempo verossímeis em cada personagem.

A história em si mostra as mudanças da adolescência para a vida adulta das quatro irmãs. Elas vivem com a mãe e esperam o retorno do pai da Guerra Civil. A mãe interpretada pelas Laura Dern se mostra paciente, bondosa e generosa. A filha mais parecida é a Beth, altruísta e gentil. A mensagem verdadeiramente bonita do filme é a representação da sororidade e afeto entre as irmãs que apesar das diferenças sempre se unem umas pelas outras. A mudança mais válida feita em relação ao livro foi a do final na qual é mostrado que o único jeito que uma mulher fosse principal, mesmo só na ficção, é se ela tivesse um "final feliz" ao lado de um homem, apesar disso estar bem longe da verdade. Greta conseguir dar o fim que Jo merecia e sempre quis,com a sua independência.

Por fim, é um belo filme, mas não grandioso e não acho que chega a garantir as estatuetas para Saiorse(melhor atriz) e Greta (melhor filme e roteiro adaptado). Talvez Florence tenha uma chance bem maior.
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